'Dama de ferro do Japão': conheça Sanae Takaichi, primeira mulher a liderar o país asiático

Foto: 依田奏/Wikimédia Commons

A conservadora Sanae Takaichi, de 64 anos, entrou para a história no dia 21 de outubro de 2025, quando a parlamentar foi escolhida como primeira-ministra do Japão, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo em um país que ainda enfrenta grandes desigualdades de gênero.

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Fã declarada de Margaret Thatcher, a ex-premiê britânica conhecida como a “Dama de Ferro”, Takaichi costumava dizer que desejava se tornar “a dama de ferro do Japão”. Agora, pode transformar a metáfora em prática.

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Representante da ala mais à direita do Partido Liberal Democrata, o PLD, ela é conhecida pelo discurso firme e por posturas ultraconservadoras.

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Apesar do simbolismo de sua eleição, Takaichi deixou claro em seu primeiro discurso como premiê que as pautas de igualdade de gênero não estão entre suas prioridades.

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Mesmo já tendo comandado pastas como Economia, Assuntos Internos e Igualdade de Gênero, a nova primeira-ministra sempre manteve distância dos debates sobre o papel das mulheres na sociedade japonesa.

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Takaichi apoia a sucessão exclusivamente masculina na família imperial e se opõe a mudanças na lei do século 19 que obriga casais a terem o mesmo sobrenome.

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Apesar das convicções tradicionais, a premiê defende políticas de apoio à saúde feminina e ao tratamento de fertilidade, dentro de uma lógica voltada ao incentivo da maternidade.

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Ela também já falou publicamente sobre as próprias dificuldades com os sintomas da menopausa, ressaltando a importância de educar os homens sobre o tema para melhorar o ambiente escolar e profissional das mulheres.

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Natural da província de Nara, Takaichi iniciou a carreira política em 1993, quando foi eleita deputada em sua cidade natal.

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Desde então, ocupou postos de destaque no PLD e em governos de figuras centrais do partido, como os ex-primeiros-ministros Shinzo Abe, assassinado em 2022, e Fumio Kishida.

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A nova premiê também é conhecida por visões revisionistas sobre a história do país. Ela já se recusou a reconhecer as atrocidades cometidas pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, negando o uso de coerção contra trabalhadores coreanos e mulheres escravizadas pelo Exército.

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Takaichi participou de campanhas para excluir referências à escravidão de livros escolares — posições que, segundo analistas, podem prejudicar as relações diplomáticas com China e Coreia do Sul.

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Quando jovem, ela foi baterista de uma banda de heavy metal e apaixonada por motocicletas.

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Essa combinação de paixões são vistas como incomuns para alguém que hoje simboliza o conservadorismo japonês.

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Conhecida pela disciplina rigorosa, Takaichi costuma descrever-se como uma “workaholic”. Ao assumir o cargo, ela fez um discurso de tom duro aos colegas de partido: pediu que todos “trabalhem como um cavalo”.

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Depois de duas tentativas frustradas de liderar o PLD, Takaichi afirma ter aprendido a cultivar alianças e relações políticas dentro do partido.

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No campo econômico, o maior desafio da nova premiê será conter a alta no custo de vida e estabilizar a quarta maior economia do mundo.

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Takaichi chega ao cargo máximo do governo japonês após ser eleita líder do enfraquecido PLD, substituindo o ex-premiê Shigeru Ishiba, que renunciou após derrotas eleitorais consecutivas.

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Inspirada em Margaret Thatcher - foto -, ela defende o fortalecimento das Forças Armadas, o investimento em fusão nuclear e políticas mais duras sobre imigração.

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Com uma trajetória marcada por disciplina, conservadorismo e ambição, Sanae Takaichi entra para a história como a primeira mulher a comandar o Japão — e promete fazê-lo com a mão firme que sempre admirou em sua ídola britânica.

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