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Família processa NASA após ter casa atingida por lixo espacial

Após ter a sua casa atingida por lixo espacial da ISS, família processa a NASA e pede indenização de 80 mil dólares pelos danos; caso ocorreu na Flórida (EUA)

24 jun 2024 - 20h39
(atualizado em 25/6/2024 às 00h33)
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Em março deste ano, uma casa da Flórida (EUA) foi atingida por um objeto da ISS. Um mês depois, o item foi confirmado como um lixo espacial que pertencia a um equipamento de suporte de voo, que abrigava baterias na Estação. Agora, a família processs a NASA e pede US$ 80 mil (R$ 434.568) de indenização.

Foto: Jametlene Reskp/Unsplash / Canaltech

O acidente aconteceu no dia 8 de março: o pedaço de lixo espacial atingiu a casa da família Otero e deixou um buraco considerável desde o telhado até o contrapiso. Ninguém se machucou, mas segundo o pai, Alejandro Otero, seu filho Daniel por pouco não foi atingido.

O processo está nas mãos do escritório de advocacia Cranfill Sumner, que fez um comunicado à imprensa para trazer os detalhes da ação. A NASA terá seis meses para responder às reivindicações.

A reclamação inclui perdas por danos materiais não segurados, danos por interrupção de negócios, danos por angústia emocional/mental e custos com assistência de terceiros necessária no processo. A seguradora residencial apresentou reclamação simultânea de danos ao imóvel.

"Os detritos espaciais são um problema real e sério devido ao aumento do tráfego espacial nos últimos anos. Meus clientes estão buscando uma compensação adequada para compensar o estresse e o impacto que este evento teve em suas vidas", afirma a advogada que cuida do caso, Mica Nguyen Worthy.

"Eles estão gratos por ninguém ter sofrido ferimentos físicos devido a este incidente, mas uma situação de 'quase acidente' como esta poderia ter sido catastrófica. Se os destroços tivessem atingido alguns metros em outra direção, poderia ter havido ferimentos graves ou fatalidade", acrescenta, em comunicado.

A advogada também pediu à NASA que considerasse que as pessoas nos EUA não deveriam ter que fazer uma reclamação ao abrigo de uma teoria legal de negligência, quando o governo dos EUA se comprometeu a ser "absolutamente responsável" ao abrigo do direito do tratado internacional por danos a pessoas ou propriedades na superfície da Terra causada por seus objetos espaciais.

"Se o incidente tivesse acontecido no exterior, e alguém em outro país fosse danificado pelos mesmos detritos espaciais como no caso dos Oteros, os EUA teriam sido absolutamente responsáveis pelo pagamento desses danos. Pedimos à NASA que não aplicasse um padrão diferente aos cidadãos ou residentes dos EUA, mas que cuidasse dos Oteros", completa.

O acidente com lixo espacial da ISS

Em março de 2021, a NASA usou o braço robótico da Estação Espacial Internacional para liberar um palete de carga contendo baterias antigas de hidreto de níquel após a entrega e instalação de novas baterias de íons de lítio como parte das atualizações de energia no posto avançado orbital.

A NASA esperava que o material queimasse totalmente durante a entrada na atmosfera da Terra em 8 de março de 2024. No entanto, uma peça sobreviveu à reentrada e impactou a casa em Nápoles, na Flórida. 

Família pede indenização à NASA após lixo espacial atingir sua casa (Imagem: Divulgação/NASA)
Família pede indenização à NASA após lixo espacial atingir sua casa (Imagem: Divulgação/NASA)
Foto: Canaltech

A NASA coletou o item em cooperação com o proprietário e analisou o objeto no Centro Espacial Kennedy da agência, na Flórida. "Como parte da análise, a NASA concluiu uma avaliação das dimensões e características do objeto em comparação com o hardware lançado e realizou uma análise dos materiais. Com base no exame, a agência determinou que os destroços eram um suporte do equipamento de apoio ao voo usado para montar as baterias no palete de carga", diz a agência espacial em nota oficial.

"A NASA continua empenhada em operar de forma responsável e em mitigar o máximo de riscos possível para proteger as pessoas na Terra quando o equipamento espacial tiver de ser libertado", finaliza a nota da agência.

Fonte: NASA, Cranfill Sumner

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