Pesquisadores recuperam população de ostras na costa dos EUA
Após décadas de extração predatória de ostras na baía de Chesapeake e muitos esforços infrutíferos de repovoá-la, cientistas conseguiram formar novamente uma população significativa dos moluscos na costa da Virgínia.
Pesquisadores do Instituto de Ciência Marinha da Virgínia, do College of William & Mary, afirmam que grandes recifes experimentais criados há cinco anos agora são o lar de mais de 180 milhões de ostras nativas.
Isso ainda está longe da população existente no final dos anos 1880, quando a baía tinha bilhões de ostras Crassostrea virginica, e barqueiros coletavam cerca de 25 milhões de alqueires anualmente. Mesmo assim, mais larvas têm se fixado nos novos recifes todos os anos, segundo os pesquisadores.
Os resultados sugerem que existe um potencial para recuperar ainda mais a baía por meio da criação de recifes adicionais onde a coleta é proibida. "O que precisamos é de milhares de acres de abrigos de recifes em constante restauração para mudar a situação da ostra", disse David M. Schulte, doutorando do instituto e autor do artigo na Science da semana passada que descreve o trabalho.
Os santuários vão auxiliar a produção de ostras semeando as áreas próximas, mas o esforço total vai beneficiar a baía de outras maneiras, contribuindo para a limpeza da água e fornecendo mais habitats para peixes, caranguejos e outras formas de vida marinha.
Schulte disse que, ao iniciar o experimento, a expectativa era de uma taxa de sobrevivência de apenas 10% entre as ostras jovens nos recifes próximos à foz do rio Grande Wicomico, a sul do rio Potomac. Ao longo da baía, uma alta mortalidade associada a doenças e pesca predatória havia reduzido a população para cerca de 1% dos níveis do século 19.
A colheita atual está em menos de 200 mil alqueires por ano e a situação se tornou tão terrível que existe uma elaborada proposta para introduzir a ostra asiática C. ariakensis como alternativa.
Entretanto, Schulte disse que no primeiro ano do estudo houve uma taxa de sobrevivência de quase 30% nos recifes. "Fiquei realmente surpreso", conta. "Foi o que ajudou esse projeto a se tornar o que ele é." "Esperamos que a população no Grande Wicomico esteja estável", acrescentou.
Uma autoridade de pesca da Virgínia disse estar otimista com o funcionamento da técnica de recuperação, mas que os próximos anos serão fundamentais.
"A pergunta que paira no ar é se o que observamos é apenas um efeito de curto prazo ou uma recuperação de longo prazo", disse Jack Travelstead, chefe da divisão de gestão pesqueira da Comissão de Recursos Marinhos da Virgínia. "Números enormes de ostras prosperam na área, mas as doenças ainda estão presentes."
Segundo ele, em 1996, houve uma desova muito boa no mesmo rio, mas as ostras acabaram morrendo por doenças enquanto cresciam. "Estamos um pouco preocupados em ter a mesma experiência aqui", disse.
A chave para o sucesso dos novos recifes, disse Schulte, é sua altura e extensão. Os recifes, que o Corpo de Engenheiros do Exército americano criou através do despejo de conchas de ostra, têm entre 25 cm e 46 cm de altura e cobrem mais de 32 hectares, com o maior medindo quase 8 hectares.
Nas tentativas de recuperação anteriores, a maioria dos recifes era mais baixa, fazendo com que as ostras precisassem lidar com o movimento de sedimento. Ostras filtram a água para se alimentar e expelir sedimentos despende energia que podia ser usada para crescimento, além de torná-las mais suscetíveis a doenças. Manter as conchas mais altas na coluna de água - elas tendem a crescer no topo do recife, em grandes camadas ¿ parece mantê-las mais saudáveis.
A maior parte dos recifes anteriores também era menor, normalmente com 0,4 hectare de tamanho. Travelstead disse que a nova iniciativa mostrou que se trata de "não apenas construí-lo mais alto, mas mais amplo e inundá-lo com reprodutores saudáveis que mostrem sinais de resistência a doenças."
"Essa é a primeira tentativa de alterar a escala", disse. "Mas escala significa dinheiro, algo difícil de encontrar hoje em dia."Scott McGuire, voluntário da Associação de Conservação Costeira de Maryland, um grupo de pesca esportiva, disse que sua organização apoia a criação de mais santuários como os citados no estudo.
"Esse tipo de pesquisa é o que temos buscado por um longo tempo", disse. Ostras, explicou, são espécies fundamentais na baía. "Elas filtram a água e fornecem todo tipo de nicho ecológico para outros organismos. E criam muitos habitats ótimos para peixes."
Ken Smith, presidente da Associação de Barqueiros da Vigínia, disse que não se surpreende com os resultados do estudo. Segundo ele, os barqueiros têm colocado ostras em gaiolas e as cultivado no fundo do mar, "e temos conseguido os mesmos resultados dos cientistas".
Smith disse que seu grupo também apoiará mais santuários se eles contribuírem com a saúde da baía e, indiretamente, com o meio de vida dos barqueiros. A colheita de ostras costumava ser sua fonte de renda primária, ele disse, "mas por 20 anos, ela esteve morta".
Tradução: Amy Traduções