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Alunos relembram os corres na pandemia sem aulas presenciais

'Estudantes moradores de periferia, como eu, muitas vezes não dispõem dos recursos para participar de aulas online', diz Caio Batista

22 fev 2022 - 08h00
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Estudante de Jornalismo Caio Batista
Estudante de Jornalismo Caio Batista
Foto: Arquivo pessoal

Durante a pandemia, muitos jovens tiveram que se adaptar a uma nova realidade de forma extremamente rápida. A mudança da modalidade presencial para o ensino remoto ou à distância prejudicou o aprendizado de alunos universitários de todo o país, principalmente, daqueles que vivem em vulnerabilidade social.

Em Salvador, o estudante de jornalismo, do 8º semestre, Caio Batista, de 23 anos, morador do bairro Iapi, acredita que a internet, por facilitar alguns processos, de um modo em geral, teve pontos positivos como a redução no uso excessivo de papel, porém foi crucial em outros aspectos de modo a prejudicar na comunicação.

“A internet teve um impacto positivo porque facilitou uma série de processos, encurtou os meios de comunicação com professores e outros envolvidos no processo de formação e reduziu o uso de papel. Entretanto, a comunicação exclusivamente pelo computador impediu que algumas mensagens fossem compreendidas da melhor forma, isso porque, muitas vezes, o texto era interpretado equivocadamente ou vídeos sofriam interferências e falhas de conexão”, afirma Caio.

A falta de acesso e condições para uma internet de qualidade que pudessem atender a demanda dos serviços oferecidos pelas universidades, fez com que alguns alunos optassem por trancar o curso, acreditando que o retorno ao presencial não fosse demorar. Mas, os estudantes moradores de periferia foram os mais prejudicados no aprendizado, nessa transição de ensino, devido as qualidades dos serviços de internet.

“Não resta dúvida sobre isso. Estudantes moradores de periferia, como eu, muitas vezes não dispõem dos recursos para participar de aulas online. A situação de vulnerabilidade socioeconômica impede que a família tenha condições de, por exemplo, comprar um computador e pagar por uma internet mais estável”, explica o estudante, Caio Batista.

Com o serviço de internet precário e com a dificuldade de acesso, seja pela falta de ferramenta adequada, muitos estudantes de periferia, por não terem como participar das aulas, acabaram entrando para estatísticas de evasão escolar tendo que começar a trabalhar para completar a renda, que começou a sofrer danos, já que o comércio e outras atividades tiveram que reduzir ou fechar, fazendo crescer o número de desempregados.

Estudante de Pedagogia Ítalo Ramos
Estudante de Pedagogia Ítalo Ramos
Foto: Arquivo pessoal

Também em Salvador, o estudante de pedagogia Ítalo Ramos, de 21 anos, morador de Plataforma, Subúrbio Ferroviário de Salvador, revela que teve grandes dificuldades para estudar, devido a problemas com o serviço de internet disposto em sua residência, mediante as condições financeiras.

“Assisti aulas com muita dificuldade, pois durante esse período da pandemia, além do sistema ficar caindo, a internet não ajudava muito. Eu assistia pelo meu smartphone, e encontrei muitas dificuldades, porém a mais frequente era a queda da internet, tanto os dados móveis, que não funcionava direito, quanto o WiFi, que caia direto”, explica Ítalo.

O estudante acredita que seu rendimento e aprendizagem teve grande queda, pois ele não se adaptou, ao ponto de trancar o curso. Agora, a expectativa é que as aulas voltem ao normal, presencialmente, para que os alunos consigam retomar suas rotinas de estudos.

ANF
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