Polícia diz que líder quilombola Mãe Bernadete foi assassinada a mando do tráfico
Inquérito conduzido pela Polícia Civil da Bahia concluiu que Mãe Bernadete foi assassinada a mando de uma liderança do tráfico de drogas
Foto: Divulgação/Governo da Bahia
A líder quilombola e ialorixá foi assassinada na noite do dia 17 de agosto, em casa, quando via TV, diante dos netos.
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O crime aconteceu dentro do Quilombo Pitanga dos Palmares, no município de Simões Filho, na Bahia.
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Bernadete Pacífico, de 72 anos, era coordenadora nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e liderava o Quilombo Pitanga dos Palmares.
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"É claro para a equipe de investigação que a líder quilombola era legitimada pela comunidade, tinha liderança forte pelos interesses do quilombolas, e quando sua liderança se contrapôs aos interesses do tráfico na região, ela pagou com a própria vida", declarou em entrevista coletiva a delegada Andréa Ribeiro, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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De acordo com o Ministério Público da Bahia, cinco pessoas foram indiciadas por participação no crime.
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Jurandir Wellington Pacífico, filho da ialorixá assassinada, discorda da conclusão do inquérito. Para ele, traficantes executaram o crime a mando de terceiros com outras motivações que a polícia deveria investigar mais a fundo.
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Horas depois do assassinato, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia havia informado que o crime fora cometido por dois homens.
Foto: Reprodução/TV Bahia
Os criminosos invadiram o local onde estava Bernardete e a executaram com vários tiros.
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Antes dos disparos, os suspeitos isolaram em um cômodo outros familiares de Bernardete.
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A líder quilombola encontrava-se há dois anos sob proteção da Polícia Militar por decisão da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia.
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"A proteção do estado era só uma ronda simbólica. Uma viatura da PM ia lá uma vez por dia, geralmente no final da tarde, falava com ela e ia embora. Que segurança é essa?", questionou ao GE o advogado da família, David Mendez.
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Bernardete denunciava madereiros que atuavam na comunidade quilombola onde ela vivia.
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A localidade tem status de Área de Proteção Ambiental (APA). Por isso, é proibida a extração de madeira na comunidade.
Foto: Divulgação/Prefeitura Simões Filho
De acordo com o advogado David Mendez, Bernardete vinha relatando recentemente um aumento das ameaças que partiam dos madeireiros.
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Ela relatou três momentos em que pessoas passaram à noite atirando para cima em frente à casa onde vivia.
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Em junho, Bernardete denunciou à então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber as constantes ameaças contra as comunidades. O relato ocorreu durante encontro que contou com outras lideranças quilombolas.
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Bernardete era bastante engajada em causas sociais e foi secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial em Simões Filho na gestão do prefeito Eduardo Alencar (PSD) (2009-2016).
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Em 2017, um dos filhos de Bernardete também foi assassinado na região do Quilombo Pitanga dos Palmares.
Foto: Reprodução/Redes sociais
Flávio Gabriel dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, tinha 36 anos e foi alvejado dentro de um carro.
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Bernadete clamava por justiça pelo assassinato do filho.
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Cerca de 290 famílias vivem no Quilombo Pitanga dos Palmares, que tem 854 hectares.
Foto: Quilombo na Bahia - Divulgação/Conaq
No local, 120 agricultores produzem e vendem alimentos como farinha para vatapá, frutas e verduras.
Foto: Divulgação
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Foto: Divulgação/Governo da Bahia