No dia 02 de novembro de 2006, a Metro-Goldwyn-Mayer Inc. (MGM) anunciou a formação de uma parceria com Tom Cruise e sua produtora de longo tempo, Paula Wagner, para fazer reviver a United Artists, um dos mais antigos e importantes estúdios da história de Hollywood. A nova United Artists é dedicada à promoção de um ambiente onde cineastas possam prosperar com filmes distintos e histórias originais, tendo como legado ser um estúdio dirigido por cineastas e para cineastas.
Tudo começou em 1918, quando quatro personalidades de Hollywood tiveram a idéia de formar a sua própria empresa de distribuição e, quem sabe, até mesmo produzir filmes – o que permitiria gerir suas próprias carreiras e se separar do "sistema estúdio” ao qual muitos cineastas e estrelas estavam atrelados. Essas quatro pessoas eram nada menos que a “namoradinha da América”, a atriz Mary Pickford; o aventureiro e estrela do cinema mudo, Douglas Fairbanks; o lendário escritor, diretor, produtor e estrela Charles "Charlie" Chaplin; e o pioneiro cineasta DW Griffith, a quem muitas técnicas modernas de cinema devem a sua criação.
Em 5 de fevereiro de 1919, a United Artists foi oficialmente incorporada e nascia assim um novo tipo de estúdio em Hollywood. Os primeiros anos da United Artists coincidiram com um período de grandes mudanças em Hollywood. Pickford, Fairbanks e Chaplin eram estrelas do cinema mudo e com o advento do som, em 1927, suas carreiras mudaram de rumo. No mesmo período, a UA passou a atrair produtores independentes como Samuel Goldwyn, Alexander Korda, Howard Hughes e o lendário Buster Keaton, cujo filme clássico A General foi um dos mais celebrados entre as primeiras produções do estúdio. Outros bons filmes vieram como A Marca do Zorro, Os Três Mosqueteiros e Robin Hood.
Entre as 1ª e 2ª Guerras Mundias, a UA tanto produziu como distribuiu um vasto leque de filmes, a partir de adaptações literárias clássicas como O Morro dos Ventos Uivantes e alguns dos mais amados filmes de Chaplin e Keaton, musicais aclamados como Nos Tempos das Diligências, Scarface, O Prisioneiro de Zenda e Nasce uma Estrela. Durante a década de 40, o estúdio teve um número menor de filmes, porém sua produção incluiu clássicos como O Ladrão de Bagdad, O Grande Ditador (de Chaplin e Rebecca) e Quando Fala o Coração (de Alfred Hitchcock).
Mas foi na década de 50 que a United Artists realmente floresceu. O extremamente bem sucedido filme Uma Aventura na África, de John Huston, definiu um novo padrão para uma grande gama de filmes que viriam em seguida, como: o clássico faroeste High Nun, os três primeiros filmes de Stanley Kubrick (A Morte Passou por Perto, O Grande Golpe, Glória Feita de Sangue), Vera Cruz, Marty, Volta ao Mundo em 80 Dias, o notável drama de Sidney Lumet 12 Homens e Uma Sentença, A Embriaguez do Sucesso e Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder. Enquanto a televisão reduzia a audiência, gerando enorme tensão sobre estúdios com grandes despesas financeiras, a independência da United Artists a permitiu resistir à tempestade e entrar na década de 1960 com uma lista incomparável de talentos, tanto na frente quanto por trás das câmeras.
Filmes como Entre Deus e o Pecado, Se Meu Apartamento Falasse, de Billy Wilder, Amor Sublime Amor e Julgamento em Nuremberg reafirmaram a UA como uma produtora e distribuidora de filmes “amiga do artista”, mas foi com o 007 Contra o Satânico Dr. No, em 1962, a primeira adaptação fiel de um dos livros James Bond, de Ian Fleming, que o estúdio desfrutou seu próprio sucesso, criando uma franquia que duraria por cinco décadas. Assim, as franquias ganharam espaço na United Artists, como A Pantera Cor de Rosa, de Blake Edwards, que lançou uma série de comédias bem sucedidas e The Hard Day's Night, a primeira incursão no cinema dos Beatles, que ajudou a integrar a banda pop britânica à América.
Além do lançamento anual dos filmes de James Bond e A Pantera Cor de Rosa, outras produções da UA foram igualmente notáveis. Por Um Punhado de Dólares, de Sergio Leone, lançou uma série dos chamados "spaghetti westerns" e apresentaram ao mundo o ator Clint Eastwood; enquanto As Aventuras de Tom Jones ganhava o Oscar de Melhor Filme. O sucesso foi repetido quatro anos mais tarde por No Calor da Noite. A partir daí, para cada filme voltado a toda família que a UA lançava (A Maior História de Todos os Tempos, Fugindo do Inferno e Chitty Chitty Bang Bang), ela traria também um filme mas atrevido, orientado à juventude, como A Primeira Noite de um Homem, Crown – O Magnífico e o drama inovador Perdidos na Noite – o primeiro filme a ganhar o cobiçado Oscar de Melhor Filme.
Fiel aos seus princípios fundadores, a United Artists continuava a atrair o tipo de talento novo da “contra cultura”, apoiando os primeiros filmes de Woody Allen, Robert Altman, John Frankenheimer, Bernardo Bertolucci, Federico Fellini, Francis Ford Coppola, Hal Ashby, Martin Scorsese, Ken Russell, Paddy Chayevsky e Brian De Palma. Até meados da década de 70, enquanto filmes como James Bond e A Pantera Cor de Rosa continuavam a dominar as bilheterias, a United Artists entrou na sua mais célebre era, produzindo uma série de filmes clássicos, que provaram ser igualmente atraentes para audiências e eleitores do Oscar.
Em 1975, a agitada adaptação do clássico filme Um Estranho no Ninho, de Ken Kesey, tornou-se o primeiro filme da história a ganhar cinco prêmios do Oscar (os “cinco grandes prêmios”): Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro, Melhor Diretor e Melhor Filme. Um ano mais tarde, o estúdio apoiou um roteiro do aspirante a ator Sylvester Stallone, em Rocky, e foi recompensado com um sucesso mundial, uma nova franquia e o Oscar de Melhor Filme. Em 1978, a UA levou para casa, mais uma vez, o maior prêmio de Hollywwod com o drama Vietnam War, de Hal Ashby, que ganhou quatro grandes prêmios, entre eles o Oscar para Jon Voight e Jane Fonda.
A década seguinte foi menos produtiva para a United Artists, apesar do êxito contínuo de James Bond, A Pantera Cor de Rosa e dos filmes Rocky, além de sucessos como Jogos de Guerra e o ganhador do Oscar, Rain Man. Os problemas tiveram início com a decisão do estúdio de apoiar um filme de orçamento muito alto de Michael Cimino, chamado Heaven's Gate. Este fracasso financeiro da UA a levou à beira da falência.
Em 2000, a United Artists era somente uma distribuidora que tentava iniciar relações com outra nova geração de cineastas independentes desde Michael Winterbottom (A Festa Nunca Termina), Mike Leigh (Tudo ou Nada) até Michael Moore (Tiros em Columbine). Raramente produzindo filmes próprios, levou o Oscar de Melhor Ator em 2006 pela atuação de Phillip Seymour Hoffman no filme Capote.
No dia 02 de novembro de 2006 tudo isso mudou com a chegada da renomada produtora Paula Wagner (Missão Impossível, Os Outros e Guerra dos Mundos) e o gigante das bilheterias, Tom Cruise, por trás da revitalização da marca. A United Artists entrou em 2007 com uma emocionante lista de filmes e com o objetivo de voltar a produzir grandes títulos. A retomada da história de sucesso foi marcada com o lançamento do drama político Leões e Cordeiros, de Robert Redford, e o emocionante filme Operação Valquíria, sobre a Segunda Guerra Mundial, de Bryan Singer, que tem lançamento previsto para este ano. Às vésperas de completar seu nonagésimo aniversário, o futuro do estúdio feito por artistas nunca se viu mais brilhante.