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Paleontólogos querem descobrir como era o sexo dos dinossauros

Muitos mistérios envolvem os dinossauros, e como eles faziam sexo é um dos maiores. Cloaca, pênis ou outra maneira? É o que buscam os paleontólogos

5 jul 2022 - 16h23
(atualizado às 22h58)
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O mistério sobre como os dinossauros faziam sexo é um dos maiores relacionados aos antigos lagartões que já dominaram o nosso planeta. Seu parentesco com as aves nos dá algumas pistas sobre como poderiam ter feito para se reproduzir, talvez se utilizando de cloacas, mas a escassez fóssil deixa essa confirmação complicada. Será possível que alguns deles tivessem pênis? Não sabemos.

Circundando o assunto, os paleontólogos têm feito um trabalho de detetive para descobrir detalhes como esses da vida dos animais extintos, descobrindo coisas incríveis que ninguém imaginava há algumas décadas: recentemente, aprendemos a identificar quais dinos tinham sangue quente ou sangue frio, quais cores muitos deles traziam e quais tinham ou não penas e penugens.

Foto: engin akyurt/Unsplash / Canaltech

Pistas sexuais

Entre os locais que ajudam a pesquisa fornecendo fósseis aos pesquisadores, há o Fosso de Messel, na Alemanha, que preservou muita flora e fauna: durante o Eoceno (36 a 57 milhões de anos atrás), ele foi uma cratera vulcânica cheia de água e cercada por uma floresta subtropical. Teoriza-se que o dióxido de carbono liberado pela cratera, ainda ativa após a formação do poço, tenha matado e preservado muito da vida que passava por ali.

No sítio, já foram encontrados fósseis de pequenos cavalos do tamanho de raposas, formigas gigantes, os primeiros primatas do planeta e animais de estômago cheio, como um besouro dentro de um lagarto dentro de uma cobra. O mais importante para o nosso tema, no entanto, são 9 casais de tartarugas de água doce preservados durante o ato — com as caudas se tocando e tudo.

As tartarugas não se fossilizaram uma em cima da outra, como no ato sexual, mas sim de costas uma para a outra. Os cientistas dizem que elas podem ter se separado durante a morte ou depois dela, mas ficaram ligadas pela cloaca do macho. Isso é importante porque pode fornecer um paralelo para outro achado: dois tiranossauros encontrados próximos em um lago na China, em Yixian — em posição semelhante à das tartarugas, mas com suas caudas sobrepostas.

Embora seja apenas uma única e parca evidência, deixando a teoria ainda especulativa e a mantendo ainda sem publicação, ela é uma das pistas à sexualidade dos dinossauros. A ausência de fósseis com órgãos como o pênis deixa tudo no campo da hipótese. O que temos, sim, são fósseis como o de um incrível psitacossauro muito bem preservado, que traz uma amostra perfeita da cloaca.

Com isso, conseguimos descobrir como era o órgão, que, nos pássaros, é multiuso, servindo para urinar, defecar, procriar e botar ovos. Nos dinos, no entanto, a falta dos tecidos moles ainda não nos deixa saber se eles a usavam para a reprodução. Os cientistas acreditam que um pênis ainda tenha existido no animal, mas há outro aspecto importante da descoberta: a pigmentação.

A cloca do psitacossauro preservado contém melanina, mas não em volta da abertura do órgão — como em muitos animais e até em humanos, já que a substância protege contra infecções —, mas imediatamente do lado de fora. Isso indica que o papel do pigmento era, provavelmente, o de atrair parceiros sexuais, com os babuínos fazem. O curioso é que os pássaros atuais não costumam fazer isso, já que as cloacas são cobertas pela penas.

Outro caso curioso é o de um alossauro que teve seu fóssil encontrado em 1999. Nele, vemos evidências de uma perfuração, infecção e abcesso que provavelmente o matou, bem na região do osso púbico. Os paleontólogos acreditam que a ferida tenha sido causada pelos espinhos de um estegossauro, que teria acertado o outro dino bem onde você está pensando: nos genitais. Quais eram? Esse é o mistério que fica.

Sedução animal

O dimorfismo sexual, quando espécies têm machos e fêmeas diferentes, aparentemente acontece nos dinossauros, já que encontramos diferenças em alguns fósseis. Como dificilmente a mesma espécie de animal tenha estilos de vida e estratégias de sobrevivência diferentes, mudanças no corpo geralmente representam algo utilizado para chamar a atenção do outro sexo.

O problema é que não há como saber o sexo dos dinossauros, já que os restos fósseis não apresentam características preservadas o suficiente para conseguirmos diferenciá-los. Às vezes, espécimes fossilizados com algumas diferenças podem representar espécies diferentes ao invés de sexos diferentes. Simplesmente não há como sabermos, em alguns casos.

Mas há outras pistas, como características só apresentadas por adultos, e não por filhotes: a juba dos leões é um exemplo disso, e a ciência acredita que sua existência nos mais velhos sirva para sinalizar a maturidade sexual e aptidão para acasalar. Algumas discussões assolam certas espécies de dinossauro.

O torossauro, por exemplo, é tão parecido com o tricerátops (sendo apenas uma versão maior dele) que alguns especialistas creem se tratar da mesma espécie em estágios de desenvolvimento diferentes, embora ainda possam ser espécies distintas. Como podemos ver, os debates envolvendo sexo, dinossauros e suas diferenças fisiológicas é grande, e não parece estar perto do fim.

Até mesmo em pássaros, que podemos ver na natureza atualmente, é difícil prever qual comportamento será realizado no cortejo de parceiros: as aves-do-paraíso, por exemplo, variam bastante suas exibições com base na espécie da qual estamos falando. Com a velocidade em que a pesquisa sobre os dinos vem sendo feita, no entanto, quem sabe daqui a uma década não tenhamos detalhes surpreendentes sobre a vida sexual dos dinossauros? O tempo dirá.

Fonte: BBC

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