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Projeto usa futebol contra traumas causados por violência

História tomou forma após chacina da Candelária tendo como idealizadora Yvonne de Mello, criadora da pedagogia que visa tratar vítimas

19 jan 2022 08h00
| atualizado às 11h17
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O grande diferencial do Uerê Gol é a metodologia própria, que visa amenizar traumas causados pela violência que levam às dificuldades de aprendizado.
O grande diferencial do Uerê Gol é a metodologia própria, que visa amenizar traumas causados pela violência que levam às dificuldades de aprendizado.
Foto: Luciana Campos / ANF

A violência urbana tem crescido em todos os centros urbanos do país. Quando analisamos as regiões metropolitanas, percebemos um crescimento heterogêneo, já que os números mostram que a violência é um fenômeno ainda maior nas áreas mais pobres das grandes cidades.

Com base nos dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), cerca de 944 pessoas foram assassinadas por policiais em favelas do Rio de Janeiro, entre 5 de junho de 2020 e 5 de maio de 2021, período em que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu operações policiais nesses territórios por conta da pandemia.

Esse período histórico do uso desnecessário da força policial foi marcado pela chacina do Jacarezinho, na qual 24 civis foram mortos. O ocorrido ficou marcado em todo o país como a ação de maior letalidade em toda a história do estado do Rio de Janeiro.

O alto índice de letalidade ao qual os moradores de favelas são expostos diariamente é extremamente nocivo para a saúde mental. Uma pesquisa realizada pela ONG People’s Palace Projects em parceria com a ONG Redes da Maré, no Rio de Janeiro, sobre saúde mental mostrou que sete, a cada 10 moradores da Maré entrevistados têm medo frequente de que uma pessoa querida seja atingida por um tiro. A pesquisa foi realizada entre 2018 e 2020 e ouviu 1.411 moradores da Maré, acima de 18 anos.

A pesquisa também aponta que um terço dos moradores desenvolvem ou acentuam problemas relacionados à saúde mental por causa da exposição frequente à violência, como dificuldade para dormir (44%), perda de apetite (33%), vontade de vomitar e mal-estar no estômago (28%), calafrios, indigestão (21,5%), ou até mesmo depressão (26,6%), ansiedade (25,5%) e pensamentos suicidas (12%).

Pensando na saúde de crianças e jovens da Maré, foi criado o Uerê Gol, uma escola de futebol pertencente ao projeto Uerê. A história que começou em 1980 atendendo crianças em situação de rua, tomou forma após a chacina da Candelária, em 1993, tendo como idealizadora Yvonne Bezerra de Mello, pedagoga e criadora da pedagogia Uerê-Mello, que tem como objetivo tratar traumas psicológicos de crianças e adolescentes que vivem em comunidades carentes.

O projeto Uerê Gol destina-se a crianças e jovens de 5 a 17 anos e visa proporcionar educação e instrução de qualidade, desenvolvendo o espírito esportivo, trabalho em equipe e boa coordenação.

O grande diferencial do Uerê Gol é a metodologia própria, que visa amenizar traumas causados pela violência que levam às dificuldades de aprendizado.

Todas as atividades realizadas buscam sempre respeitar o tempo de concentração biológica das faixas etárias, proporcionar um melhor e maior desempenho do aprendizado.

A escolinha de futebol Uerê Gol faz parte do Projeto Uerê, uma escola que atende 420 jovens que frequentam colégios públicos da comunidade, oferecendo oficinas de leitura, informática, fotografia, além de aulas de música na orquestra de cordas e complemento do Ensino Formal, com aulas de português, matemática, história, geografia, ciências e idiomas.

Yvone conta que, desde a criação do espaço físico, atende crianças da favela e já enfrentou muitos episódios de violência que ela descreve como “cenas apavorantes”. Ela relembra uma manhã na qual precisou se atirar ao chão com os alunos para escapar das balas perdidas e poder continuar a ensinar após o cessar-fogo. Yvonne relata que, mesmo com toda dificuldade, o projeto continua existindo e resistindo para levar educação de qualidade às crianças.

A escolinha está localizada na Baixa do Sapateiro e recebe doações que auxiliam na manutenção do local e na alimentação de todos os participantes. Para doar, entre em contato com o telefone (21) 3881-6219.

A escolinha de futebol Uerê Gol faz parte do Projeto Uerê, uma escola que atende 420 jovens que frequentam colégios públicos da comunidade, oferecendo oficinas de leitura, informática, fotografia, além de aulas de música na orquestra de cordas e complemento do Ensino Formal, com aulas de português, matemática, história, geografia, ciências e idiomas.
A escolinha de futebol Uerê Gol faz parte do Projeto Uerê, uma escola que atende 420 jovens que frequentam colégios públicos da comunidade, oferecendo oficinas de leitura, informática, fotografia, além de aulas de música na orquestra de cordas e complemento do Ensino Formal, com aulas de português, matemática, história, geografia, ciências e idiomas.
Foto: Luís Cláudio de Almeida

 

ANF
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