Stephen Hawking: biografia revela 'lado sombrio' do genial cientista
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A primeira biografia autorizada do físico Stephen Hawking propõe uma visão menos convencional sobre a vida do célebre cientista. Em “Hawking: his life and work” (2026), ainda sem tradução para o português, o escritor Graham Farmelo reúne documentos inéditos da família e de outras fontes para reconstruir a trajetória do britânico. Além de abordar sua importância para a ciência, a obra examina aspectos de sua personalidade que acabaram ofuscados pela fama e pela condição de saúde. Relatos de familiares, colegas e antigos alunos ajudam a compor esse retrato mais amplo, de acordo com publicação do jornal britânico "The Guardian".
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Morto em março de 2018, aos 76 anos, Hawking conviveu por décadas com a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que compromete progressivamente músculos e movimentos. Segundo a perspectiva apresentada no livro, entretanto, sua história não deve ser resumida à enfermidade ou à imagem de superação associada a ela. De acordo com a publicação inglesa, os depoimentos reunidos por Farmelo também descrevem um homem narcisista e muito competitivo em relação a outros cientistas.
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Stephen William Hawking nasceu em 8 de janeiro de 1942, em Oxford, na Inglaterra, e passou parte da infância em Londres antes de a família se mudar para St Albans. Em 1959, ingressou na University College Oxford para estudar Ciências Naturais, com especialização em física. Concluiu a graduação com distinção e, em 1962, seguiu para Cambridge para iniciar o doutorado. Na universidade, passou a trabalhar sob orientação do cosmólogo Dennis Sciama e aproximou-se de questões fundamentais sobre a origem do Universo.
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Ainda no início da carreira acadêmica, Hawking recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica, aos 21 anos. A doença provocaria uma perda progressiva de seus movimentos e, posteriormente, comprometeria sua capacidade de falar. Mesmo diante das limitações físicas, ele continuou sua pesquisa em cosmologia e concluiu o doutorado em 1966, com uma tese sobre universos em expansão. No mesmo período, suas pesquisas começaram a estabelecer uma relação cada vez mais estreita entre a origem do Universo e os fenômenos previstos pela teoria da relatividade, de Albert Einstein.
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A colaboração e o diálogo intelectual com Roger Penrose foram importantes para o desenvolvimento das pesquisas de Hawking sobre singularidades gravitacionais. Os trabalhos dos dois ajudaram a sustentar matematicamente a ideia de que o Universo poderia ter tido uma origem no Big Bang. Hawking também passou a investigar os buracos negros, então ainda cercados por muitas questões teóricas. Seus estudos demonstraram que esses objetos apresentavam propriedades que aproximavam a gravidade de conceitos da termodinâmica. Em 2007, Hawking experimentou a gravidade zero durante um voo a bordo de um Boeing 727 modificado.
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Em 1974, Hawking apresentou uma de suas descobertas mais conhecidas: a previsão de que os buracos negros poderiam emitir radiação, fenômeno posteriormente denominado radiação Hawking. A conclusão contrariava a concepção então predominante de que nada poderia escapar desses objetos cósmicos. O trabalho teve grande impacto na física teórica e colocou seu nome definitivamente entre os principais pesquisadores da área. Cinco anos depois, ele assumiu a Cátedra Lucasiana de Matemática em Cambridge, posto que havia sido ocupado anteriormente por Isaac Newton.
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A fama de Hawking ultrapassou os limites das universidades especialmente após a publicação de “Uma Breve História do Tempo”, em 1988. O livro transformou conceitos complexos sobre espaço, tempo, buracos negros e origem do Universo em uma obra voltada ao grande público, tornando-se um fenômeno editorial. Sua vida foi retratada no filme “A Teoria de Tudo” (2014), que rendeu o Oscar de melhor ator a Eddie Redmayne (foto).
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Ao longo dos anos, Hawking recebeu importantes honrarias e permaneceu ligado à Universidade de Cambridge, onde se aposentou da Cátedra Lucasiana em 2009. Ele continuou atuando como pesquisador e divulgador científico até os últimos anos de vida, além de defender publicamente questões relacionadas à acessibilidade e aos direitos das pessoas com deficiência. Stephen Hawking morreu em Cambridge em 14 de março de 2018, aos 76 anos, deixando uma produção científica e uma trajetória que o transformaram em uma das figuras mais reconhecidas da ciência contemporânea.
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