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Desde os escravizados, capoeira é símbolo de luta no RJ

Muito mais que esporte, a luta afro-brasileira é oportunidade de criar conexão com a ancestralidade e enxergar a si e a sua realidade

22 dez 2021 12h00
| atualizado em 28/12/2021 às 09h00
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Vidigal Capoeira
Vidigal Capoeira
Foto: Emily Farthing / ANF

A capoeira é uma expressão cultural que envolve movimentos de luta, música e canto. Foi criada por negros africanos que foram escravizados em território brasileiro no século 16 e uma das principais finalidades era defender-se das violências praticadas pelos senhores de escravos e seus capitães do mato.

Atualmente, a capoeira refere-se muito mais a um esporte, jogo ou dança, porque os movimentos são demonstrações de ataque, defesa, esquiva e gingado, é a movimentação do corpo de forma ritmada. Em 2014, a UNESCO reconheceu. Porém, para algumas pessoas, muito mais que esporte, a luta afro-brasileira é oportunidade de criar conexão com a ancestralidade e enxergar a si e a sua realidade a partir de outra ótica.

Um bom exemplo disso é o Projeto Vidigal Capoeira, no Rio de Janeiro, que, junto de seus alunos mais experientes, teve início com o mestre Messias Freitas influenciado pelo pai, que também é mestre. Messias começou a frequentar rodas de capoeira desde a primeira infância e treina desde os 7 anos de idade.

Fundado em 2010, o Vidigal Capoeira surgiu com o objetivo de facilitar o acesso à capoeira de qualidade, bem como à pesquisa, divulgação e consumo das danças afro-brasileiras com foco em crianças, jovens, adultos e ao público da terceira idade.

O sucesso do projeto resultou em prêmios e a certificação, por mais de uma vez, como ação local pela Secretaria Municipal de Cultura e foi reconhecido como ponto de cultura pelo Ministério da Cultura.

Ao longo desses 11 anos, o projeto já ofereceu oficinas e workshops, danças populares, espetáculos cênicos, mesas redondas, encontros de mestres, encontros nacionais de cultura popular, toques e confecção de instrumentos, mostras de filmes e documentários, produção de literatura de cordel, produção de três livros e registros fonográficos do gênero, além de um documentário (Capoeira Inspirational) e um vídeo clipe denominado “Saravá Jongueiros da Casa”.

Roda de capoeira: Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade, segundo a Unesco
Roda de capoeira: Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade, segundo a Unesco
Foto: Divulgação / ANF

Atualmente, o projeto atende cerca de 500 pessoas por ano. Para além da região que o nomeia, o Vidigal Capoeira também realiza aulas na Favela da Rocinha, onde atende o público da terceira idade. Além disso, existem células modelo do trabalho na cidade de Nova Friburgo através do Multiplicador Contramestre Biano e um núcleo na Cruzada São Sebastião, localizada no Leblon. A sede do projeto também atende jovens de diversas comunidades cariocas.

Para os alunos, o projeto tem uma grande contribuição para que se reconheçam, enquanto brasileiros, descobrindo suas raízes de uma forma totalmente diferente do que se ensina nas escolas. Dessa forma, o projeto também contribui com instituições de ensino público do entorno da comunidade, abordando o ensino da cultura de matriz africana que não costuma ser abordado no ensino tradicional.

Mestre Messias Freitas conta que “ao longo de cinco anos, pode-se notar a contribuição no empoderamento dos alunos que ainda fazem parte e os que já passaram pelo projeto”.

A perspectiva lançada pelo projeto sobre a vida dos participantes é extremamente importante para a inserção de jovens que, por muitas vezes, não têm acesso a outros espaços que oferecem troca de cultura e conhecimento, promovendo o sentimento de pertencimento a um grupo. Além disso, o Capoeira Vidigal também é uma ocupação para crianças e adolescentes que, por ociosidade e condições precárias de vida, poderiam ter muito mais contato com a criminalidade local.

O projeto acontece na sede do Ponto de Cultura Vidigal Capoeira localizado na Avenida Presidente João Goulart 737, 3° andar – Vidigal, às terças e quintas, das 18h às 19h para turmas infantis, e das 19h às 21h para turmas de adolescentes e adultos.

Já na Cruzada São Sebastião, localizada na Rua Humberto Campos, 95 - Leblon, o projeto ocorre às segundas e quartas, das 18h às 19h, para turmas infantis, e das 19h às 21h para turmas de adolescentes e adultos.

 

ANF
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