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Misterioso porco-do-mar é encontrado a 2,8 km de profundidade no Chile

Em expedição ao Chile, pesquisadores avistaram o raro e misterioso porco-do-mar. A criatura depende de infiltrações frias, já que vive sem luz solar

19 jun 2024 - 21h12
(atualizado em 20/6/2024 às 01h48)
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Durante a expedição do Schmidt Ocean Institute ao Chile, pesquisadores a bordo do R/V Falkor encontraram infiltrações frias, que servem de energia química para animais que vivem sem luz solar. É o caso do raro e misterioso porco-do-mar, que sempre chama a atenção da ciência quando é avistado — e dessa vez, estava a 2.836 metros de profundidade.

Foto: Schmidt Ocean Institute / Canaltech

Conforme comunicado, a busca pelas infiltrações durou mais de 12 horas. Essas infiltrações frias (ou "cold seeps" em inglês) são áreas no fundo do oceano onde hidrocarbonetos, como metano e sulfeto de hidrogênio, vazam lentamente para fora dos sedimentos.

Diferentemente das fontes hidrotermais, que liberam fluídos quentes, as infiltrações frias expelem fluídos a temperaturas similares às da água do mar circundante. 

As infiltrações frias mais rasas, como as infiltrações de metano, são geralmente localizadas pela descoberta de bolhas vindas do fundo do oceano. As ondas sonoras enviadas para o fundo do mar que são usadas para mapear, mas as bolhas nem sempre são visíveis em infiltrações mais profundas, tornando sua localização mais desafiadora.

"Essas infiltrações são ecossistemas quimiossintéticos onde o metano que ocorre naturalmente borbulha a partir de fissuras no fundo do mar. Eles são formados ao longo de zonas de subducção, áreas oceânicas onde duas placas tectônicas colidem e uma é pressionada sob a outra. O metano no fundo do mar fornece energia para bactérias, uma fonte de alimento para animais como mariscos, lagostas e vermes tubulares", diz o comunicado do instituto.

Infiltrações localizadas durante a expedição

O Instituto também menciona que as infiltrações localizadas durante a expedição estão na Fossa do Atacama, uma formação de 8 mil metros de profundidade que percorre toda a extensão do Peru e do Chile.

O interesse em estudar as infiltrações surge porque elas podem ajudar a obter informações sobre como a vida se desenvolveu na Terra e como essas estratégias de sobrevivência e condições químicas podem sustentar a vida em outros planetas.

"Os micróbios que vivem nessas infiltrações têm estratégias incríveis para produzir alimentos sem luz solar. Aqui na Terra, a vida no escuro é estranha por si só e fornece informações críticas para a compreensão de como os organismos persistem nas condições mais extremas. Ainda estamos a tentar descobrir como a vida começou na Terra, e ambientes que fornecem energia química para a vida, como este, podem oferecer pistas sobre a faísca que acendeu toda a biodiversidade no nosso belo planeta", diz a co-autora, Lauren Seyler, da Universidade de Stockton.

Animais raros e até mesmo novos

Além de raros, como o porco-do-mar, a equipe também coletou mais de setenta espécimes, com muitas espécies suspeitas de serem novas para a ciência.

Enquanto se aguardam mais pesquisas, as novas espécies suspeitas de serem encontradas entre 3.000 e 4.500 metros de profundidade incluem caracóis marinhos e anfípodes.

As amostras de animais coletadas durante a expedição destinada a encontrar infiltrações frias serão mantidas na Universidade Arturo Prat Museo del Mar em Iquique e no Museu de História Nacional em Santiago, Chile.

Fonte: U Schmidt Ocean Institute (1, 2)

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