Especialista explica quais são os sinais de exagero e como preservar a identidade facial nos procedimentos estéticos
A busca por uma aparência mais jovem e harmoniosa tem levado cada vez mais pessoas aos consultórios de estética facial. No entanto, junto com a popularização dos procedimentos, principalmente a harmonização facial, cresce também uma preocupação: como evitar exageros e garantir resultados naturais, que respeitem a identidade de cada rosto?
Quando a harmonização facial ultrapassa os limites?
Segundo o biomédico Dieick de Sá, especialista em estética facial, autor da técnica Firm Skin e fundador da clínica The Clinic, o principal sinal de que um ou mais procedimentos ultrapassaram o limite é quando o resultado se torna evidente demais pelo motivo errado. "Quando uma pessoa leiga consegue identificar exatamente o que foi realizado, como lábios muito volumosos, mandíbula excessivamente marcada, queixo projetado ou olheiras super preenchidas, é porque já passou do ponto. O ideal é que as pessoas percebam que houve uma mudança, que você está melhor, mais bonita, mais descansada, mas sem conseguir identificar exatamente qual procedimento foi feito", explica.
Além de comprometer a naturalidade, o excesso de procedimentos pode provocar um efeito contrário ao desejado: o envelhecimento precoce. "Durante muito tempo, os procedimentos injetáveis estiveram associados a pessoas mais velhas. Quando alguém jovem exagera nas projeções e volumes, acaba adquirindo traços que remetem a uma idade maior. Sem falar que o tecido fica inflado e, com o tempo, quando o produto perde volume, pode surgir flacidez nas áreas tratadas", alerta o especialista.
Respeite a individualidade
Outro fenômeno cada vez mais observado é a chamada padronização facial. De acordo com Dieick, isso acontece quando técnicas são reproduzidas sem respeitar a individualidade facial. "O ácido hialurônico, por exemplo, atrai água continuamente. Quando não há controle ou remoção de excessos, as áreas acabam ficando arredondadas, as maçãs do rosto perdem definição e a mandíbula deixa de ter o contorno esperado", reitera.
Apesar disso, o biomédico reforça que o ácido hialurônico não é um vilão. "Ele tem um papel importante no preenchimento, sustentação e reposicionamento dos tecidos. O problema está no uso indiscriminado. A estética facial saudável começa com prevenção, ou seja, bioestimulação, melhora da qualidade da pele, estímulo de colágeno e firmeza. Muitas vezes, o resultado mais bonito vem de tratar a pele e a estrutura, e não de acrescentar volume".
Aposte em um resultado natural com a harmonização facial
Para alcançar um resultado natural, Dieick destaca que o planejamento é fundamental. "Cada rosto tem uma estrutura óssea, compartimentos de gordura e proporções diferentes. Não existe um padrão único de beleza. O objetivo deve ser sempre construir a melhor versão daquele paciente, respeitando suas medidas e características, e nunca tentar reproduzir o rosto de outra pessoa", diz.
O especialista ainda chama atenção para a importância da ética profissional. "O profissional responsável é aquele que sabe dizer não. Muitas vezes, negar um procedimento é um ato de cuidado. A harmonização facial bem feita é aquela que preserva a identidade, valoriza os traços naturais e envelhece junto com o paciente de forma saudável", conclui.