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O que você precisa saber antes de fechar sua varanda com vidro

Cada vez mais comum nos apartamentos novos, fechar a varanda com vidro é uma solução prática, mas exige uma série de cuidados. Confira nosso guia

28 jun 2022 - 19h31
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Por Nádia Kaku

Projeto de Studio A+G Arquitetura
Projeto de Studio A+G Arquitetura
Foto: Produção Visual: A+G arquitetura/Fotos: Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/Casa.com.br / Casa.com

Nos últimos anos, a varanda tem ganhado protagonismo nas plantas dos apartamentos não só pelas metragens cada vez maiores, como também pela versatilidade do seu uso.

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"Como muitas vezes há uma churrasqueira, a opção mais comum dos clientes é criar um espaço gourmet. Mas tem muita gente que instala ali o home office ou ainda integra com a sala para ampliar a área social", enumera o arquiteto Neto Porpino.

Projeto de PB Arquitetura
Foto: Henrique Ribeiro/Casa.com.br / Casa.com

Dependendo do layout do imóvel, é possível uni-la até com a cozinha e transformá-la em sala de jantar, retirando ou não a esquadria original.

Para aproveitar melhor esses metros quadrados, o fechamento da varanda com vidro é uma prática recorrente. Além de valorizar a vista e aumentar o valor do imóvel, também evita o acúmulo de poeira - principalmente em prédios localizados em avenidas movimentadas -, e ajuda a isolar o ambiente dos barulhos da rua e vice-versa.

"É uma ótima opção tanto para quem tem vizinhos barulhentos quanto para quem é o vizinho barulhento", explica Katia Regina de Almeida Ferreira, gerente comercial da Construção Vidros. Para quem possui animais ou crianças, é recomendável utilizar redes de proteção além do vidro.

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Mas atenção: o fechamento precisa atender a uma série de normas do condomínio, dos fabricantes e também precisa de uma ART ou RRT (documentos que comprovam que o projeto foi desenvolvido por profissionais habilitados), que pode ser emitida por um arquiteto, engenheiro ou até mesmo pela empresa que está fornecendo o serviço.

Passo a passo: como fechar a varanda de apartamento com vidro

Na varanda do apartamento de Flávia Lauzana, o painel de madeira esconde a condensadora do ar-condicionado. No piso, o deck corrige o desnível. Projeto de Flavia Lauzana. Projeto de Flavia Lauzana
Foto: Loft/Mariana Orsi/Reprodução / Casa.com

"O primeiro passo é sempre consultar o Regimento do Condomínio, pois as empresas que fornecem o serviço de envidraçamento seguem o padrão estipulado e aprovado em assembleia", explica Kátia. É ali onde vão estar as especificações que o morador precisa seguir, como quantidade de folhas e tipos de vidro, espessura, largura e forma de abertura.

"A aprovação desses itens deve ser feita por meio de uma assembleia geral específica de condomínio, para que a fachada fique praticamente padronizada, sem afetar as características arquitetônicas do prédio", explica José Roberto Graiche Junior, presidente da AABIC - Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo.

Itens que podem alterar o exterior precisam ser consultados, como o modelo e o material da cortina e a cor da rede de proteção. O cuidado também vale para as modificações internas da varanda, que precisam seguir regras mesmo depois de envidraçadas: cor da parede, objetos pendentes (como plantas e redes) e mudança de piso podem ser vetados.

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"Caso as especificações não sejam seguidas, o condomínio pode entrar com uma medida judicial, pedir a suspensão da obra e até desfazer o que já foi instalado", alerta José.

Retirar as paredes e integrar a varanda à área social, nivelando o piso, também é algo que precisa ser estudado caso a caso.

"Não há um consenso geral sobre trocar portas e janelas de lugar ou retirar paredes. Isso varia de acordo com o prédio. Antes de mudar qualquer divisória, é preciso consultar as regras do condomínio e verificar a planta estrutural do apartamento para ver onde estão as vigas e as colunas", explica a arquiteta Pati Cillo.

Se o imóvel for antigo e não possuir o desenho do projeto estrutural atualizado, é necessário contratar um engenheiro para avaliar a construção e emitir um laudo técnico.

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Outro ponto a se atentar é em relação ao ar condicionado. "Caso o espaço a ser fechado com vidro for acomodar a condensadora, é necessário obedecer às recomendações do fabricante, devido à circulação de ar", alerta Neto. Vale lembrar que não é todo prédio que permite que o equipamento fique na varanda.

Instalação e modelos

No apartamento projetado por Cristiane Schiavoni, além do vidro, redes de proteção foram instaladas para proteger os dois gatinhos da família. Projeto de Cristiane Schiavoni
Foto: Loft/Guilherme Pucci/Reprodução / Casa.com

Existem vários tipos de modelos de fechamento, mas o mais adotado em prédios é o retrátil, também conhecido como cortinas de vidro ou fechamento europeu - aqui, painéis de vidro alinhados são instalados diretamente num trilho único.

Ao abrir, cada folha gira em ângulo de 90 graus, todas correm sobre o trilho e podem ser alinhadas na lateral do vão. "Esse modelo representa cerca de 90% dos envidraçamentos atuais, só os prédios mais antigos ainda utilizam o sistema fixo e corre, como se fosse uma janelão", explica Kátia.

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Foto: Tua Casa/Reprodução / Casa.com

"Em São Paulo, conforme a ABNT NBR 16259 (Norma de Envidraçamento de Sacadas), para edifícios acima de três andares só é seguro utilizar vidro temperado, as espessuras podem ser de 6 a 18 mm", explica Rodrigo Belarmino, CEO da Solid Systems.

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Esse modelo evita estilhaçamento no caso de quebra por conta de impactos e resiste a ventos de até 350 km/h. "Geralmente, os andares mais baixos utilizam vidro de 10 mm e os andares mais altos de 12 mm", diferencia Kátia.

"Uma opção que faz o maior sucesso é o sistema de envidraçamento de sacadas automatizado, no qual os vidros se recolhem automaticamente, acionado por controle remoto, celular, automação ou comando de voz", detalha Rodrigo.

Projeto de Livia Amendola
Foto: Produção visual: Estudio Cabe/Fotos: Raiana Medina/Casa.com.br / Casa.com

Essa alternativa, no entanto, precisa vir de fábrica, ou seja, não é possível automatizar um sistema já executado. "Em relação a valores, depende muito da quantidade de vidros automatizada. Hoje, é muito comum as varandas possuírem um sistema misto, no qual somente um ou dois vãos - aqueles que o cliente abre mais - são automatizados e o restante continua abrindo manualmente", completa Rodrigo.

Quanto às cortinas, uma opção que é geralmente oferecida aos moradores é a escolha do percentual de visibilidade: 1%, 3% ou 5%. "Quanto menor o percentual, mais fechada é a cortina. Ao mesmo tempo que impede a passagem do calor e da luz, dificulta a visão para fora", explica Neto.

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Com todas essas informações em mãos, o morador pode contratar o fornecedor que preferir. "O condomínio não pode exigir uma empresa específica para fazer o serviço", diz José. Caso o imóvel troque de proprietário, o síndico ou a administradora precisa enviar uma minuta da ata que foi aprovada pelo condomínio com todas as informações para o novo condômino.

Vedação

No projeto assinado por Sabrina Salles, a varanda fechada com vidro foi integrada à área social do apartamento e agora faz parte do living. Projeto de Sabrina Salles
Foto: Loft/Julia Herman/Reprodução / Casa.com

Quanto à chuva, é necessário um esclarecimento: nenhum sistema oferece 100% de vedação. "A flambagem ou encurvadura é um fenômeno que acontece porque o vidro é uma peça esbelta e flexível e, quando submetido à pressão do vento durante uma tempestade, tende a flexionar o vidro e pode criar algumas frestas. Dessa forma, não é possível garantir 100% de estanque", esclarece Kátia.

O passo a passo para fechar sua varanda com vidro:

Projeto de CM Arquitetura
Foto: Fellipe Lima/Casa.com.br / Casa.com
  1. Consulte o Regimento do Condomínio: é ali onde vão estar as especificações de quantidade de folhas e tipos de vidro, espessura, largura, forma de abertura e cortinas.
  2. Se o envidraçamento não constar no Regimento: é preciso que os itens sejam aprovados em uma assembleia geral específica de condomínio. Para isso, é necessário também que o condomínio consulte um engenheiro estrutural para definir qual a melhor forma de fechar as varandas, sem danificar a estrutura.
  3. Contrate uma empresa especializada: o condomínio não pode exigir um fornecedor específico, você pode contratar qualquer mão de obra que siga as especificações determinadas pelo condomínio. É claro que, às vezes, compensa para os condôminos fecharem com uma empresa só para diminuir o custo.
  4. ART e RRT: a empresa que fornece o serviço também precisa emitir a ART ou RRT (anotação de responsabilidade técnica ou registro de responsabilidade técnica, documentos que comprovam que o projeto foi desenvolvido por arquitetos ou engenheiros habilitados e registrados nos conselhos de arquitetura e engenharia).
  5. Atenção aos detalhes: qualquer mudança que altere a fachada precisa ser consultada com o condomínio. Além de vidros, redes de proteção e cortinas precisam seguir especificações pré-determinadas.
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