Jorge Amado: a vida, os personagens e o legado do escritor que levou a Bahia para o mundo
Foto: Bernard Gotfryd/Wikimédia Commons
Há 25 anos, em 6 de agosto de 2001, morreu Jorge Amado, um dos mais célebres escritores brasileiros. O autor baiano tinha 88 anos e faleceu apenas quatro dias antes de completar 89. Com a saúde debilitada, passou mal em Salvador e sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Foto: Bernard Gotfryd/Wikimédia Commons
Jorge Amado deixou uma herança literária e cultural que atravessa gerações. Em suas obras, retratou o povo, os costumes, os sabores, os amores e as contradições da Bahia, sua terra natal. Seus livros também ajudaram a projetar aspectos da cultura brasileira pelo mundo.
Foto: Bernard Gotfryd/Wikimédia Commons
Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 10 de agosto de 1912, na região de Itabuna, no sul da Bahia. Ainda criança, mudou-se com a família para Ilhéus, onde cresceu em meio ao universo do cacau. A região marcaria profundamente sua vida e apareceria em diversas de suas obras.
Foto: - Reprodução do Flickr Arquivo Nacional do Brasil
A região cacaueira do sul da Bahia, marcada por disputas de poder, conflitos sociais e dramas humanos, inspirou muitos dos livros de Jorge Amado. Esse universo aparece com força em obras como “Cacau”, “Terras do Sem-Fim” e “São Jorge dos Ilhéus”.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Ilhéus
Na adolescência, Jorge Amado mudou-se para Salvador e, mais tarde, seguiu para o Rio de Janeiro. Na então capital federal, cursou Direito e se formou em 1935. Apesar do diploma, nunca exerceu a advocacia, dedicando-se à literatura e à atividade política.
Foto: Domínio Público/Wikimédia Commons
Desde jovem, Jorge Amado atuou no jornalismo e na política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foi preso durante o Estado Novo e, em diferentes períodos, viveu no exílio. Passou pela Argentina, Uruguai, França e Tchecoslováquia, onde permaneceu por alguns anos.
Foto: - Domínio Público/Wikimédia Commons
A obra de Jorge Amado costuma ser dividida em dois grandes momentos. O primeiro, marcado pelo forte engajamento político e social, inclui romances como “Cacau”, “Suor” e “Jubiabá”, nos quais o escritor aborda a exploração dos trabalhadores, a pobreza e as desigualdades da sociedade brasileira.
Foto: Fundação Jorge Amado
Nos anos seguintes, sem abandonar a crítica social, Jorge Amado passou a valorizar ainda mais a cultura popular brasileira. Suas obras ganharam personagens exuberantes e tramas marcadas pelo humor, pela sensualidade, pela religiosidade e pelos costumes da Bahia.
Foto: Flickr Ricardo Timão
Personagens como Gabriela, Dona Flor e Tieta ultrapassaram as páginas dos livros e conquistaram enorme popularidade no cinema e na televisão. Adaptações de obras como “Gabriela, Cravo e Canela”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Tieta do Agreste” ajudaram a projetar ainda mais o universo de Jorge Amado no Brasil e no exterior.
Foto: - Divulgação
A adaptação de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, dirigida por Bruno Barreto, tornou-se um fenômeno do cinema brasileiro. Lançado em 1976, o filme com Sônia Braga e José Wilker levou 10,7 milhões de espectadores às salas e manteve o recorde de público nacional até 2010, quando foi superado por “Tropa de Elite 2”.
Foto: Reprodução/ Dona Flor E Seus Dois Maridos
A obra de Jorge Amado alcançou enorme projeção internacional, com livros publicados em mais de 50 países e traduzidos para 49 idiomas, além de dialetos. Com milhões de exemplares vendidos, ele se consolidou como um dos escritores brasileiros mais lidos e conhecidos no mundo.
Foto: Flickr Governo Memória
Jorge Amado foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1961 e recebeu diversas distinções ao longo da carreira. Entre elas está a Legião de Honra da França, concedida no grau de Comendador em 1984. Seu reconhecimento internacional também contribuiu para ampliar a projeção da literatura brasileira no exterior.
Foto: Fundação Jorge Amado
A obra de Jorge Amado também dialogou intensamente com a música brasileira. Amigo de Dorival Caymmi, o escritor viu personagens de seus livros inspirarem canções, como “Modinha para Gabriela”, composta por Caymmi para a novela “Gabriela”, de 1975. Interpretada por Gal Costa, a música ajudou a eternizar a personagem.
Foto: Fundação Jorge Amado
Jorge Amado manteve profunda ligação com as festas populares e o candomblé da Bahia, chegando a ser obá de Xangô no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. A religiosidade, os ritmos, as celebrações e outras expressões da cultura afro-brasileira aparecem com frequência em seus romances e ajudaram a construir o universo baiano retratado pelo escritor.
Foto: Fundação Jorge Amado
Ao lado de Zélia Gattai, também escritora, Jorge Amado construiu uma longa parceria afetiva e intelectual, marcada pela literatura, pela política e pela cultura brasileira. Os dois começaram a viver juntos em 1945 e permaneceram unidos até a morte do escritor, em 2001, numa relação que durou 56 anos.
Foto: Acervo Zélia Gattai/Fundação Jorge Amado
Da união com Zélia Gattai nasceram João Jorge, em 1947, e Paloma, em 1951. Jorge Amado também era pai de Lila, nascida em 1933, filha de seu primeiro casamento, com Matilde Garcia Rosa.
Foto: Acervo Zélia Gattai/Fundação Jorge Amado
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Foto: Bernard Gotfryd/Wikimédia Commons