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Jovem aposta em estética periférica e cria marca em Salvador

Com rede de apoio, Dugueto tem loja virtual, ações sustentáveis e mais de 19 mil seguidores em redes sociais

28 jan 2022 08h00
| atualizado às 14h49
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Adriano Soares, criador da Dugueto
Adriano Soares, criador da Dugueto
Foto: Bruna Rocha/Agência Mural

Imagens de bronzeamentos artificiais nas lajes e cenas do cotidiano nas ruas do Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, fazem parte da estratégia de vendas das coleções da marca Dugueto, criada há quatro anos pelo autônomo Adriano Soares, 25, que desejava valorizar a estética periférica e estimular o empreendedorismo local ao mesmo tempo. 

“Sentia falta de uma verdadeira representatividade, queria ir além de estampar ‘favela’ ou ‘comunidade’ em camisas. Comecei a perceber elementos que poderiam compor a minha marca trazendo essa representatividade do que é realmente ser favela”, diz Soares. 

A preocupação com a estética vai do momento de criação das coleções aos ensaios protagonizados por modelos negros e negras da região. Viviane Vitória, 20, uma das modelos voluntárias da Dugueto, se diz representada pela proposta da marca.

“Na moda é muito importante que o consumidor se veja naquela marca ou campanha. Como consumidora me sinto muito representada, pois é uma marca vinda do gueto, que expõem as diversidades do gueto e com pessoas do gueto”, diz a jovem, que ressalta a valorização na escolha do casting.

“Meu sentimento é de satisfação, de total gratidão. Além de valorizar o trabalho de modelos negros que, apesar de estarem ocupando espaço na moda, tem rara visibilidade”, conta.

Com mais de 19 mil seguidores nas redes sociais, a marca mantém seu catálogo virtual por meio do Instagram (@dugueto__) e as vendas são realizadas por meio do Whatsapp (+55 71 8185-8892). 

Para além da venda de roupas, a Dugueto ajuda a desenvolver e faz parte de uma rede de apoio a outros microempreendedores do bairro estimulando ações sustentáveis. Um exemplo é o projeto Dugueto +Sustentável, iniciativa que foca na redução de resíduos na produção e na conscientização para o reaproveitamento das embalagens que acompanham as peças. 

“Percebi que mesmo sendo uma empresa pequena eu poderia fazer algo pelo planeta. As embalagens levam folhetos produzidos a partir de papel reciclável com dicas de reutilização”, diz Soares. 

Já os retalhos que sobram das roupas são doados para outros comerciantes. A professora e artesã Aline Lopes, 38, é uma das beneficiadas pela doação, que diz ter se reinventado durante a pandemia.

A professora e artesã Aline Lopes é uma das beneficiadas pelas doações de retalhos da Dugueto
A professora e artesã Aline Lopes é uma das beneficiadas pelas doações de retalhos da Dugueto
Foto: Bruna Rocha/Agência Mural

“Com a perda do meu emprego, decidi evidenciar minhas habilidades artesanais e comecei a fazer laços, tiaras, turbantes e adereços infantis. Como não tinha recursos financeiros, Adriano veio com essa proposta de me doar os retalhos de sobras da Dugueto, e isso gerou o que eu chamo de círculo do amor”, diz Aline. 

A pandemia também afetou os negócios da empresa. Soares relata que as vendas que chegavam a R$ 8 mil por mês, atualmente, não totalizam R$ 1 mil. Apesar das baixas, uma nova coleção está sendo produzida para o próximo mês, segundo o empresário. 

Um dos produtos que está nos planos da marca para os próximos catálogos são bonecos e bonecas pretas para o público infantil. O brinquedo foi alvo de uma ação social realizada em outubro do ano passado para celebrar o Dia das Crianças.

Na ocasião, a marca conseguiu firmar parcerias com empreendimentos de outros estados para angariar recursos e distribuir 98 bonecos e bonecas para crianças do Nordeste de Amaralina. 

“Essa parceria foi se conectando aos poucos, já conhecia uma das costureiras, ela me indicou uma outra e após a divulgação nas redes sociais, um grupo estava formado”, conta Soares. 

Para o empresário, o brinquedo também faz parte da ideia de representatividade que acompanha a Dugueto. “As bonecas foram criadas após uma criança me perguntar se nós tínhamos bonecas pretas. Fiquei incomodado e, no dia 12 de outubro, decidimos buscar recursos e promover a distribuição desses brinquedos para que, através deles, as crianças pudessem se enxergar e trabalhar sua autoestima”, relata o jovem empreendedor.

Uma das crianças contempladas foi Adan Miguel, 7,  filho da professora Aline. Ela destacou a emoção em vê-lo ganhando um boneco preto. “O sentimento é de gratidão. É lindo observar como um simples objetivo representa tanto na autoestima dessas crianças. E são tão especiais que guardei na estante de casa, para não estragar entre uma brincadeira e outra”.

Agência Mural
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