Hollywood, Bollywood e o mundo da moda deveriam parar de glamurizar o ato de fumar, disse ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS), pedindo que "parem de ser usados como veículos publicitários de morte e doenças". O organismo subordinado às Nações Unidas e que está tentando fechar um tratado mundial contra o fumo exortou o mundo do cinema a evitar apresentar o tabagismo numa luz favorável e à indústria da moda que pare de usar cigarros como "acessórios de moda".
Os jovens com menos de 17 anos deveriam ser proibidos de assistir a filmes em que algum personagem fuma, as marcas de cigarro não deveriam ser identificadas na tela, e os cinemas deveriam difundir anúncios contundentes contra o cigarro, continuou a organização.
"Se um produto à base de tabaco dá a impressão de ser viril ou feminino, sofisticado ou rude, sexy ou esportivo, é em função do marketing que o cerca. Dois dos contextos mais favoráveis para a criação dessas imagens são o cinema e a moda", afirmou a OMS em comunicado à imprensa. "Os mundos do cinema e da moda não podem ser acusados de causar câncer. Mas não precisam promover um produto que o faz".
Uma pesquisa sobre a indústria de cinema na Índia, a maior do mundo, mostrou que cerca de 320 entre 400 filmes recentes de Bollywood apresentam personagens fumando, sendo que a maioria o faz como se fumar fosse uma coisa atraente.
Todos os dias cerca de 15 milhões de pessoas assistem a filmes indianos na Índia.
As restrições à publicidade e ao patrocínio de empresas de cigarros constituem elementos-chave do tratado global contra o fumo que está sendo negociado em Genebra pelos 192 países que integram a OMS.
O primeiro tratado mundial de saúde pública deve ser acordado até 28 de fevereiro e aprovado em maio pela assembléia geral da organização.
Autoridades da área de saúde estimam que 5 milhões de pessoas morrem anualmente de doenças ligadas ao fumo. Essa cifra pode dobrar nos próximos 20 anos em função do tempo longo que o câncer de pulmão e as doenças cardiovasculares levam para se desenvolver e manifestar. A previsão é que cerca de 70% das vítimas futuras venham de países em desenvolvimento.