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Centros culturais resgatam cidadania de moradores de favelas

Os espaços culturais do Rio de Janeiro ajudam moradores perceber-se como cidadãos com capacidade criativa para construir e produzir cultura

20 dez 2021 09h48
| atualizado às 14h12
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Projeto As Charmosas
Projeto As Charmosas
Foto: Erika Verling / ANF

A cultura está presente em quem somos, através dela definimos nossas conexões sociais. Fazer parte e auxiliar na construção cultural é muito importante para que possamos enxergar os espaços sociais que ocupamos. Por isso, ter locais que possibilitem o acesso à cultura é importante para toda a sociedade.

Mas, antes de falar sobre a importância de espaços que oferecem acesso à cultura para moradores de favelas, precisamos falar sobre cidadania. A Constituição Brasileira de 1988 assegura o direito à cidadania a todos, independente do local onde residam. Porém, esse fundamento se opõe ao próprio governo, uma vez que, na prática, o papel do poder público não chega, ou chega pela metade às áreas distantes dos centros.

Com isso, o principal papel exercido pelos espaços culturais presentes nas favelas ou próximos delas é, sem dúvidas, o da inserção social e cultural.

Para além de espectadores, muitos centros culturais voltados para a parcela mais pobre da população, oferecem aos seus frequentadores a possibilidade de potencializar a produção cultural, já que, mesmo sem espaços dedicados à cultura, as comunidades já funcionam como um grande espaço de construção de significados, linguagens, e comportamentos e, unidas, representam expressões culturais, que tendem a ganhar espaço e ultrapassar as fronteiras quando são expressas através da moda, músicas, poesias, danças e outras artes.

O projeto “As Charmosas” com sede em um casarão de cultura localizado no Engenho da Rainha, na zona norte do Rio de Janeiro, cumpre bem o papel de promover ações de políticas públicas para reduzir a desigualdade. Dirigido por Eliandra Fidélis e DJ Nini Leal, o espaço oferece aulas de moda sustentável, empreendedorismo e aulas para quem sonha em se tornar DJ. Além disso, o centro cultural também faz distribuição de cestas básicas para a comunidade local.

A oficina de moda é a que mais se destaca. Muitas participantes são donas de casa e jovens que buscam na moda como forma de expressão artística e também uma fonte para ter sua própria renda. As alunas que se destacam são convidadas para participar de eventos externos, promovidos pelo próprio centro.

O curso de DJ chamado “Black na Favela”, também é muito procurado e tem como objetivo formar DJs para resgatar e impulsionar a Black Music através dos jovens.

O curso de moda é gratuito e acontece duas vezes por semana. Já as aulas para DJs têm uma taxa de R$ 50 / mês e acontecem uma vez por semana. O casarão cultural funciona na Rua Engenho do Mato, 435 - Engenho da Rainha.

ANF
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