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Americanas vai fazer entregas de supermercados em favelas

Varejista vai ampliar programa de entregas em comunidades; primeiro supermercado conectado à plataforma é o Brasileiríssimo, da comunidade da zona sul de São Paulo

7 jun 2022 13h19
| atualizado às 14h28
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Um ano depois de levar o comércio online de bens para dentro de sete favelas brasileiras, a gigante Americanas quer repetir a dose para alimentos e demais itens de supermercados. Neste mês, a companhia vai ofertar para a comunidade de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, a possibilidade de fazer a compra de supermercado sem sair de casa, por meio do aplicativo ou site.

O desenho do projeto é o mesmo do iniciado em abril do ano passado, também em Paraisópolis. Na época, a companhia fechou parceria com a empresa de logística Favela Brasil Xpress, responsável pelas entregas na comunidade, e a organização G10 Favelas para colocar as comunidades na rota do varejo online. Até então, muitas entregas do e-commerce não chegavam às favelas por questões de segurança e paravam nas agências dos Correios mais próximas.

O projeto, no entanto, rompeu essa barreira. "Os resultados superaram bastante as expectativas", afirma Marco Zolet, diretor executivo das categorias de mercado e conveniência da Americanas.

Em um ano foram 615 mil entregas de vendas online em sete favelas: Paraisópolis, Heliópolis, Capão Redondo, Cidade Júlia e Diadema, em São Paulo, e Rocinha e Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro. Sem revelar cifras, o executivo diz que, a cada 20 minutos, o marketplace realiza uma venda para moradores de favelas e que o valor do tíquete é equivalente ao de outros mercados.

O potencial de consumo das favelas brasileiras chama atenção. Segundo pesquisa do Outdoor Social Inteligência, especializado na classe C, as dez maiores favelas podem girar R$ 7,9 bilhões por ano em vendas e Paraisópolis responde por R$ 705 milhões. Além disso, a lógica do varejo online de que a compra frequente de alimentos pode levar à venda de outros itens se aplica também a esse mercado.

A Americanas ingressou na venda de produtos de supermercado com a compra do Supermercado Now, do qual Zoet foi o fundador. A categoria de itens de mercado é a que mais tem crescido no marketplace há alguns trimestres, com alta de 1.527% em 2021 sobre o ano anterior. "A banana foi o item mais vendido", diz o executivo.

Via de mão dupla

Hoje, 70 redes de supermercados nacionais e regionais estão no marketplace da companhia. Mas esse projeto abre a possibilidade de que supermercados que atuam na favela possam entrar no marketplace e vender também para consumidores que estão em áreas próximas às comunidades.

O primeiro supermercado de Paraisópolis conectado à plataforma é o Brasileiríssimo. Nascido na comunidade, Daniel Cristóvão, sócio do minimercado que, segundo ele, "tem de tudo um pouco", traça metas arrojadas para o empreendimento. Há um ano em funcionamento, a loja física fatura cerca de R$ 200 mil por mês. Com a ida para o marketplace, ele acredita que pode dobrar a venda.

"O público que mora na favela gosta de receber os produtos em casa", diz. Cristóvão. O preço dos itens será o mesmo da loja física, acrescido de uma taxa de entrega, que segundo ele, não será "nada absurda". Na sua projeção de aumento de vendas, o empreendedor considera também o novo mercado que se abre para o seu negócio. Isto é, por meio do marketplace, ele vai poder vender para fora de Paraisópolis.

"É uma via de mão dupla", afirma o presidente do G10 Favelas, Gilson Rodrigues. Segundo ele, a entrada de pequenos comércios, como o Brasileiríssimo, numa plataforma digital gigante, abre a possibilidade de vender não só para os moradores de Paraisópolis como do entorno também. "Esses comércios viram sellers de portais e se abre um campo novo de oportunidades." Hoje há em Paraisópolis 14 mil comércios que empregam 21% da população da comunidade.

Sustentabilidade

As entregas das compras serão feitas pela empresa de logística Favela Brasil X-press, que usa bicicletas, tuk-tuk elétricos, e veículos que seguem baixa emissão de carbono.

Os entregadores recebem cursos de capacitação e são da própria comunidade, o que facilita a circulação entre ruas e vielas. Zolet diz que o custo da entrega será " o mais democrático possível" e que muitos moradores de comunidades já gastam com aplicativos de transporte e ônibus quando vão às compras nas lojas físicas.

Estadão
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