PUBLICIDADE

É vídeo que você quer? Então toma

O Instagram agora prioriza conteúdos em vídeo para dar conta dos novos interesses dos usuários; apesar das reclamações, a mudança parece ser um caminho sem volta

5 ago 2022 - 19h30
(atualizado em 9/8/2022 às 08h51)
Ver comentários
Publicidade

Apesar do título deste texto, não tem nenhum vídeo aqui. Pedimos desculpas. Mas o ponto é que você quer assistir mais vídeo. Pelo menos é essa a justificativa de Adam Mosseri, CEO do Instagram, para explicar as mudanças pelas quais a plataforma está passando.

As mudanças estão sendo sinalizadas desde o ano passado, mas tiveram início oficial apenas em julho de 2022. E podemos resumi-las numa única palavra: vídeo. O Instagram, basicamente, vai focar seus esforços em ser uma plataforma de vídeos.

Os vídeos estão deixando as outras formas de conteúdo para trás
Os vídeos estão deixando as outras formas de conteúdo para trás
Foto: Vitor Pádua/Tecnoblog / Tecnoblog

Quem lê sobre as modificações implementadas - feed em tela cheia, mais vídeos curtos recomendados por algoritmo - certamente vai se lembrar do TikTok, principal concorrente do Instagram. E, de fato, essa parece ser a principal inspiração para esse redesenho da plataforma. O aplicativo da ByteDance colocou a Meta para correr atrás do tempo e dos usuários perdidos.

Não é à toa que as reações dos usuários insatisfeitos apontaram justamente para essa semelhança. Através da hashtag #MakeInstagramInstagramAgain, muitos pediam que a plataforma que não tentasse copiar o TikTok, e voltasse a ser aquilo que era.

Só há um problema: talvez Mosseri & cia. não tenham escolha.

Vídeo + algoritmo é a receita para retenção

A lógica do Instagram era bastante simples no início: você segue as pessoas para ver as fotos que elas postam. O suporte a vídeos acabou sendo liberado, mas ainda se pensava no aplicativo como um espaço dedicado a imagens estáticas. Mas, como acontece com toda rede social, as funcionalidades tiveram que ser repensadas a partir das respostas do público.

Instagram
Instagram
Foto: Vitor Pádua / Tecnoblog / Tecnoblog

Mosseri argumenta que, mesmo sem nenhuma mudança no desenho do Instagram, os usuários já estão compartilhando e interagindo mais com vídeos do que fotos. As modificações que estão sendo testadas dialogam com esse interesse já manifesto por quem usa o aplicativo. Nesse sentido, ignorar a tendência seria o mesmo que alienar a sua audiência. E, com a ameaça do TikTok pairando, não seria inteligente nadar contra a corrente.

O interesse por vídeos salienta que o Instagram agora opera numa lógica de entretenimento, e não tanto de sociabilidade. As pessoas já não usam tanto o feed para interagir com amigos e manter contatos; esse aspecto agora se concentra nas DMs e stories. Os vídeos - de preferência, curtos - se tornaram o ouro do Instagram, o conteúdo que realmente envolve seus usuários. E, combinados com o algoritmo de recomendação, formam a dupla que garante maior retenção.

No fim das contas, é disso que qualquer rede social depende.

"Podcast em vídeo" ainda é podcast?

Com todo o burburinho negativo de parte do público - incluindo aí celebridades como Kylie Jenner e Kim Kardashian -, Mosseri foi obrigado a voltar atrás. Mas não muito. De modo geral, o Instagram vai repensar como vídeos serão integrados à plataforma, não o novo foco em vídeos. Trata-se de uma decisão tomada a partir de dados e, portanto, um caminho sem volta.

Ampliando um pouco o foco, podemos perceber que as fotos do Instagram não são o único tipo de conteúdo que tem sido impactado pelo vídeo. Até poucos anos atrás, a palavra podcast jamais seria associada a nada além de áudio. Hoje, uma série de programas transmitidos pelo Youtube se definem como podcasts. Um formato que se definia pelo ouvir tem sido apropriado pelo audiovisual.

Talvez o exemplo mais conhecido nesse contexto seja o americano Joe Rogan, que sempre apostou no Youtube. Hoje um exclusivo do Spotify, seu podcast - ou "mesacast", termo que vem sendo usado para descrever esse tipo de conteúdo - é o mais ouvido do mundo. No Brasil, nomes como Flow, Podpah e Inteligência Ltda são alguns dos principais exemplos.

Aqui, a lógica é diferente do que acontece no TikTok e Instagram, já que os episódios tendem a ser bem longos. São comuns as entrevistas que ultrapassam as três horas de duração. Ao mesmo tempo, criam-se os cortes, partículas do conteúdo maior que ultrapassam o YouTube e viralizam inclusive em outras redes. Esses programas ainda estão disponíveis apenas em áudio no seu player favorito, mas sem dúvidas o vídeo se tornou o aspecto mais importante deles.

E, assim como o Instagram procura responder ao aumento no consumo de vídeo, o Spotify tenta o mesmo. A plataforma agora aceita também o envio de vídeos através do Anchor, seu serviço para distribuição de podcasts. O resultado é um player que te permite ouvir só o áudio ou, caso você prefira ir além, assistir ao podcast em questão (por mais estranho que isso soe). A empresa sueca tenta correr atrás do Youtube, assim como Instagram está no encalço do TikTok.

O Spotify quer que você "assista" podcasts
O Spotify quer que você "assista" podcasts
Foto: Vitor Pádua/Tecnoblog / Tecnoblog

O vídeo tomou conta de tudo.

O que você acha da demanda por conteúdos em vídeo?

No Tecnocast 253, discutimos as mudanças pelas quais o Instagram está passando, o que é orgânico e o que parece estar sendo forçado pela plataforma, e também tentamos entender se podcast em vídeo ainda é podcast (spoiler: não é).



ASSINE | Você pode ouvir o Tecnocast no Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts, Pocket Casts, Castbox, Overcast ou no seu player favorito.

É vídeo que você quer? Então toma

Tecnoblog
Publicidade
Publicidade