Primeiros minutos salvam vidas: o que fazer em casos de engasgo e desmaio em casa

Em situações de emergência dentro de casa, como engasgo e desmaio, os primeiros minutos costumam definir o desfecho do atendimento. Saiba o que fazer em casos assim.

24 mai 2026 - 11h42

Em situações de emergência dentro de casa, como engasgo e desmaio, os primeiros minutos costumam definir o desfecho do atendimento. Protocolos de suporte básico de vida, que órgãos como Organização Mundial da Saúde (OMS), American Heart Association (AHA) e diretrizes do Ministério da Saúde adotam, descrevem passos simples que leigos podem executar com segurança. Por isso, a informação correta ajuda a reduzir o pânico e evita práticas perigosas que ainda circulam em conversas diárias e redes sociais.

O engasgo grave, em especial, exige atuação rápida para manter a oxigenação até que o serviço médico chegue. Por sua vez, o desmaio nem sempre indica uma situação crítica, mas pode esconder alterações cardíacas, neurológicas ou queda brusca de pressão. Em ambos os casos, protocolos padronizados orientam a reconhecer sinais de alarme, acionar o socorro e realizar ações simples, porém decisivas. Entre elas, a Manobra de Heimlich e o posicionamento correto da pessoa desacordada.

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O engasgo grave, em especial, exige atuação rápida para manter a oxigenação até que o serviço médico chegue – depositphotos.com / rdrgraphe
O engasgo grave, em especial, exige atuação rápida para manter a oxigenação até que o serviço médico chegue – depositphotos.com / rdrgraphe
Foto: Giro 10

Manobra de Heimlich: o que é e quando usar em casos de engasgo?

A Manobra de Heimlich é uma técnica de desobstrução das vias aéreas que se recomenda para engasgo grave em adultos e crianças maiores de 1 ano que ainda estejam conscientes. Assim, as diretrizes internacionais descrevem o engasgo grave quando a pessoa não consegue falar, emitir som, tossir de forma eficaz ou respirar, podendo levar as mãos ao pescoço, sinal clássico de sufocação. Nessa fase, o tempo de resposta é curto.

Antes de iniciar a manobra, os protocolos reforçam alguns pontos. São eles: confirmar se há engasgo verdadeiro (obstrução por alimento ou objeto) e não apenas tosse comum; incentivar a tosse forte, se ainda for possível; e acionar o serviço de emergência o quanto antes. Em especial, se a vítima começar a ficar arroxeada ou muito sonolenta. Apenas quando a tosse não é eficaz e há comprometimento da respiração é que se indica a sequência de golpes nas costas e compressões abdominais.

Como realizar corretamente a Manobra de Heimlich em adultos?

Nos adultos conscientes, a técnica combina golpes na região das escápulas (costas) e compressões no abdômen para gerar pressão interna e expulsar o corpo estranho. Assim, as orientações gerais seguem um padrão semelhante nos principais protocolos:

  1. Avaliação rápida: confirmar que a pessoa está engasgada, não consegue falar nem respirar adequadamente e apresenta sinais de sufocação.
  2. Posicionamento inicial: ficar em pé ao lado e um pouco atrás da vítima, mantendo apoio firme para evitar quedas.
  3. Golpes nas costas: inclinar o tronco da pessoa levemente para frente e aplicar até 5 pancadas firmes com a base da mão entre as omoplatas, direcionando o movimento para frente e para cima.
  4. Compressões abdominais (Manobra de Heimlich): se a obstrução persistir, posicionar-se atrás da vítima, passar os braços em volta da cintura, fechar uma mão em punho e colocá-la entre o umbigo e a parte inferior do esterno (osso do peito). Com a outra mão apoiada sobre o punho, realizar compressões rápidas para dentro e para cima.
  5. Repetição e monitoramento: alternar golpes nas costas e compressões abdominais até a saída do objeto ou até a vítima perder a consciência, momento em que o protocolo passa a ser de reanimação cardiopulmonar, seguindo orientações de suporte básico de vida.

Os documentos oficiais reforçam cuidados importantes: nunca tentar retirar o objeto às cegas com os dedos dentro da boca, para não empurrá-lo ainda mais; não aplicar compressões abdominais em gestantes avançadas ou pessoas muito obesas, substituindo-as por compressões na região torácica; e interromper a manobra assim que a vítima voltar a respirar e tossir de forma eficaz.

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Heimlich em crianças: quais adaptações são necessárias?

Em crianças maiores de 1 ano, o engasgo também é uma urgência. Porém, a Manobra de Heimlich e os golpes nas costas precisam ser adaptados ao tamanho e à fragilidade da estrutura óssea e dos órgãos. Portanto, as diretrizes de suporte básico de vida pediátrico orientam o seguinte:

  • Para crianças pequenas em pé: o socorrista ajoelha-se atrás da criança para ficar na mesma altura; aplica até 5 golpes firmes nas costas, entre as escápulas, com o tronco ligeiramente inclinado para frente.
  • Compressões abdominais: se os golpes nas costas não resolverem, posicionar o punho fechado entre o umbigo e o osso do peito, com cuidado para não comprimir as costelas, e realizar compressões mais suaves e controladas do que em adultos.
  • Criança no colo: em algumas situações, a criança pode ser posicionada de bruços no antebraço, com a cabeça um pouco abaixo do tronco, para os golpes nas costas, sempre apoiando firmemente o pescoço e a cabeça.

Em bebês menores de 1 ano, as recomendações são diferentes e exigem combinações de golpes nas costas e compressões torácicas, sem uso de compressão abdominal. Por esse motivo, os materiais de treinamento em primeiros socorros insistem na importância de aprender as técnicas específicas para cada faixa etária, evitando improvisos que possam causar lesões internas ou não resolver a obstrução.

Desmaio em casa: o que fazer imediatamente para proteger a vítima?

O desmaio, ou síncope, ocorre quando há redução temporária do fluxo sanguíneo para o cérebro, levando à perda rápida de consciência. As causas vão de quedas de pressão e desidratação a arritmias e outros problemas cardíacos mais complexos. Assim, protocolos de suporte básico de vida orientam a avaliar primeiro a segurança do ambiente, aproximar-se com calma e verificar se a pessoa responde a estímulos verbais ou táteis leves.

Se a pessoa estiver desacordada, mas respirar normalmente, as medidas iniciais geralmente incluem:

  1. Posição supina: deitar a vítima de costas em uma superfície firme e plana.
  2. Elevação dos membros inferiores: elevar as pernas cerca de 30 a 45 centímetros, apoiando-as em cadeira, almofadas ou outro objeto estável, para favorecer o retorno do sangue ao cérebro, exceto se houver suspeita de trauma, dor intensa ou contraindicação conhecida.
  3. Manutenção das vias aéreas desimpedidas: afrouxar roupas apertadas ao redor do pescoço, posicionar levemente a cabeça para o lado se houver risco de vômito e observar se a respiração se mantém regular.

Nos casos em que há suspeita de queda com possível traumatismo, dor no peito, dificuldade para respirar, convulsões, histórico cardíaco importante ou desmaio prolongado, as orientações oficiais são claras. Ou seja, o serviço de emergência deve ser chamado de imediato. Afinal, a monitorização da resposta da vítima, anotando horário do evento e sinais observados, auxilia a equipe médica na avaliação posterior.

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Nos adultos conscientes, a técnica combina golpes na região das escápulas (costas) e compressões no abdômen para gerar pressão interna e expulsar o corpo estranho – depositphotos.com / AllaSerebrina
Foto: Giro 10

Quais mitos sobre engasgo e desmaio precisam ser evitados?

Ainda são comuns práticas que contrariam protocolos de suporte básico de vida e podem agravar o quadro da vítima. Entre os mitos mais citados em materiais educativos oficiais, destacam-se:

  • Oferecer álcool, perfumes ou amônia para a pessoa desmaiada: substâncias voláteis não aceleram a recuperação e podem irritar as vias aéreas, provocar broncoespasmo e atrasar o atendimento adequado.
  • Sacudir com força ou dar tapas no rosto: movimentos bruscos aumentam o risco de trauma na coluna cervical e não contribuem para restabelecer a consciência.
  • Colocar líquidos ou alimentos na boca de quem está desacordado: essa prática facilita aspiração para as vias aéreas, podendo causar engasgo, pneumonia aspirativa e parada respiratória.
  • Virar a pessoa engasgada de cabeça para baixo ou pendurá-la: essa manobra improvisada não é descrita em protocolos oficiais e pode piorar a obstrução ou provocar quedas.
  • Enfiar os dedos ou objetos na garganta para "puxar" o alimento: aumenta o risco de empurrar ainda mais o corpo estranho, além de provocar lesões na mucosa oral.

Materiais educativos de órgãos de saúde reforçam que o cidadão comum não precisa improvisar para ajudar. Assim, o foco é reconhecer rapidamente sinais de perigo, aplicar técnicas padronizadas como a Manobra de Heimlich em engasgos graves, adotar postura adequada em desmaios, manter as vias aéreas livres e acionar o socorro profissional o mais cedo possível. A combinação de informação de qualidade e atitude calma aumenta as chances de um atendimento seguro até a chegada da equipe especializada.

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