Melatonina: por que seu uso pode acarretar riscos em longo prazo
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Disponível em comprimidos, gotas e até balas de goma, a melatonina atrai quem busca reparar noites ruins de sono. Mas seu uso sem indicação médica pode trazer riscos à saúde. Por isso, é essencial compreender que não se trata de um simples suplemento, mas sim um hormônio que interfere diretamente na fisiologia humana.
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Produzida pela glândula pineal, a melatonina regula o ciclo sono-vigília, funcionando como um “relógio biológico”. Ela sinaliza ao corpo quando é hora de descansar, reduzindo a temperatura corporal e a pressão arterial. Assim, sua ação vai muito além de induzir o sono, pois influencia diversos processos adaptativos do organismo.
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Em 2021, a Anvisa autorizou a venda da melatonina como suplemento alimentar, sem necessidade de receita médica. Contudo, essa classificação gera controvérsia, já que a substância não corrige uma deficiência nutricional, mas atua como um neuro-hormônio, capaz de alterar funções vitais do corpo.
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A facilidade de acesso fez com que muitas pessoas passassem a usar melatonina sem acompanhamento profissional. Esse consumo indiscriminado preocupa especialistas, pois hormônios não devem ser tratados como simples vitaminas, já que podem causar efeitos colaterais imediatos e complicações futuras.
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Uma pesquisa apresentada em 2025 pela Associação Americana do Coração analisou mais de 130 mil prontuários e encontrou associação entre uso prolongado da melatonina e maior risco de insuficiência cardíaca. Embora os dados sejam preliminares, já acendem um alerta importante para médicos e pacientes.
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Segundo o estudo, usuários de melatonina tinham 90% mais chance de desenvolver insuficiência cardíaca em cinco anos. Além disso, o risco de hospitalização pela condição foi 250% maior, mostrando que o impacto pode ser significativo quando o consumo é contínuo.
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Outro dado preocupante foi a probabilidade de morte por qualquer causa, que se mostrou duas vezes mais elevada entre usuários de melatonina em comparação ao grupo controle. Isso reforça a necessidade de cautela e acompanhamento médico rigoroso.
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Mesmo em curto prazo, doses acima do limite seguro podem causar sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e desorientação. Esses sintomas, muitas vezes ignorados, indicam que o organismo está recebendo mais melatonina do que deveria.
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A Anvisa estabelece como limite de segurança 0,21 miligramas por dia. No entanto, muitos consumidores relatam aumentar a dose por conta própria, sem saber que o excesso permanece no organismo após acordar, acumulando efeitos indesejados.
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Para ajustar corretamente a suplementação, seria necessário medir a quantidade de melatonina circulante no sangue ou na urina. Porém, esse acompanhamento quase nunca é feito, o que aumenta os riscos de uso inadequado.
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Poucos quadros justificam a reposição de melatonina. Entre eles estão pessoas cegas sem percepção de luminosidade ou pacientes com distúrbios de ritmo circadiano. Fora dessas situações, o uso tende a ser desnecessário e arriscado.
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Nem todo episódio de insônia requer melatonina. Muitas vezes, o problema está ligado a ansiedade, depressão ou dor crônica, condições que precisam de tratamento específico. Usar o hormônio sem investigar a causa pode mascarar o problema.
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Dormir bem é essencial para saúde física e mental, regulando humor, concentração e energia. No entanto, o objetivo deve ser resgatar o sono natural, e não induzir um “sono químico” por meio de substâncias externas.
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A TCC-I é considerada o tratamento padrão-ouro para insônia crônica. Ela ajuda a modificar pensamentos e hábitos que perpetuam o problema, oferecendo uma solução duradoura sem depender de medicamentos.
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Mudanças simples no estilo de vida podem melhorar a qualidade do sono. Evitar luz intensa à noite, reduzir o uso de telas e manter um ambiente adequado para dormir são medidas eficazes e seguras.
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A prática regular de atividade física estimula a liberação de endorfina, que favorece a produção natural de melatonina. Contudo, é melhor se exercitar pela manhã ou tarde, já que treinos noturnos podem atrapalhar o relaxamento.
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Comer de forma leve à noite ajuda a evitar desconfortos e refluxo, que fragmentam o sono. Por isso, recomenda-se que a última refeição seja feita até duas horas antes de se deitar, favorecendo um descanso contínuo.
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Ansiedade e tensão são inimigos do sono reparador. Desse modo, técnicas de respiração e relaxamento podem ajudar a reduzir esses fatores, promovendo um ambiente interno mais propício ao descanso.
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Ao enfrentar dificuldades recorrentes para dormir, o melhor caminho é procurar um médico do sono. Somente um especialista pode avaliar corretamente o quadro e indicar o tratamento adequado, evitando riscos desnecessários com o uso da melatonina.
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