'Van Gogh brasileiro': conheça o artista paranaense Miguel Bakun, que foi 'redescoberto' após a morte
Foto: Montagem/Divulgação/Simões de Assis
Durante muito tempo, o paranaense Miguel Bakun permaneceu à margem do reconhecimento concedido a outros grandes nomes da arte brasileira, apesar de sua produção singular e da força expressiva de suas obras. Nascido no Paraná em 1909, o artista desenvolveu uma obra marcada por cores intensas, especialmente tons de amarelo, azul e branco, característica que levou críticos a estabelecer paralelos com o trabalho de Vincent van Gogh. A comparação surgiu ainda na década de 1940 e voltou a ganhar destaque anos mais tarde, quando exposições e estudos passaram a reavaliar sua contribuição para a arte nacional.
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Descendente de imigrantes eslavos, Bakun enfrentou dificuldades desde cedo. Trabalhou em diferentes profissões para garantir a sobrevivência, incluindo atividades como alfaiate, fotógrafo e decorador de letreiros. Na juventude, ingressou na Marinha, período em que sofreu um grave acidente após uma queda que deixou sequelas permanentes. Foi também nessa época que conheceu o artista José Pancetti, cuja amizade teve papel importante em seu interesse pelas artes visuais.
Foto: Domínio Público
Na década de 1950, o criador atingiu sua maturidade produtiva, embora jamais tenha alcançado estabilidade financeira. Mesmo nos anos de maior produção artística, viveu de forma simples e distante dos principais centros culturais do país. Suas obras costumam retratar paisagens, lagos, bosques, praias e cenários naturais que se afastam da imagem ensolarada e exuberante frequentemente associada à arte brasileira do século 20.
Foto: Domínio Público
Em seus quadros, a natureza aparece carregada de emoção, mistério e introspecção, refletindo uma visão profundamente pessoal do mundo. Ao longo da carreira, Bakun desenvolveu uma linguagem própria, caracterizada por atmosferas melancólicas e por uma relação quase espiritual com a paisagem.
Foto: Divulgação/MON
Em suas obras mais tardias, formas e elementos da natureza passaram a assumir aspectos mais simbólicos, o que levou alguns especialistas a identificar aproximações com o surrealismo. Sua trajetória também apresenta semelhanças com a de Van Gogh em aspectos pessoais, já que ambos enfrentaram problemas emocionais e tiveram vidas marcadas por sofrimento e incompreensão.
Foto: Domínio Público
Em 1963, aos 53 anos, Bakun tirou a própria vida em seu ateliê. Com o passar das décadas, porém, sua produção começou a receber maior atenção de pesquisadores, críticos e colecionadores, consolidando seu nome como um dos artistas mais originais e expressivos das artes plásticas brasileira do século 20.
Foto: Reprodução
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