Veneno que pode virar remédio: escorpião da Amazônia surpreende cientistas em pesquisa contra o câncer de mama
Foto: Escorpião da Amazônia - Pedro Ferreira Bisneto/iNaturalist
Pesquisadores brasileiros identificaram no veneno do escorpião Brotheas amazonicus, encontrado na Amazônia, uma molécula com potencial para auxiliar no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer de mama. O estudo é conduzido pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP, em colaboração com o Inpa e a UEA.
Foto: Escorpião da Amazônia - Pedro Ferreira Bisneto/iNaturalist
Resultados preliminares, apresentados na FAPESP Week França em junho de 2025, mostraram que a molécula BamazScplp1 teve, em testes com células de câncer de mama, ação comparável à do paclitaxel, quimioterápico usado no tratamento da doença. A descoberta, porém, ainda está em fase experimental e não representa um novo medicamento disponível para pacientes.
Foto: Unsplash / National Cancer Institute
Um dos resultados mais avançados dessas pesquisas é um selante de fibrina desenvolvido a partir de uma enzima obtida do veneno de serpente. A “cola biológica” ajuda a unir tecidos e vem sendo estudada em diferentes aplicações, como reparação de nervos periféricos, fraturas ósseas e lesões da medula espinhal.
Foto: Reprodução/TV Unesp
Um dos resultados mais avançados dessas pesquisas é um selante de fibrina desenvolvido a partir de uma enzima obtida do veneno de serpente. A “cola biológica” ajuda a unir tecidos e vem sendo estudada em diferentes aplicações, como reparação de nervos periféricos, fraturas ósseas e lesões da medula espinhal.
Foto: Divulgação
O Brotheas amazonicus é um escorpião da família Chactidae encontrado na região amazônica e ainda pouco estudado em comparação com espécies de maior importância médica no Brasil. Seu veneno passou a despertar interesse científico pela presença de moléculas bioativas com potencial para aplicações na medicina.
Foto: Gerry van Tonder/iNaturalist
Como outros escorpiões, o Brotheas amazonicus possui quatro pares de patas e pedipalpos que terminam em pinças. Na extremidade da cauda fica o télson, estrutura que abriga as glândulas produtoras de veneno e termina no ferrão usado para inoculá-lo.
Foto: Rogério Gribel/iNaturalist
Como ocorre com muitos escorpiões, o Brotheas amazonicus tende a permanecer escondido durante o dia e apresentar maior atividade à noite. Abrigos naturais, como troncos, folhas e outros materiais no solo da floresta, oferecem proteção, enquanto pequenos invertebrados fazem parte da alimentação dos escorpiões.
Foto: Divulgação/Thiago G. Carvalho
Diferentemente de escorpiões de maior importância médica, o Brotheas amazonicus possui veneno de baixa toxicidade para seres humanos, com acidentes associados principalmente a sintomas locais leves. Na natureza, suas toxinas ajudam a imobilizar pequenas presas, especialmente insetos, facilitando sua captura.
Foto: Artur Moes/UERJ
Como predador de pequenos invertebrados, o Brotheas amazonicus participa da cadeia alimentar dos ambientes amazônicos em que vive. Ao consumir insetos e outras presas, integra as relações ecológicas da floresta e, ao mesmo tempo, pode servir de alimento para outros animais.
Foto: Reprodução/YouTube
O veneno do Brotheas amazonicus apresenta baixa toxicidade para seres humanos, diferentemente do de algumas espécies brasileiras de maior importância médica. Suas toxinas estão relacionadas principalmente à captura e imobilização de pequenas presas. Ainda assim, uma picada pode provocar dor e outros sintomas locais.
Foto: Wikimedia Commons/Ythier E (2018)
Bem diferente é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), de grande importância médica no Brasil e muito adaptado aos ambientes urbanos. Seu veneno pode causar quadros graves, sobretudo em crianças. A espécie também chama atenção pela partenogênese: as fêmeas conseguem se reproduzir sem a fecundação por machos.
Foto: flickr - José Roberto Peruca
A conservação da floresta amazônica também é importante para espécies ainda pouco conhecidas pela ciência, como o Brotheas amazonicus. O desmatamento e a degradação dos habitats ameaçam a biodiversidade da região e podem fazer desaparecer organismos antes mesmo que seu potencial ecológico e científico seja plenamente conhecido.
Foto: Reprodução/YouTube
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Foto: Escorpião da Amazônia - Pedro Ferreira Bisneto/iNaturalist