Butantan afirma que vacinados contra dengue continuam protegidos após suspensão temporária; entenda o caso
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A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan levou autoridades de saúde a se pronunciarem sobre o assunto. Em entrevista à GloboNews no dia 9 de junho, o diretor da instituição, Esper Kallás, garantiu que quem já recebeu o imunizante continua protegido. A medida anunciada pelo Ministério da Saúde tem caráter preventivo e busca aprofundar a investigação de eventos adversos raros identificados após o início da campanha de vacinação, sem que isso invalide os resultados obtidos nos estudos que comprovaram a eficácia e a segurança da vacina.
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De acordo com os dados apresentados durante o desenvolvimento da vacina, a eficácia alcança cerca de 65% na prevenção da doença por até cinco anos após a aplicação e aproximadamente 80% na redução do risco de formas graves da dengue. A recomendação de atenção especial vale apenas para aqueles que receberam a vacina há menos de 21 dias, período em que qualquer sintoma suspeito deve ser comunicado às autoridades de saúde para acompanhamento adequado.
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A decisão de interromper temporariamente a aplicação ocorreu após análises do sistema de farmacovigilância, mecanismo responsável pelo monitoramento contínuo de vacinas e medicamentos após sua liberação para uso na população. Esse processo permite identificar efeitos adversos raros que podem não aparecer durante os ensaios clínicos realizados antes da aprovação.
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Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre janeiro e 30 de maio de 2026, cerca de 500 mil doses da vacina foram aplicadas no país. Dessas, mais de 417 mil foram destinadas a profissionais da saúde. Entre esse total de vacinados, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos com sintomas semelhantes aos da dengue, o que equivale a aproximadamente 0,7% dos imunizados.
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Desses registros, 42 apresentaram sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, sendo classificados como casos graves. Ainda assim, esse grupo representa apenas 0,008% do total de vacinados. Além disso, as autoridades investigam três ocorrências que exigiram atenção especial.
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Em uma delas, uma mulher de 39 anos desenvolveu um quadro compatível com dengue grave poucos dias após a vacinação, precisou ser internada em uma unidade de terapia intensiva, mas se recuperou. Os outros dois casos evoluíram para óbito e continuam sendo analisados para verificar se existe alguma relação com o imunizante.
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Uma das vítimas foi uma mulher de 48 anos que apresentou sintomas graves 19 dias após a imunização e evoluiu com complicações neurológicas. O outro caso envolveu um homem de 58 anos que manifestou febre poucos dias após receber a dose e sofreu rápida piora clínica.
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Até o momento, o Ministério da Saúde afirma que não existem elementos suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os óbitos. As investigações continuam sob responsabilidade conjunta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Programa Nacional de Imunizações (PNI), das secretarias de saúde e do próprio Instituto Butantan.
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A vacina contra a dengue é a primeira 100% brasileira e também da primeira de dose única desenvolvida no mundo para a doença. Antes de sua aprovação, o produto foi testado em cerca de 16 mil voluntários acompanhados por cinco anos.
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Os resultados demonstraram eficácia e segurança, conquistando reconhecimento internacional e publicação na "Nature", uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo. Enquanto a análise dos casos prossegue, estados e municípios interromperão a aplicação das doses e intensificarão a busca ativa por possíveis eventos adversos.
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O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nas últimas três semanas — a contar do dia 9 de junho — observem sintomas como febre, dor abdominal persistente, vômitos frequentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
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Apesar da cautela adotada pelas autoridades, especialistas ressaltam que a suspensão não significa perda de confiança na vacina. Segundo o diretor do PNI, Eder Gatti, objetivo é reunir mais evidências científicas e compreender melhor o comportamento do imunizante em diferentes cenários epidemiológicos e grupos populacionais.
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O aprofundamento das investigações deverá determinar os próximos passos da estratégia de vacinação, mas, segundo as autoridades, quem já recebeu a dose permanece protegido contra os quatro sorotipos do vírus e pode confiar nos benefícios demonstrados pelos estudos científicos realizados até o momento.
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