O ator britânico Dudley Moore, que estrelou comédias de sucesso como Arthur, O Milionário Sedutor, morreu aos 66 anos de pneumonia depois de uma longa batalha contra uma rara doença no cérebro, disse o porta-voz do artista em Los Angeles. A mesma fonte afirmou que Moore faleceu na quarta-feira em sua casa em New Jersey, rodeado pela família e por amigos. O funeral será privado.
O porta-voz disse que o ator morreu de uma pneumonia consequente de uma complicação de Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP), uma rara doença degenerativa parecida com o Mal de Parkinson, que afeta o cérebro e causa problemas na fala e na locomoção, além de perda do equilíbrio e dificuldade de engolir.
Moore anunciou em setembro de 1999 que sofria de PSP, mas tentou aliviar o fato, dizendo: "Uma pessoa em 100 mil sofre desta doença e eu sei que há 100 mil pessoas na minha união, a Screen Actors Guild, que estão trabalhando todos os dias. Eu penso portanto que posso considerar que eu tenho essa doença para proteger os outros 99.999 membros do SAG de terem o mesmo destino."
Mas a realidade para o ator, como ele declarou posteriormente em uma entrevista para a televisão, era de que ele se sentia aprisionado em seu próprio corpo e olhava para a morte como uma experiência horrível que estava se aproximando.
Agente do ator por vários anos e amigo pessoal de Moore, Lou Pitt, disse: "Seu humor, sua alegria e sua paixão por fazer as pessoas rirem fará imensa falta."
Moore, que além de ator cômico era pianista de jazz, tornou-se um dos sex-symbols mais improváveis de Hollywood nos anos 1980 graças ao seu papel em Mulher Nota 10.
Filho de uma datilógrafa e de um eletricista de estrada de ferro, o pequeno Moore ganhou uma bolsa de estudos de música na Universidade de Oxford, onde ele se juntou a Peter Cook.
Moore e Cook co-estrelaram a comédia de TV Dud and Pete e ganharam a simpatia do público nos anos 1960.
Nascido em Dagenham, leste de Londres, o ator de 1,60 metro atribuiu seu sucesso na música e na comédia à infância, a qual passou se defendendo de garotos que lhe faziam gozações.
"Acho que a maioria dos comediantes começaram defendendo-se com humor", ele disse. "Geralmente eles se sentem inferiores de alguma maneira. Por causa da classe, da força, da altura... Acredito que se eu pudesse acertar alguém no nariz, eu não teria me tornado um ator cômico."
A atenção dos tablóides frequentemente se voltava à tumultuada vida pessoal de Moore, que teve quatro casamentos, o último deles - com Nicole Rothschild - acabando em alegações de abuso. Ele tinha dois filhos, Patrick e Nicholas.
O ator morou nos EUA nos últimos 25 anos e disse que, depois da morte do amigo Peter Cook em 1995, não havia motivo para ele retornar à Grã-Bretanha.
Moore foi ficando incrivelmente retraído e declarou, no fim dos anos 1990, que seu interesse estava enfraquecendo. "Eu estou cansado", disse Moore ao completar 60 anos. "Eu não tenho mais a urgência que costumava ter."
Matérias de tablóides mostravam constantes quedas, dificuldade de fala, desentendimentos domésticos e acidentes de carro no fim dos anos 1990 - posteriormente explicados pelo seu estado de saúde - e levaram a rumores de abuso de álcool e drogas. Em 1999 ele foi visto caindo durante uma entrevista televisionada com Barbara Walters.
No final do mesmo ano veio o diagnóstico de PSP.
Uma revista norte-americana o elegeu o homem mais desejável pelas mulheres. Vinte anos de psicoterapia depois, ele disse que já não sentia "a pressão de ser engraçado: eu posso ser o que quiser - divertido ou lúgubre.".