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Estudo mostra como a microgravidade afeta a postura dos astronautas

Para evitar os danos, os pesquisadores sugerem atividades físicas voltadas para determinados músculos, junto de cordas para maior resistência nos exercícios

22 jul 2022 - 14h45
(atualizado às 16h18)
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Uma equipe de pesquisadores liderada pelo Dr. Yoshinobu Ohira, da Universidade de Doshisha, investigou os efeitos da microgravidade nos músculos e nervos dos astronautas durante períodos prolongados no espaço — eles focaram especialmente nos danos dos músculos esqueléticos, um dos efeitos menos estudados. Além disso, eles apresentaram também sugestões que podem ter impactos significativos após astronautas retornarem para a Terra.

Os músculos esqueléticos estudados ficam nos quadris, costas e pescoço, e entre suas várias funções está a manutenção da postura: se não fosse por este grupo de músculos, talvez fosse bem difícil ficar de pé ou até caminhar, em função da gravidade terrestre. São eles que nos permitem movimentos contra a gravidade, o que nos deixa com a seguinte pergunta: o que acontece com os músculos esqueléticos sem uma força gravitacional para "combater"?

Foto: NASA/Roscosmos / Canaltech

Para tentar entender isso, a equipe avaliou as propriedades neuromusculares dos músculos sóleo e adutor longo, junto de seus gânglios dorsais. Esses músculos ficam nas panturrilhas e na parte interna da coxa, respectivamente, e nos ajudam na manutenção da postura ereta na gravidade — só que, na microgravidade, eles não têm contra o que trabalhar, e acabam com suas fibras e nervos gradualmente atrofiados.

Assim, eles investigaram como as propriedades morfológicas, funcionais e metabólicas do sistema neuromuscular respondem em ambientes de microgravidade e gravidade reduzida. No fim, a análise mostrou que a atividade neural (aquela relacionada aos sinais transmitidos dos músculos esqueléticos ao sistema nervoso central, durante atividades de estímulo muscular) têm papel essencial para regular as propriedades musculares e atividade cerebral.

Os resultados dos pesquisadores sugerem que a exposição a ambientes de baixa gravidade afeta os músculos e nervos, levando à deterioração do controle motor. A conclusão condiz com sintomas relatados por astronautas que voltaram da Estação Espacial Internacional, que tiveram dificuldades para andar mesmo realizando exercícios físicos regularmente a bordo da estação. A pesquisa mostrou ainda que, se os astronautas forem expostos à microgravidade por seis meses ou mais, pode haver efeitos adicionais.

Por fim, a análise dos autores indica que as medidas existentes para combater estes efeitos são inadequadas, e sugerem algumas possíveis soluções: para começar, eles recomendam o estímulo do músculo sóleo durante exercícios como corridas ou caminhadas em esteiras. Além disso, atividades físicas com cordas que aumentam a resistência do exercício e alongamentos periódicos deste músculo parecem capazes de reduzir o risco de atrofia. Assim, a pesquisa pode ter papel importante para desenvolver medidas para futuras missões espaciais de longa duração.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Neuroscience & Behavioral Reviews.

Fonte: Neuroscience & Behavioral Reviews; Via: Doshisha University

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