Como é o bairro do zagueiro Marquinhos

Imirim, na zona norte de São Paulo, cresceu com muitas avenidas e condomínios, e poucos campos e teatros

Foto: Daniel Arroyo/Ponte

Bairro natal do zagueiro Marquinhos, um dos zagueiros da seleção que deve ir para a Copa do Catar, sofreu um desenvolvimento urbano acelerado, mas ainda convive com falta de equipamentos públicos voltados para o esporte e a cultura.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte

Quem caminha pelas ruas do Imirim percebe o grande número de novos empreendimentos. Renato Rodrigues Corrêa, 45, foi testemunha do avanço do asfalto: “Aqui era tudo muito verde, repleto de chácaras, e hoje é cheio de condomínios, especialmente na parte que antes a gente chamava de Campo da Pedra. Sinto um pouco de falta daquele verde”

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A transformação da paisagem urbana não foi motivo para Renato deixar o bairro. “Eu não tenho o que reclamar, amo onde moro”. Atualmente, ele é um dos professores da escolinha de futsal da Sociedade Amigos e Colaboradores do Imirim (Saci), time que revelou Marquinhos. “Quando eu jogava, o Marquinhos ficava na arquibancada me vendo. Ele começou aqui como goleiro, mas o técnico logo entendeu que o Marquinhos se dava bem na linha”.

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Iniciativas como as de Renato são importantes na região, pois apesar de ser bem servido em termos de transporte e escolas públicas, o crescimento urbano do Imirim não veio acompanhado de investimentos em esporte. O distrito de Santana, onde fica o bairro, tem um dos piores índices de equipamentos esportivos públicos municipais da capital: 0,18 para cada 10 mil habitantes, pouco mais da metade da média da cidade.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte

Uma das grandes promessas futebolísticas do Imirim é Julia Larissa Barbosa da Silva, 11, que treina no Saci desde os 6. Há um ano, Julia entrou para o time de futsal feminino de Taboão da Serra. “Sempre foi meu sonho jogar lá, e venho trabalhando muito pra me tornar uma jogadora profissional”. Atual pivô nas equipes do Saci e de Taboão, quer migrar para o campo e tem como grande ídolo a rainha Marta.

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Como no esporte, o investimento público em cultura no distrito de Santana não acompanhou seu desenvolvimento. Segundo estudo da Rede Nossa São Paulo, a região não conta com centros culturais, casas e espaços de cultura. Mas há outros equipamentos culturais municipais, como bibliotecas públicas e CEUs. Outro fator que ajuda a impulsionar a cultura do distrito são os espaços culturais independentes.

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Um desses centros é o Instituto Grão de Areia, que oferece aulas gratuitas de música. Hector Luchesi, 28, diretor do instituto, explica os motivos que levaram a inciativa ao bairro: “Aqui era um deserto de oferta de lazer e cultura gratuitos para as famílias de classe média, e especialmente de classe média baixa. Entramos com a intenção de impactar famílias que, no passado, já foram impactadas por algum outro projeto social.”

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Mais de mil alunos, entre 10 e 17 anos, já passaram pelo instituto, que atualmente tem 150 matrículas ativas. O projeto atende estudantes de escolas públicas, ou de escolas particulares que tenham bolsas de 70% ou mais.

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Matheus Vicchete, 15, morador do Cachoeirinha, é um dos alunos do instituto: “A primeira vez que toquei numa guitarra foi aqui. (...) Eu sempre escutei de tudo, rock, pop, trap, rap. E música é sentimento, dá pra usar a música pra lidar com a tristeza e com as emoções ruins. A música ajuda muito nesses processos, porque você fala o que está sentindo através de um instrumento”.

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