'Mussum, o filmis' em cartaz: relembre momentos da carreira do humorista

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Inspirado no livro no livro “Mussum – uma história de Humor e Samba”, de Juliano Barreto, a cinebiografia “Mussum – O filmis” retrata a vida e carreira de um dos maiores comediantes da história do humor brasileiro, que tinha forte ligação com o samba e para sempre será um eterno "Trapalhão".

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A produção pretende reconstruir a vida de Antônio Carlos Bernardes Gomes. A infância ficará a cargo de Tawan Lucas, enquanto na juventude Yuri Marçal defenderá o papel e na maturidade caberá a Ailton Graça reviver o humorista. Esse será o primeiro protagonista da carreira do carismático ator.

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“Vai ter, sim, os seus momentos de riso, mas o que ele pega é na emoção”, assinala o ator que dá vida ao personagem, sob a batuta de Silvio Guindane.

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Um dos destaques da película é a forte relação de Mussum com sua mãe Dona Malvina, que foi essencial em sua trajetória. As atrizes Cacau Protásio e Neusa Borges viverão a progenitora do célebre humorista nas telonas. Além dela, o longa trará personalidades da música como Cartola, Elza Soares, Alcione e Jorge Ben.

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Antes mesmo de chegar às telonas, o longa 'Mussum, O Filmis' foi o grande vencedor do Festival de Gramado de cinema. Na premiação, realizada em agosto, a obra recebeu seis Kikitos.

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Dentre eles, as estatuetas de melhor filme, melhor ator para Ailton Graça, melhor atriz coadjuvante para Neusa Borges, melhor ator coadjuvante para Yuri Marçal, melhor trilha musical, e melhor filme pelo júri popular.

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O ator Antônio Carlos Santana Bernardes Gomes Júnior, filho de Mussum, elogiou a produção do filme.  “Vocês retrataram de uma forma perfeita o velho [Mussum], e eu vou ter o maior prazer de, daqui a alguns anos, sentar com o meu filho e mostrar ele da forma mais aproximada que eu poderia mostrar”, disse. 

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“O Antônio Carlos nunca errou nas escolhas dele. Toda hora que mirou num alvo, ele foi e se deu bem. Ele se deixou levar. Eu também faço isso. Sou de religião de matriz africana e sigo o oráculo. Se ele diz para eu ir naquela direção, eu irei”, afirma Graça.

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Antônio Carlos Bernardes Gomes nasceu em 7 de abril de 1941, no morro de Cachoeirinha, em Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro, e teve uma infância humilde. Filho de uma empregada doméstica, Mussum ensinou a mãe a ler e era muito dedicado à família.

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Em 1954, Mussum concluiu o curso primário e três anos depois se formou em ajudante de mecânico no Instituto Profissional Getúlio Vargas na Fundação Abrigo Cristo Redentor.

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Em seguida, trabalhou em uma oficina na Zona Norte do Rio de Janeiro, no bairro do Rocha. Mas decidiu alçar voos maiores e ingressou na Força Aérea Brasileira, onde permaneceu por oito anos, alcançando a graduação de cabo

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Nessa mesma época, começou a se interessar pela música, sobretudo o samba, ao demonstrar seu talento tocando reco-reco no grupo musical Os Modernos do Samba. Tempos depois integrou o famoso grupo musical “Os Originais do Samba”, com várias músicas de sucesso.

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Entre os grandes sucessos de “Os Originais do Samba”, destacam-se canções como: O Assassinato do Camarão (1970); A Dona do Primeiro Andar (1970); O Lado Direito da Rua Direita (1972); Esperança Perdida (1972); Saudosa Maloca (1973) e Falador Passa Mal (1973).

Foto: Divulgação/Capa do disco do Originais do Samba

Apaixonado por carnaval, Mussum era torcedor da Mangueira, foi morador da comunidade e tinha envolvimento com a escola. Nela, foi diretor da ala das baianas e participou de projetos sociais. Em 2022, a escola Lins Imperial, que tem as mesmas cores da Estação Primeira, homenageou o humorista como enredo, na Série Ouro do carnaval carioca.

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Na vida pessoal, se casou pela primeira vez com Leny Castro dos Santos, moça da Mangueira, entre 1965 e 1969, e com ela teve um filho, Augusto Cezar. O segundo casamento foi com Neila da Costa Bernardes Gomes, que conheceu em 1972 e com quem permaneceu junto até o fim da vida. Eles tiveram um filho chamado Santos.

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Fora do casamento, Mussum teve mais três filhos. Entre eles está Paula Aparecida, fruto de um namoro com Maria Glória Fachini; Antonio Carlos Filho, fruto do namoro com a modelo Therezinha de Oliveira; e o ator Antônio Carlos Santana ("Mussunzinho"), fruto de um caso com Maira Santana de Moura. 

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Em 2019, ficou comprovado que o dentista Igor Palhano é filho biológico de Mussum, fruto de um envolvimento do trapalhão com Denildes Palhano.

Foto: Reprodução/@dr_igorpalhano

Em 1965, viu sua carreira artística decolar com a entrada no programa “Bairro Feliz”, da TV Globo, como humorista. Com um estilo inconfundível para sair de enrascadas, recebeu o apelido de Mussum, de ninguém menos que Grande Otelo, um renomado ator, cantor e comediante brasileiro.

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Como tinha talento para sair de situações embaraçosas, o humorista foi comparado a um peixe liso e escorregadio chamado "mussum". Grande Otelo tinha a habilidade de criar apelidos para os amigos e batizou a alcunha que ficou eternizada.

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Foi a partir de 1973 que o humorista se transformou em celebridade com a entrada no grupo "Os Trapalhões". No início, o elenco era composto por Renato Aragão, o Didi, Manfried Santana, o Dedé Santana, e, posteriormente, com a chegada de Mauro Gonçalves, o Zacarias

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Em duas décadas, 'Os Trapalhões" conquistaram o Brasil com esquetes criativas e que contribuíram para a formação do humor brasileiro. Além do programa de TV, foram inúmeros filmes populares, com sucesso de bilheteria no país.

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Antes disso, Didi e Dedé estrearam um programa de humor exibido pela TV Excelsior, chamado Adoráveis Trapalhões. Na ocasião, faziam parceria com o “galã” Wanderley Cardoso, o “diplomata” Ivon Curi e o “estourado” Ted Boy Marino, entre outros personagens.

Foto: Reprodução / Arquivo pessoal / TV Excelsior

Os Trapalhões estrearam em 1974, quando o produtor Wilton Franco lançou o humorístico na antiga TV Tupi. Na época, o programa era exibido aos domingos e foi um sucesso de audiência. Foi então que a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, conhecido como Boni, o quarteto se transferiu para a Rede Globo.

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Iniciaram dentro da Sexta Super, mas logo foram realocados para o domingo, em 1977, antes do Fantástico. Na Globo, o programa contava com esquetes, números músicas e era repleto de convidados. Com um estilo semelhante ao pastelão e chanchada, os números de humor contavam com paródias e cenas inspiradas em fatos do cotidiano.

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O sucesso era tanto que no dia 28 de junho de 1981, o quarteto ficou no ar com especial que durou incríveis sete horas, com a participação de atores da Globo e uma campanha de doação de órgãos e outras ações sociais. Dois anos depois, realizaram gravações externas com a Nordeste Urgente, que precedeu o atual Criança Esperança.

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Os anos de ouro do quarteto foram entre 1984 a 1989, quando bombavam na audiência e contavam com convidados especiais como Chico Anysio, e o grupo Balão Mágico. Em 1986, teve a primeira edição do Criança Esperança, enquanto em 88, surgiu o Quartel Trapalhão, com a participação de Roberto Guilherme, como Sargento Pincel.

Foto: Reprodução do site eja.abril.com.br/cultura/os-trapalhoes

Ao longo do programa, Mussum popularizou um estilo peculiar de falar, acrescentando as terminações "is" ou "évis" as palavras arbitrárias (como forévis, cacíldis, coraçãozis) e pelo seu inseparável "mé" (que era sua gíria para cachaça).

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O grupo, então, sofreu com a perda de Mauro Gonçalves, o eterno Zacarias, vítima de insuficiência respiratória, em 1990. Quatro anos depois, Mussum descobriu que tinha miocardiopatia dilatada, doença em que o coração aumenta seu tamanho, o que gera dificuldade em suas funções principais.

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Em 29 de julho de 1994, aos 53 anos, às 2h45, Mussum deixou o Brasil mais triste ao morrer no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. O humorista havia passado por um transplante de coração, porém teve sérias complicações e não resistiu, deixando um país com saudades de seu carisma e sorriso no rosto.

Foto: Reprodução/TV Globo

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