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Uma supernova poderia causar uma extinção em massa na Terra?

Cientistas investigaram se a atmosfera da Terra poderia nos proteger contra supernova, uma das explosões mais energéticas no universo

20 jun 2024 - 03h30
(atualizado às 18h12)
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O quão eficiente a atmosfera da Terra é para nos proteger contra uma supernova e seus efeitos, como uma extinção em massa? Para descobrir, pesquisadores liderados por Theodoros Christoudias, do Instituto Cyprus, investigaram estas explosões e os efeitos que poderiam causar em nosso planeta caso ocorram por perto. Mas pode ficar tranquilo, pois os resultados mostraram que o campo magnético terrestre e a camada de ozônio dão conta da proteção.

Foto: Aaron M. Geller, Northwestern University / Canaltech

As supernovas são o último suspiro das estrelas com pelo menos cinco vezes a massa do Sol. Estas explosões são tão intensas que podem ofuscar a luz das suas galáxias por alguns dias ou até por meses, e estão presentes em todo o universo. Os astrônomos estimam que até três supernovas ocorrem a cada século em galáxias como a nossa. 

Por isso, elas são extremamente perigosas — quanto mais perto de um planeta, mais letais são seus efeitos para os seres vivos ali. No caso da Terra, os raios gama da supernova, bem como seus raios cósmicos, poderiam destruir completamente a camada de ozônio que protege a superfície do nosso planeta contra a radiação ultravioleta. 

Alguns estudos já trouxeram modelos da resposta da atmosfera da Terra à uma supernova próxima em escalas astronômicas. Já Christoudias e seus colegas foram além, e trabalharam com um modelo que permitiu estudar o impacto que supernovas próximas teriam na atmosfera considerando as dinâmicas de circulação, a química e os processos que ocorrem ali.

Uma supernova teria menos efeitos na camada de ozônio do que pensávamos (Imagem: Reprodução/Sketchepedia/Freepik)
Uma supernova teria menos efeitos na camada de ozônio do que pensávamos (Imagem: Reprodução/Sketchepedia/Freepik)
Foto: Canaltech

Eles descobriram que, mesmo em um cenário do tipo, a camada de ozônio seria mais resiliente do que pensávamos. "A redução máxima do ozônio sobre os polos é menor do que o buraco antropogênico atual sobre a Antártida, o que equivale a uma perda de coluna de ozônio de 60 a 70%", explicaram. Eles notaram um aumento do gás na troposfera, mas que cabe nos níveis causados pela poluição antropogênica atual. 

Segundo a equipe, se considerarmos a perda máxima do ozônio na estratosfera causada por 100 vezes mais radiação ionizante que aquela que recebemos normalmente, o nível máximo alcançado seria de 10%. O valor é quase o mesmo que aquele causado pela poluição gerada pela ação humana, e não causaria grandes problemas na biosfera moderna. Os efeitos seriam mais preocupantes na atmosfera primitiva, que tinha apenas 2% de oxigênio.

Finalmente, os autores acreditam que "dificilmente uma extinção em massa seria causada por uma supernova próxima". "Concluímos que a atmosfera do nosso planeta e o campo geomagnético protegem de forma efetiva a biosfera contra os efeitos de supernovas próximas, que permitiram que a vida evoluísse em terra firme ao longo das últimas centenas de milhões de anos", encerraram.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Fonte: Nature Communications, Universe Today

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