Quem é Jorge Messias, o indicado de Lula ao STF que sofreu rejeição histórica no Senado

Foto: - Agência Senado

O atual advogado-geral da União, Jorge Messias, entrou para a história recente da política brasileira ao se tornar o primeiro indicado por um presidente da República a uma vaga no Supremo Tribunal Federal a ser rejeitado pelo Senado em 132 anos. A reprovação de um nome para o STF não ocorria desde 1894, ainda durante o governo do marechal Floriano Peixoto, nos primeiros anos da era republicana. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Messias teve seu nome recusado em plenário por 42 senadores no dia 29 de abril de 2026. Ele recebeu 34 votos favoráveis, mas era necessário atingir 41 apoios para a aprovação (o que representa maioria simples da Casa Legislativa).

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Antes da votação final, Messias passou por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde obteve sinal verde por margem apertada: 16 votos a 11. Durante a sessão, ele se posicionou em temas sensíveis, como o do aborto, declarando-se pessoalmente contrário à interrupção da gravidez, embora defendendo a manutenção de sua legalidade nas hipóteses já admitidas pela Constituição. Além disso, enfatizou sua formação religiosa evangélica. Messias também utilizou a sabatina para defender sua atuação à frente da AGU, especialmente no acompanhamento jurídico dos processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

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A vaga no Supremo Tribunal Federal disputada por Messias foi aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso em outubro de 2025. Sua indicação representava a terceira escolha de Lula para o STF no atual mandato, após Cristiano Zanin e Flávio Dino. De acordo com o noticiário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestava nos bastidores preferência por outro nome, o do senador Rodrigo Pacheco (PSB - MG), o que contribuiu para o atraso na oficialização da indicação.

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“A vida é assim. Tem dias de vitórias e tem dias de derrotas. Nós temos que aceitar. O Senado é soberano. O plenário do Senado é soberano. O plenário falou. Agradeço aos votos que recebi. Faz parte do processo democrático saber ganhar e saber perder”, declarou Messias, em pronunciamento à imprensa após o resultado da votação.

Foto: Ton Molina/Wikimédia Commons

Nascido em 25 de fevereiro de 1980, em Recife, capital de Pernambuco, Jorge Rodrigo Araújo Messias construiu carreira no serviço público. Ele é graduado em Direito pela UFPE, em sua cidade natal, e possui mestrado e doutorado em Desenvolvimento e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília.

Foto: Reprodução do Instagram @jorgemessiasagu

Messias tornou-se procurador da Fazenda Nacional em 2007 e, ao longo dos anos, ocupou cargos relevantes em governos do Partido dos Trabalhadores, como subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, além de funções no Ministério da Educação e no Ministério da Ciência e Tecnologia. Ele ainda atuou em órgãos do executivo como Banco Central e BNDES.

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O nome de Messias ficou em evidência por um fato de grande repercussão nacional em 16 de março de 2016, quando era subchefe para assuntos jurídicos da presidência da República. À época, o então juiz Sérgio Moro, responsável na 1ª instância pela Operação Lava Jato, em Curitiba, tornou público um diálogo telefônico em que a presidente Dilma Rousseff dizia a Lula que o advogado seria o responsável por entregar um documento relacionado à sua posse como ministro da Casa Civil.

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Os investigadores consideraram que a intenção de nomear Lula para a pasta fazia parte de uma estratégia para protegê-lo com o foro privilegiado no STF, dificultando as investigações contra o ex-presidente no âmbito da Operação Lava Jato. A posse do petista acabaria suspensa por decisão do ministro do STF Gilmar Mendes após pedido dos partidos PSDB e PPS.

Foto: Ricardo Stuckert/Wikimédia Commons

O episódio da ligação telefônica também virou meme na internet à época pelo fato de no áudio parecer que Dilma dizia “Bessias” em vez de Messias. “Seguinte, eu tô mandando o "Bessias" junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”, diz a ex-presidente no trecho da gravação que ficou célebre.

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Messias tomou posse na AGU no início do terceiro mandato de Lula, em 2023. No cargo, esteve à frente de ações judiciais em assuntos estratégicos para o governo, como a regulamentação das redes sociais e a defesa do decreto do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras).

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Outro aspecto marcante da trajetória de Messias é sua religiosidade. Ligado à Igreja Batista, ele frequentemente menciona valores cristãos como base de sua atuação. Em participações públicas, associa princípios de fé à defesa de políticas sociais, como redução da desigualdade e ampliação do acesso a direitos básicos. Ele é casado com Karina Messias e tem dois filhos.

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Politicamente, Messias mantém proximidade com o campo petista há anos, inclusive tendo contribuído financeiramente para campanhas eleitorais desde a década de 2010. Essa vinculação, somada ao seu perfil técnico e à sua atuação em cargos estratégicos, ajudou a consolidar seu nome como uma opção de confiança dentro do governo.

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