Pesquisadores descobrem novo 'fungo zumbi' em reserva florestal do Rio de Janeiro
Uma equipe de pesquisadores liderada por um brasileiro identificou uma nova espécie de “fungo zumbi” em uma reserva florestal de Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro.
Foto: Wikimedia Commons/Vitorperrut555
Ele foi batizado de Purpureocillium atlanticum, em alusão à cor arroxeada e ao bioma onde foi encontrado.
Foto: Divulgação/João Araújo
O achado teve como principal autor o micologista brasileiro João Araújo, que trabalha como professor na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.
Foto: Reprodução/X @joaofungo
A descoberta foi tão relevante que figurou na lista das dez descrições de plantas e fungos mais importantes de 2025, elaborada pelo prestigiado Jardim Botânico de Londres (Kew Gardens).
Foto: Wikimedia Commons/Diliff
A principal característica do fundo é infectar aranhas de alçapão, artrópodes que vivem enterrados e constroem armadilhas no solo da floresta.
Foto: Hector M. O. Gonzalez-Filho, Sylvia M. Lucas, Felipe dos S. Paula, Rafael P. Indicatti, and Antonio D. Brescovit
O organismo foi identificado a partir da observação do corpo de frutificação do fungo — como se fosse a “ponta” —, estrutura que libera esporos para garantir sua propagação.
Foto: Divulgação/João Araújo
As análises revelaram que os esporos perfuram o exoesqueleto da aranha, atingem órgãos e o “sangue” e se multiplicam rapidamente, vencendo o sistema imunológico do hospedeiro.
Foto: Divulgação/João Araújo
“O fungo solta substâncias para lutar contra o sistema imunológico do hospedeiro, que acaba morrendo”, explica Araújo.
Foto: Divulgação/João Araújo/Royal Botanic Gardens Kew
O estudo também mostrou que fungos antes classificados como uma única espécie formam na verdade um conjunto de organismos geneticamente distintos, do qual o P. atlanticum faz parte.
Foto: Divulgação/João Araújo
Para viabilizar essa descoberta com precisão, os cientistas utilizaram o Oxford Nanopore, uma tecnologia de sequenciamento genético portátil.
Foto: Reprodução/YouTube
“A grande vantagem desta tecnologia é poder usá-la logo ali, no momento em que o fungo ainda está fresco”, disse o micologista Vasco Fachada, que atua no Kew Gardens.
Foto: Reprodução
Vale ressaltar que o P. atlanticum é diferente do famoso gênero Ophiocordyceps — que inspirou a franquia “The Last of Us” ao controlar o sistema nervoso de insetos para levá-los a locais altos.
Foto: Denis Zabin/iNaturalist
Além disso, de acordo com os pesquisadores, o novo fungo não oferece risco para seres humanos ou outras espécies.
Foto: Reprodução @joaofungo
O estudo também chamou a atenção para o fato de que apenas cerca de 10% dos fungos do planeta foram descritos até hoje.
Foto: Kutub Uddin
O trabalho destaca o enorme potencial desses organismos para aplicações médicas e ambientais, já que podem produzir substâncias antibióticas valiosas.
Foto: dmarr515/Pixabay
Segundo os pesquisadores, avanços tecnológicos e o interesse popular despertado pela ficção ajudam a impulsionar novas pesquisas sobre esse grupo ainda pouco conhecido da biodiversidade.
Foto: Reprodução @joaofungo
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Foto: Wikimedia Commons/Vitorperrut555