Barricadas proliferam no Rio e obrigam policiais a operar escavadeiras

Comunidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro se tornam, cada vez mais, reféns de criminosos que impõem um domínio territorial.

Foto: Reprodução TV Globo

Só em 2022, foram registradas 10.464 denúncias sobre barricadas construídas nos acessos a comunidades, impedindo o ir e vir das pessoas sem autorização de bandidos.

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Em 2016, tinham sido 6.027; o índice foi subindo até alcançar 10.466 em 2019, caiu por causa da pandemia para 7.891 em 2020, mas voltou a subir alcançando 10.464.

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E essas barricadas chegam cada vez mais perto dos bairros. Já há locais que recebem os obstáculos mesmo não sendo favelas.

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Os bandidos usam de tudo: ferro, lixo latões, entulho, móveis velhos, pneus.

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Em alguns locais, eles preferem abri valas, em vez de instalar obstáculos. Deixam a rua intransitável com buracos profundos de uma calçada à outra.

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Mas há casos em que, segundo a polícia, são 'obras de engenharia', muito difíceis de remover.

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Os bandidos usam vigas de aço chumbadas no concreto, com profundidade de até 1,5 metro, dificultando muito a retirada por parte dos policiais.

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Essas barricadas mais 'sofisticadas' têm até fechadura que a polícia precisa abrir usando uma ferramenta específica para destravar uma garra.

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Os obstáculos têm materiais pontiagudos para evitar que veículos tentem empurrar.

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E os pneus são colocados para que, em caso de necessidade, os bandidos ponham fogo na barricada. Essa prática tem sido comum nas comunidades.

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Em alguns pontos, bandidos também aproveitam para cobrar 'pedágio' para a passagem de moradores diante de barricadas mais simples. Se pagarem, ele remove o obstáculo para liberar a passagem.

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A Polícia Militar tem atuado cada vez mais nesse 'serviço extra', que tira o foco do patrulhamento tradicional e do combate aos criminosos para que o tempo seja usado na remoção de obstáculos.

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Há policiais que passam boa parte do tempo de serviço em retroescavadeiras removendo barricadas - algo que eles dizem que nunca esperaram ter que fazer.

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Em 2022, a Polícia Militar retirou das ruas pelo menos 716 toneladas de detritos após a derrubada de barricadas. Isso equivale a 36 caminhões abarrotados de entulho.

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Vale ressaltar que, ao ficarem parados retirando barricadas, os policiais se expõem a risco e já houve ataques de bandidos que se aproveitaram dessa situação.

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No Jardim América, no subúrbio do Rio, barricadas feitas de concreto têm até um buraco para que o bandido coloque o fuzil para tirar em policiais.

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Os tiroteios são frequentes e marcas de tiros ficam nas paredes das casas.

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Além de expor os agentes ao perigo e dificultarem a rotina dos moradores, as barricadas impedem a entrada de carros de serviço. Funcionários de empresas de luz, por exemplo, precisam pedir autorização para entrar.

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Até ambulâncias estão sujeitas ao aval de criminosos para prestar socorro. Já houve casos de morte em comunidades por causa da demora na negociação para o acesso.

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As ambulâncias, que ficam com as luzes e sirenes ligadas quando estão em serviço de socorro, precisam desligar tudo ao se aproximarem de uma barricada. Nem os faróis podem ficar acesos.

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As barricadas estão proliferando não apenas em favelas do Rio, mas também de municípios da Região Metropolitana.

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Em São Gonçalo, há barricadas até no Centro. Esta ficava a 1 km de distância da Prefeitura Municipal.

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