Telefones públicos chamados de "orelhões" começam a ser retirados das ruas do Brasil
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Símbolo do design urbano brasileiro e presença marcante nas calçadas do país por décadas, o orelhão caminha para desaparecer a partir deste ano, encerrando um capítulo importante da história das comunicações no Brasil. Criado para democratizar o acesso ao telefone, ele se tornou parte da paisagem das cidades, especialmente em praças, avenidas e pontos de grande circulação. Seu formato icônico, inspirado em conchas, virou referência visual e até objeto de estudos de arquitetura e design. Durante muitos anos, o orelhão foi essencial para quem precisava fazer ligações urgentes, avisar familiares ou resolver problemas do dia a dia fora de casa. Com o tempo, passou a ser também um marco cultural, aparecendo em filmes, músicas e reportagens. Agora, com a evolução tecnológica e novas formas de comunicação, esses equipamentos entram em processo de retirada gradual.
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Mesmo tendo perdido relevância com o avanço da internet e da telefonia móvel, ainda existem cerca de 38,3 mil aparelhos instalados no Brasil, concentrados principalmente no estado de São Paulo. Esse número reflete uma redução significativa em comparação com décadas anteriores, quando os orelhões estavam espalhados por praticamente todas as regiões urbanas. Atualmente, sua utilização é cada vez mais rara, restrita a situações pontuais ou a pessoas que não possuem acesso fácil a celulares ou planos de dados. Além disso, muitos desses equipamentos apresentam problemas de manutenção ou já não funcionam corretamente. A permanência de parte deles também está ligada a contratos antigos e à necessidade de adaptação das concessionárias às novas regras do setor. Assim, o orelhão se mantém mais como vestígio histórico do que como ferramenta essencial de comunicação no cotidiano da população.
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Em 2020, o número de orelhões era muito maior: cerca de 200 mil unidades, sendo 150 mil pertencentes à operadora Oi, que atualmente enfrenta seu segundo processo de recuperação judicial.
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A retirada dos telefones públicos está diretamente relacionada à mudança no modelo de prestação da telefonia fixa no país.
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A partir de uma lei aprovada em 2019, o serviço deixou de ser oferecido por meio de concessões e passou ao regime de autorizações, o que permitiu às operadoras antecipar a adaptação de seus contratos e se livrar de obrigações típicas de serviços considerados essenciais.
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Com isso, as empresas passaram a optar pela remoção dos aparelhos, hoje sob responsabilidade de cinco operadoras: Vivo, Algar, Oi, Claro e Sercomtel.
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No modelo anterior, as concessionárias eram obrigadas a assegurar o acesso universal à comunicação por voz, inclusive em locais sem viabilidade econômica, por meio de telefones públicos instalados em ruas e prédios públicos.
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Atualmente, as prioridades do setor se concentram na expansão da banda larga e na implantação do 5G. A Vivo já informou que iniciará a retirada dos aparelhos ao longo deste ano. Porém, em municípios onde a operadora é a única prestadora do serviço, os aparelhos serão mantidos até 2028, conforme determinação da Anatel, mesmo com utilização praticamente inexistente.
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A Oi, que já foi líder no segmento, vem reduzindo significativamente sua base de telefones públicos desde 2020. A operadora só mantém o serviço em regiões onde não há concorrência, dentro de um acordo válido até 2028.
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A Algar segue caminho semelhante e também planeja desativar seus telefones públicos, que estão em sua maioria localizados em Minas Gerais.
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A Claro, que opera 1.772 orelhões, também adotou o novo regime regulatório no ano passado. Já a Sercomtel, que atua no Paraná, reduziu gradualmente seu parque de telefones públicos e hoje mantém 596 unidades.
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O desaparecimento dos orelhões acompanha a consolidação do acesso digital no país. Em 2024,168 milhões de brasileiros com dez anos ou mais utilizaram a internet, o equivalente a 89,1% dessa faixa etária, segundo dados do IBGE, o maior percentual desde o início da série histórica em 2016.
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No mesmo período, 167,5 milhões de pessoas possuíam telefone celular para uso pessoal, o que corresponde a 88,9% da população nessa faixa etária.
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O termo ‘orelhão’, adotado no Brasil, se deve ao formato do equipamento e virou sinônimo de telefone público, devido à popularização do nome, como ocorre com gilete para lâmina de barbear ou xerox para cópia.
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Houve um tempo, em que para se fazer uma ligação na rua, era necessário entrar em uma fila.
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Mas não se podia falar por muito tempo, apenas o tempo que durasse uma ficha. Se acabasse o tempo, era necessário colocar no telefone público outra ficha.
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Muitas pessoas colecionavam fichas – redondas, como uma moeda – e cartões telefônicos especiais, de super-heróis, de ídolos nacionais ou de paisagens turísticas.
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Normalmente, os orelhões estão localizados em lugares públicos, como terminais de transporte, esquinas, praças ou centros comerciais. Agora, com a popularização dos celulares e a inicial retirada das ruas pelas empresas, a previsão é de que até o fim de 2028 não haja mais desses equipamentos nas ruas brasileiras.
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