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Novo vírus mira dispositivos Linux para minerar criptomoedas

Variação da botnet Mirai se espalha automaticamente por aparelhos Linux, mesmo que estejam fora da própria rede, para minerar criptomoedas

11 jan 2024 - 21h42
(atualizado em 12/1/2024 às 12h03)
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Os dispositivos Linux estão na mira de uma nova categoria de vírus, que se espalha automaticamente pela internet e minera criptomoedas para gerar lucros aos bandidos. Batizada de NoaBot, a rede criminosa vem se disseminando desde janeiro do ano passado, enquanto alterações em seu código demonstram um interesse dos responsáveis em se manterem ocultos.

Foto: Jordan Harrison/Unsplash / Canaltech

É quase uma contradição, conforme apontam os pesquisadores em segurança da Akamai, responsáveis pela descoberta. O NoaBot, em si, é uma variação da botnet Mirai, conhecida desde 2016 pela infecção de dispositivos Linux para realizar ataques de negação de serviço; em vez disso, porém, ela instala o minerador XMRig, também amplamente analisado pela comunidade de proteção digital, para usar os recursos computacionais na geração de lucro.

O método de disseminação também é relativamente comum, com os dispositivos infectados buscando outros na internet, de olho no uso de senhas fracas e conexões desprotegidas. Entretanto, a aparência de pouca sofisticação se encerra por aí, com a Akamai citando métodos de ofuscação de código e adições à programação original do vírus como indícios de que agentes um pouco mais especializados podem estar por trás da campanha.

Brasil está entre os países atingidos por contaminações do NoaBot, que tem ataques mais concentrados na China, Europa e EUA (Imagem: Reprodução/Akamai)
Brasil está entre os países atingidos por contaminações do NoaBot, que tem ataques mais concentrados na China, Europa e EUA (Imagem: Reprodução/Akamai)
Foto: Canaltech

Ela é disseminada em massa, mas há um cuidado de não exacerbar a quantidade de conexões. Ao longo do último ano, um dispositivo intencionalmente desprotegido e voltado para a captação de ataques — conhecido como honeypot — foi atingido quase 850 vezes. Cada uma dessas conexões, aponta a Akamai, corresponde a um dispositivo infectado em potencial, ajudando a espalhar a praga pela internet.

A China parece ser o país com maior número de contaminações, correspondendo a cerca de 10% do total de ataques analisados pela empresa de segurança. O Brasil também está na lista de atingidos, ainda que a Europa, o Oriente Médio e os EUA estejam à frente entre os territórios com maioria das detecções do NoaBot.

Vírus tem base conhecida, mas potencial oculto

O uso da botnet Mirai em ataques cibernéticos distribuídos em massa é comum há pelo menos sete anos e aumentou desde que o código fonte da praga foi divulgado publicamente por seus autores. A capacidade de se autorreplicar vem daí, mas o NoaBot chama a atenção pelo trabalho empregado em ocultar suas origens e, principalmente, os responsáveis pela campanha.

De acordo com a Akamai, esforços claros de ocultação de códigos e origem foram tomadas antes da botnet ver a luz do dia. Entre eles estão o uso de bibliotecas alternativas de compilação e a tomada de medidas para dificultar a engenharia reversa, assim como o uso de pastas aleatórias nos sistemas contaminados, complicando também a identificação de uma infecção.

O relatório da Akamai aponta ainda para a inserção de capacidades de exploração adicional, após a infecção inicial e automatizada. Ainda que golpes posteriores não tenham sido identificados, o NoaBot é cria uma porta de entrada para a execução de novos vírus ou propagação adicional, indicando potencial de uso ainda mais malicioso no futuro.

O uso exacerbado de recursos de processamento é o principal sinal de contaminação por um minerador de criptomoedas desse tipo. Enquanto isso, para evitar a infecção inicial, é importante ter dispositivos sempre atualizados e protegidos, com senhas seguras e protocolos de segurança aplicados de maneira adequada.

Fonte: Akamai

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