Paul McCartney compara fim dos Beatles a ser demitido: 'Comecei a beber'

Foto: Flickr - Jimmy Baikovicius

Paul McCartney comparou o fim dos Beatles, em 1970, à perda do único emprego. Em conversa com o produtor e diretor de cinema Judd Apatow, publicada pela revista “Variety”, o músico afirmou que a separação provocou um vazio imediato em sua vida. “O que você faz depois dos Beatles? Os Beatles terminam, esse foi o único trabalho que você teve e, então, você não o tem mais. É como se tivesse sido demitido”, declarou. Segundo McCartney, a sensação foi especialmente difícil após anos de convivência diária com John Lennon, George Harrison e Ringo Starr.

Foto: Flickr - Jimmy Baikovicius

O músico contou que enfrentou o período de isolamento recorrendo à bebida, enquanto vivia com seus familiares. “Comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada”, relatou. McCartney também descreveu como assustadora a experiência de seguir sem a união que existia dentro dos Beatles e disse que precisou encontrar uma maneira diferente de continuar sua carreira. Nesse processo, Linda McCartney teve papel importante, oferecendo apoio e espaço para que o marido lidasse com o fim da banda.

Foto: Reprodução/nstagram @paulmccartney

Nascido em Liverpool, na Inglaterra, em 18 de junho de 1942, Paul McCartney começou a se interessar por música ainda na adolescência. Em 1957, conheceu John Lennon, então integrante do Quarrymen, grupo ao qual posteriormente se juntou. A entrada de George Harrison completou o núcleo que daria origem aos Beatles, enquanto Ringo Starr assumiria a bateria em 1962. A banda rapidamente conquistou o público britânico e, pouco depois, alcançou projeção mundial. McCartney se destacou como baixista, cantor e compositor, formando com Lennon uma das parcerias mais conhecidas da história da música popular.

Foto: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons

Durante a década de 1960, os Beatles lançaram álbuns que ampliaram as possibilidades do rock e influenciaram gerações de músicos. McCartney participou da composição de sucessos como “Yesterday”, “Hey Jude”, “Let It Be” e “Eleanor Rigby”, entre diversas outras canções. A banda encerrou suas atividades em 1970, depois de anos marcados por enorme sucesso comercial e crescente transformação artística. No mesmo ano, McCartney lançou seu primeiro álbum solo, simplesmente intitulado “McCartney”. O trabalho foi gravado praticamente sozinho pelo músico e marcou o início oficial de uma extensa carreira independente.

Foto: Divulgação

Em 1971, McCartney formou o Wings ao lado de Linda e do músico Denny Laine. A banda atravessou diferentes formações e alcançou grande repercussão durante os anos 1970, especialmente com o álbum “Band on the Run”, lançado em 1973. Outros trabalhos, como “Venus and Mars” e “Wings at the Speed of Sound”, também tiveram destaque nas paradas internacionais. O grupo realizou grandes turnês e ajudou McCartney a se estabelecer artisticamente depois do fim dos Beatles. O Wings encerrou suas atividades em 1981, mas o músico continuou produzindo e se apresentando como artista solo.

Foto: Capitol Records/Wikimedia Commons

Ao longo das décadas seguintes, McCartney trabalhou com artistas de diferentes gerações e estilos musicais. Entre seus parceiros estão Stevie Wonder, Michael Jackson, Elvis Costello e Rihanna, além de outros nomes da música internacional. Além disso, dividiu o palco com nomes como Bruce Springsteen. Ele também desenvolveu o projeto eletrônico “The Fireman”, em parceria com o produtor Youth, explorando uma sonoridade diferente daquela de seus trabalhos mais conhecidos. Paralelamente, manteve uma carreira solo marcada por novos discos e turnês. Sua produção posterior ampliou o repertório construído durante os anos de Beatles e Wings.

Foto: Reprodução/Instagram

A vida de McCartney também esteve profundamente ligada a Linda, com quem se casou em 1969. Além de acompanhá-lo musicalmente no Wings, ela atuou como fotógrafa e desenvolveu trabalhos relacionados à alimentação vegetariana e à defesa dos animais. O casal teve quatro filhos, entre eles a estilista Stella McCartney, que posteriormente construiu carreira internacional na moda. Linda morreu em 1998, aos 56 anos, após enfrentar um câncer de mama. A perda encerrou uma parceria pessoal e profissional que havia acompanhado McCartney durante boa parte de sua trajetória pós-Beatles.

Foto: Jim Summaria/Wikimedia Commons

A carreira de McCartney recebeu diversos reconhecimentos ao longo de mais de seis décadas. Ele entrou no Hall da Fama do Rock and Roll como integrante dos Beatles, em 1988, e voltou a ser homenageado como artista solo, em 1999. Também recebeu múltiplos prêmios Grammy, um Oscar e o título de cavaleiro concedido pela monarquia britânica. Em 2010, foi escolhido para receber o Gershwin Prize for Popular Song das mãos do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Mesmo décadas após o fim dos Beatles, McCartney continua associado a uma das obras mais extensas e influentes da música popular do século 20.

Foto: MPL Communications

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Foto: Flickr - Jimmy Baikovicius