Saiba o que recordista fez para conseguir ficar quase meia hora sem respirar

Foto: Reprodução de redes sociais

O croata Vitomir Maričić entrou para o Livro Guinness dos Recordes ao permanecer submerso por 29 minutos e 3 segundos numa piscina. A marca, registrada em junho de 2025, superou em quase cinco minutos o recorde anterior, de 24 minutos e 37 segundos.

Foto: Reprodução de redes sociais

A façanha contou com uma preparação especial: antes da imersão, ele inalou oxigênio puro por 10 minutos, técnica que reduz a concentração de CO₂ no corpo e adia o reflexo da respiração. Isso permitiu estender a apneia a níveis inéditos.

Foto: Reprodução de redes sociais

Mesmo sem o auxílio do oxigênio, Maričić revelou que consegue prender a respiração por pouco mais de 10 minutos, resultado de anos de treino. Considerando que uma pessoa comum mal ultrapassa um minuto, trata-se de um feito realmente sobre-humano.

Foto: Reprodução de redes sociais

A motivação do recorde foi dupla: além de desafiar seus próprios limites físicos e mentais, Maričić buscava chamar atenção para a preservação dos oceanos, combinando performance esportiva com uma causa ambiental .

Foto: Reprodução de redes sociais

Para quem não é atleta especializado, segurar a respiração entre 30 e 90 segundos é o mais comum. Mesmo indivíduos treinados raramente ultrapassam 3 minutos.

Foto: Reprodução de redes sociais

Mas, curiosamente, o povo Bajau, do sudeste asiático, consegue permanecer submerso muito mais tempo do que os seres humanos em qualquer outra parte do mundo.

Foto: Torben Venning/Wikimedia Commons

Enquanto boa parte da humanidade só é capaz de prender a respiração por segundos ou (em alguns casos) poucos minutos, os bajaus podem mergulhar seguidamente por uns 10 minutis, às vezes até 13 minutos.

Foto: Torben Venning/Wikimedia Commons

Neste caso, um estudo publicado pelo periódico científico Cell em 2018 apontou que uma mutação genética produzida por seleção natural permite a esse povo suportar longo tempo debaixo d'água.

Foto: Miroslaw Miras por Pixabay

A adaptação teria ocorrido por alteração no DNA do baço, tornando o órgão maior que o dos outros humanos.

Foto: PublicDomainPictures/Pixabay

Os bajaus são nômades que vivem entre os litorais de Filipinas, Malásia e Indonésia.

Foto: hazize san/Wikimedia Commons

As estimativas são de que o povo seja composto por cerca de um milhão de pessoas.

Foto: Sabahtaim/Wikimedia Commons

Eles vivem da pesca e da coleta de peças aquáticas para produzir artesanato. Ou seja, retiram da água sua subsistência.

Foto: Obsidian Soul/Wikimedia Commons

O baço é um órgão vizinho ao estômago que contribui para a reciclagem de glóbulos vermelhos. Aumentado, ele fornece mais oxigênio ao sangue.

Foto: DataBase Center for Life Science/Wikimedia Commons

Pesquisas feitas anteriormente descobriram que mamíferos marinhos aquáticos tem o baço muito maior em comparação a outras espécies.

Foto: Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay

A bióloga Melissa Llardo fez a descoberta sobre os bajaus ao interessar-se por ver se humanos mergulhadores tinham essa mesma condição orgânica.

Foto: facebook.com/@noronhadivers

Para se certificar da mutação, a equipe de estudo coletou amostra genética do povo saluan, que vive na Indonésia.

Foto: Imagem de Vanda Debreceni por Pixabay

No Centro de Geogenética da Universidade de Copenhague , na Dinamarca, o cotejo das amostras apontou que o baço dos bajaus era 50% maior que o dos saluans.

Foto: Divulgação

Na comparação também foi usada amostra de genomas dos chineses han. Todos esses povos viveram sob seleção natural.

Foto: Pete Linforth por Pixabay

"Se há algo acontecendo no nível genético, deveria ser perceptível no tamanho do baço. E lá observamos essa diferença extremamente significativa”, enfatizou Melissa Llardo.

Foto: Animações Científicos/Wikimedia Commons

Os bajaus vivem nessas áreas do sudeste asiático há mais de mil anos.

Foto: Reprodução

Em entrevista à BBC, Llardo deu ideia de quanto a vida dos bajaus se passa em água: "Quando fazem da maneira tradicional, eles mergulham repetidamente por cerca de oito horas por dia, gastando aproximadamente 60% do seu tempo debaixo d'água. O mergulho pode levar de 30 segundos a vários minutos, mas a profundidades é de mais de 70 metros ".

Foto: johnjodeery/Wikimedia Commons

A cientista descreveu que o baço aumentado funciona como "um tanque de mergulho biológico" para esse povo.

Foto: Borneo Child Aid/Wikimedia Commons

Rasmus Nielsen, da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que foram encontradas 25 diferenças no genoma dos bajaus em relação aos outros povos em análise.

Foto: brainchildvn/Wikimedia Commons

Os participantes do estudo sublinharam que a descoberta pode ajudar no futuro a entender mais a fundo a hipóxia - condição em que as células ficam com pouco suprimento de oxigênio.

Foto: Pexels Turek

Acompanhe o Terra

Diariamente o Terra traz conteúdos para você se manter informado. Acesse o site e nos siga nas redes.

Foto: Reprodução de redes sociais