Pesquisadora brasileira Fernanda Abra conquista prêmio global da National Geographic por projeto inovador; conheça!
Foto: Reprodução @nanda_abra
O trabalho da bióloga de conservação Fernanda Abra, referência na busca por soluções que reduzam os impactos das rodovias sobre a vida silvestre, recebeu mais um importante reconhecimento internacional. A pesquisadora brasileira foi anunciada em junho de 2026 como uma das 15 vencedoras do prestigiado "Wayfinder Award", honraria anual da National Geographic Society. Além de integrar a rede global de "Exploradores" da instituição, os selecionados recebem um aporte de 50 mil dólares e acesso a novas oportunidades de financiamento para ampliar suas iniciativas.
Foto: Reprodução @nanda_abra
A premiação destaca os resultados do Projeto Reconecta, iniciativa que vem transformando a forma como a infraestrutura viária é planejada em áreas de elevada biodiversidade. Há mais de uma década, Fernanda se dedica à ecologia de estradas e ao desenvolvimento de estratégias capazes de diminuir os efeitos da fragmentação florestal causada pela expansão dessas rodovias.
Foto: Divulgação/Smithsonian´s National Zoo and Conservation Biology Institute
Seu trabalho ganhou destaque especialmente na Amazônia, onde a abertura de estradas frequentemente interrompe corredores naturais utilizados por inúmeras espécies para buscar alimento, encontrar parceiros reprodutivos e manter contato com outros grupos. Uma das principais soluções desenvolvidas pela pesquisadora são as chamadas pontes de dossel, estruturas suspensas instaladas sobre as rodovias para conectar as copas das árvores em lados opostos das vias.
Foto: Divulgação
Inspiradas nos elementos naturais da floresta, essas passagens permitem que primatas, marsupiais, roedores e outros animais arborícolas atravessem com segurança áreas que antes representavam barreiras quase intransponíveis. Desde 2021, dezenas dessas estruturas foram implantadas em pontos estratégicos da Amazônia, onde já possibilitaram mais de 20 mil travessias seguras registradas por sistemas de monitoramento.
Foto: Divulgação
Os resultados mais expressivos aparecem em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, região marcada pela combinação de rica biodiversidade e intensa fragmentação da vegetação. Ali, câmeras instaladas nas pontes documentaram milhares de deslocamentos realizados por diferentes espécies, incluindo macacos-prego, saguis-de-Schneider e o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, primata criticamente ameaçado de extinção.
Foto: Pronto Reconecta/SNZCBT
As imagens também registraram fêmeas transportando filhotes, um indicativo de que as estruturas passaram a integrar a rotina desses animais e contribuem para a manutenção de populações mais conectadas. O Projeto Reconecta também atua na BR-174, rodovia que liga Manaus a Boa Vista e atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari.
Foto: Vitor Gabriel/Prefeitura de Alta Floresta
Nesse trecho, foram instaladas 32 pontes de dossel em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a participação direta das comunidades indígenas na escolha dos locais e no acompanhamento da fauna.
Foto: Divulgação
Em 2026, esse desenho passou a ser recomendado pelo DNIT como padrão para rodovias federais brasileiras. Para Fernanda Abra, o reconhecimento internacional vai além de uma conquista pessoal: "Receber o Wayfinder Award é uma grande honra, mas, também, um lembrete de que a conservação é construída por muitas mãos."
Foto: Divulgação/Smithsonian´s National Zoo and Conservation Biology Institute
“Em um mundo onde as estradas ampliaram a liberdade de movimento das pessoas, nosso desafio é garantir que a vida silvestre também possa continuar exercendo o direito fundamental de ir e vir. É isso que estas pontes representam para mim: esperança, coexistência e futuro“, acrescentou a bióloga depois de vencer o prêmio.
Foto: Divulgação
Cofundadora do Instituto Reconecta e da consultoria ViaFAUNA, Fernanda também atua como pesquisadora associada do Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute (SNZCBT), com sede em Washington, D.C., nos Estados Unidos, e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), que fica em Nazaré Paulista, São Paulo.
Foto: Divulgação/Bióloga Fernanda Abra
Em 2025, o Projeto Reconecta ainda foi apontado pela CNN International como uma das cinco iniciativas de conservação mais inovadoras do planeta, reforçando a relevância de uma solução brasileira que demonstra ser possível conciliar infraestrutura, desenvolvimento e proteção da biodiversidade.
Foto: Divulgação
Vale destacar que as passarelas suspensas não substituem a necessidade de preservação florestal e exigem planejamento rigoroso quanto à localização e aos materiais empregados. Medidas complementares, como túneis subterrâneos, cercas direcionadoras e redutores de velocidade, permanecem essenciais para espécies terrestres.
Foto: Reprodução @nanda_abra
Impulsionado pelos resultados e pelo reconhecimento internacional recebido por Fernanda, o Projeto Reconecta planeja expandir sua atuação. Estão previstas novas pontes em em Lucas do Rio Verde, também no Mato Grosso, além da ampliação das ações para outras regiões do país.
Foto: Reprodução @nanda_abra
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Foto: Reprodução @nanda_abra