Origem e curiosidades sobre a brincadeira do pau-de-sebo
Foto: Imagem Gerada por IA
O pau-de-sebo é uma brincadeira comum nas festas juninas e em outras celebrações populares do Brasil. Também conhecido como mastro de cocanha ou poste engraxado, o desafio consiste em subir em um mastro coberto com uma substância gordurosa para alcançar um prêmio colocado no topo.
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As regras são simples, mas a brincadeira exige força, equilíbrio e estratégia. Truques como subir nos ombros de outro participante costumam ser permitidos. A maioria das tentativas termina com quedas e muita sujeira de graxa. Quem consegue chegar ao topo costuma tocar um sino para anunciar a vitória.
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Em Salvador, a brincadeira era comum em festas populares até meados dos anos 1950. O fotógrafo Pierre Verger registrou o pau-de-sebo em 1948, durante a tradicional festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, celebrada em 8 de dezembro. A brincadeira também fazia parte das celebrações de Nossa Senhora da Purificação, realizadas em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. Depois, a tradição se espalhou e se tornou um dos símbolos das festas juninas do Nordeste.
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E segue viva até hoje. Em Natal, a brincadeira é realizada há quase trinta anos no bairro do Alecrim, por iniciativa do comerciante Washington Reis. O evento acontece no sábado que antecede o Dia de São João e reúne moradores e curiosos ao redor do mastro. A atividade foi interrompida apenas durante os anos da pandemia e voltou ao calendário local pouco depois.
Foto: Wikimedia Commons / Pandi Ahmad Gunawan
Mas como a brincadeira surgiu? A tradição chegou ao Brasil com os portugueses, junto às festas do Divino Espírito Santo. Em Portugal, o costume ainda existe na Póvoa de Varzim, onde faz parte das festas em homenagem à Imaculada Conceição. A prática também é conhecida em outros países europeus.
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Na Itália, o jogo é conhecido como "albero della cuccagna". Há registros de uma tradição semelhante desde a época romana, ligada às festas em homenagem a Saturno. A brincadeira também teve relação com os "alberi di maggio", árvores erguidas em rituais de origem céltica. Atualmente, a prática é reconhecida como esporte oficial pelo CONI, o comitê olímpico italiano.
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Na Espanha, a brincadeira é conhecida como "cucaña". O nome vem do País de Cocanha, uma terra imaginária descrita na literatura francesa medieval como um lugar de fartura e abundância. Segundo pesquisadores franceses, o mastro de cocanha surgiu no início do século 15 e passou a representar essa ideia popular por uma vida de abundância.
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O pintor Francisco de Goya retratou a brincadeira na obra "La Cucaña". A tela foi pintada entre 1786 e 1787, por encomenda da Duquesa de Osuna. A obra fazia parte de uma série criada para decorar o palacete "El Capricho", próximo a Madri. Atualmente, a pintura pertence a uma coleção particular na capital espanhola.
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