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Curso busca democratizar a tecnologia no Morro dos Prazeres

Movimento Vai na Web alia tecnologia e valores humanos e ajuda a transformar vidas nas favelas do Rio de Janeiro

11 dez 2021 11h40
| atualizado em 16/12/2021 às 14h26
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Alunos do curso do movimento Vai na Web
Alunos do curso do movimento Vai na Web
Foto: Divulgação/Vai na Web / ANF

Para a juventude periférica procurar trabalho de forma online, sem sair de casa, foi uma mudança de paradigmas e uma tarefa dificultada pela conexão precária disponível na maioria das favelas do país. Ciente dessa problemática, o movimento Vai na Web foi criado pensando em frear, de forma inteligente, a desigualdade social e a exclusão digital nas comunidades. É um programa de alta tecnologia e valores humanos que visa reduzir as desigualdades por meio da qualificação de jovens e adultos gerando empregos no mundo tecnológico. 

Localizado no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, zona central do Rio de Janeiro, o Vai na Web oferece formação gratuita de desenvolvimento para sites e aplicativos com duração de nove meses. Os participantes dos cursos recebem aulas práticas de ciência da computação, finanças e comunicação. Preocupados com o aprendizado individual, são realizadas monitorias, aulas socioemocionais e eventos com profissionais do mercado.

Em 2020, uma pesquisa da TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), revelou que 48% dos jovens das classes D e E no Brasil não têm acesso à internet. O estudo também mostrou que 85% dos usuários acessam a internet pelo celular, 2% somente pelo computador e, apenas 13%, se conectam por celular e computador.

Pensado em desmarginalizar a figura da juventude preta quanto ao uso da internet, Zoraide Gomes, conhecida como Cris dos Prazeres, coordenadora executiva da organização, acredita que valorizar as habilidades humanas e de inteligência emocional são o caminho para os jovens se sentirem mais seguros e construirem novas ferramentas tecnológicas. “O Vai na Web foi pensado para o público das classes C, D e E. Por mais que a situação financeira não seja muito presente na vida dessas famílias, muitas têm acesso à tecnologia de alguma forma. Se a juventude souber usar e ler a linguagem da computação, eu acredito que de verdade possa ser um instrumento no combate à pobreza e a exclusão digital muito mais direto nessas classes sociais,” diz.

Os cursos oferecidos pelo Vai na Web formaram mais de 400 jovens, desses, 48% voltaram a estudar ou estão na faculdade, e 55% estão empregados. Nas redes sociais da iniciativa é possível encontrar depoimentos de ex-alunos, como Matheus Sarmento, 21, morador do Morro dos Prazeres, que se formou em desenvolvedor Front-End. Para ele, estar em um ambiente acolhedor foi a chave para se encontrar na sociedade. “Achei o meu espaço, meu mindset foi ‘upado’. Aprendi muito sobre meu espaço na sociedade, meus direitos e deveres.  Passei a enxergar a força da favela e a entender que nós somos potência e só precisamos de mais oportunidades”, garante.

Com o mundo globalizado e o mercado de trabalho cada vez mais exigente, se torna essencial o investimento no desenvolvimento de tecnologia - sobretudo para os trabalhadores. Em agosto de 2021, o Governo Federal anunciou um corte de 87% da verba em investimentos para o Ministério da Ciência e Tecnologia. A decisão do Ministério da Economia fez o orçamento da pasta científica cair de R$ 690 milhões para R$ 89 milhões de reais.

Turma do movimento Vai na Web
Turma do movimento Vai na Web
Foto: Divulgação/Vai na Web / ANF

Lorena Coimbra, especialista em inovação tecnológica, acredita que o poder público deveria criar soluções inteligentes para a juventude periférica. “A população de 18 a 30 anos foi a mais impactada com a não geração de emprego, como ainda não possui experiência isso a  afeta diretamente. Por outro lado, são jovens que têm buscado se aliar à tecnologia. Cada vez mais, vejo a retirada de investimentos do governo em pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, como também na aquisição de novas tecnologias industriais. Quando falamos do Estado, os processos são muito obsoletos”.

A tecnologia é um universo imenso e repleto de desafios e possibilidades, econômicos para a população mais pobre, mas também imensas possibilidades para reverter o atual cenário justamente a partir dela. Vamos começar a traçar novos horizontes dentro e fora do mercado formal da área da tecnologia para conseguirmos ultrapassar todas as barreiras sociais, raciais e econômicas.

ANF
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