Crise ambiental atinge o Lago Maracaibo, o maior da América Latina

O Lago Maracaibo, no noroeste da Venezuela, vive hoje um cenário de desolação que contrasta com sua grandeza geográfica e histórica.

Foto: Imagem Pixabay

Segundo reportagem da revista “Veja”, as águas que um dia foram símbolo de riqueza para o país estão impregnadas de petróleo cru, resíduos sólidos, esgoto doméstico e microalgas tóxicas, dando à enorme massa d’água uma coloração verde-escura e um odor ácido que se espalha pelas margens.

Foto: Reprodução do Flickr Wilfredo Rodriguez

Especialistas ambientais alertam que décadas de exploração petrolífera intensiva, infraestrutura obsoleta e ausência de tratamento adequado de resíduos transformaram o lago em um dos corpos d’água mais contaminados da América Latina, comprometendo a vida aquática e a saúde das comunidades ribeirinhas.

Foto: Reprodução do Flickr Adlenis

Em várias áreas, tubulações antigas liberam óleo constantemente, instalações deterioradas liberam poluentes e nutrientes excessivos, como nitrogênio e fósforo, alimentam florescências de cianobactérias – conhecidas localmente como “verdin” – cuja toxicidade prejudica peixes, crustáceos e pode afetar seres humanos.

Foto: Reprodução do Youtube Canal The Guardian

Com mais de 13 mil quilômetros quadrados de extensão, o Lago Maracaibo é uma das maiores e mais antigas massas d’água do planeta, com registros geológicos que apontam entre 20 e 36 milhões de anos de existência, o que o torna um dos lagos mais antigos do mundo.

Foto: Carlos Arévalo/Wikimédia Commons

A forma atual do lago é de uma grande baía salobra conectada ao Caribe pelo estreito de Tablazo, resultado de transformações naturais e interferências humanas ao longo dos séculos.

Foto: Reprodução do Flickr A Santa Fe 18924km

Alimentado por numerosos rios, o maior deles o Catatumbo, o lago cruzou um longo percurso desde sua ocupação por povos indígenas até tornar-se peça central nos processos de colonização espanhola e construção da identidade venezuelana no fim do século 16.

Foto: Reprodução do Flickr José Gregorio

O nome “Venezuela”, que significa “Pequena Veneza”, remonta a 1499, quando exploradores europeus encontraram casas sobre palafitas nas margens do lago e lembraram da cidade italiana.

Foto: Reprodução do Flickr Alfonsina Blyde

Ao longo dos séculos 16 e 17, a região alternou entre tentativas de colonização e conflitos, até que a cidade de Maracaibo foi definitivamente estabelecida em 1574 e mais tarde se tornaria cenário de batalhas importantes, como a decisiva Batalha Naval do Lago Maracaibo em 1823, durante a guerra de independência da Venezuela.

Foto: Reprodução do Flickr AgenciaCN(via Twitter)

No século 20, a descoberta de petróleo nas proximidades do Maracaibo em 1914 e a construção de poços comerciais a partir de 1922 transformaram a região em um dos corações da indústria petrolífera venezuelana.

Foto: - Reprodução do Youtube Canal zoomdigital7

A bacia de Maracaibo abriga uma enorme rede de poços, milhares de quilômetros de oleodutos e plataformas de extração que impulsionaram a economia do país por décadas, fazendo da Venezuela uma potência no setor.

Foto: Reprodução do Flickr Fernando Flores

A abertura, na década de 1930, de um canal para permitir a entrada de navios petroleiros oceânicos alterou a hidrologia do lago e facilitou a entrada de água salgada, mudando o ecossistema original e contribuindo para problemas ambientais futuros.

Foto: - Reprodução do Youtube Canal zoomdigital7

Por sua dimensão e posição estratégica, o Lago Maracaibo sempre teve importância econômica além do petróleo. Suas águas e arredores sustentaram uma atividade pesqueira significativa, com peixes, camarões e outras espécies que alimentaram comunidades locais e abasteceram mercados regionais.

Foto: Reprodução do Youtube Canal Sharjah24 News

Além disso, fenômenos naturais notáveis, como o relâmpago do Catatumbo – descargas elétricas quase contínuas geradas na região onde o rio Catatumbo encontra o lago – tornaram a área um ponto de interesse meteorológico mundial, com uma das maiores frequências de raios por ano no planeta.

Foto: - Reprodução do Youtube Canal zoomdigital7

No entanto, o mesmo desenvolvimento petrolífero que trouxe prosperidade deixou um legado de degradação ambiental difícil de reverter.

Foto: Reprodução do Youtube Canal Sharjah24 News

As consequências para as comunidades que dependem do lago são visíveis: pescadores relatam quedas drásticas nas capturas, danos a equipamentos e problemas de saúde ligados à contaminação das águas.

Foto: - Reprodução do Youtube Canal WION

A degradação ecológica também afeta espécies nativas e o equilíbrio dos ecossistemas, ameaçando a biodiversidade que, historicamente, fez do Maracaibo um ambiente rico em vida aquática, incluindo várias espécies de peixes endêmicos e mamíferos aquáticos como o peixe-boi.

Foto: Reprodução do Youtube Canal Sharjah24 News

Nos últimos anos, iniciativas de limpeza e esforços ambientais liderados por comunidades locais, cientistas e mesmo alguns programas governamentais têm buscado formas de mitigar o impacto da poluição e recuperar partes do lago, embora essa seja uma tarefa colossal diante das décadas de negligência e do tamanho do problema.

Foto: - Reprodução do Youtube Canal Luisito Comunica

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Foto: Imagem Pixabay