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DNA mais antigo do mundo revela ecossistema incrível perdido na Groenlândia

Mastodontes, lebres, renas e muito mais: há 2 milhões de anos, o Ártico já foi verde e teve ecossistema diverso. É o que o DNA mais antigo do mundo revelou

7 dez 2022 - 22h46
(atualizado em 8/12/2022 às 11h37)
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O DNA mais antigo do mundo, encontrado no Ártico e ostentando incríveis 2 milhões de anos, revelou aos cientistas diversos segredos do ecossistema da antiga Groenlândia: foi necessário desenvolver novas tecnologias apenas para conseguir extrair o que sobrou dos genes dos micróbios, plantas e animais de um mundo há muito esquecido.

Recuperadas em meio a sedimentos congelados na Formação Kap København, do norte da Groenlândia, as 41 amostras de DNA estavam a 100 metros da superfície, sendo caracterizadas como DNA ambiental, que pertenceu às criaturas da região, preservadas pelo gelo e permafrost. Anteriormente, a amostra mais antiga era de um mamute de 1,2 milhão de anos, encontrada na Sibéria em 2021.

Foto: Thomas Quine/CC-BY-2.0 / Canaltech

Tecnologia, DNA e surpresas

Na verdade, o DNA já havia sido encontrado em 2006, mas não havia como estudá-lo na época. Agora, em artigo publicado no periódico científico Nature, pesquisadores puderam isolar e analisar as amostras e compará-las a outros genomas para descobrir mais sobre os seres vivos congelados: foram identificados pássaros, lebres, renas e — surpreendentemente — mastodontes, que não haviam sido vistos tão a norte antes.

A dificuldade de análise dos fragmentos genéticos era imensa, já que sua idade deixou apenas poucos milionésimos de milímetro para serem estudados. Antes de começar os trabalhos, então, os cientistas simplesmente esperaram por novos métodos de extração e sequenciamento de DNA, evitando danificar as amostras mais do que já estavam deterioradas.

Além dos animais, também se descobriram árvores, bactérias e fungos da época: nem todo o DNA achado pôde ser encaixado em espécies existentes, o que pode apontar para novas formas de vida desconhecidas. Dos identificados, quase todos puderam ser traçados até o gênero correto, no mínimo. A camada de sedimentos removida foi se acumulando por 20.000 anos há 2 milhões de anos, quando o local era de 10 °C a 17 °C mais quente do que é hoje.

Isso demonstra que ecossistemas inteiros podem ser demolidos ou reforçados por conta das mudanças climáticas: mais espécies conseguem evoluir e se adaptar a condições selvagens de temperatura do que se pensava, segundo a pesquisa. As criaturas precisam, no entanto, de tempo para se adaptar. No caso das mudanças climáticas causadas por nós, humanos, a velocidade é muito maior, o que dá uma janela mais curta de adaptação aos seres vivos.

O achado e os métodos dão aos cientistas esperanças de encontrar amostras genéticas tão antigas quanto estas ou até mais velhas, esperando para que os cientistas as recuperem. Dessa forma, segundo os pesquisadores, poderemos descobrir informações importantes sobre a origem de diversas espécies, eventualmente até mesmo da nossa, a Homo sapiens, e seus ancestrais.

Fonte: Nature

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