Lagartas podem acabar com plantações e até causar queimaduras; conheça espécies e veja cuidados

Foto: Michael Reichelt/Pixabay

Poucas criaturas simbolizam tão bem a transformação da natureza quanto as lagartas. Discretas, coloridas e por vezes perigosas, elas habitam florestas, jardins e até o interior de casas sem que se perceba a sua presença. Apesar de representarem apenas uma fase da vida de borboletas e mariposas, elas exercem papel ecológico essencial nos ecossistemas em que vivem. Conhecer suas características é uma forma de respeitar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, saber como se proteger dos riscos que algumas espécies podem oferecer. Veja a seguir um retrato completo desses fascinantes invertebrados!

Foto: Michael Reichelt/Pixabay

As lagartas são as larvas dos lepidópteros — a ordem dos insetos que engloba borboletas e mariposas — e representam uma das fases mais fascinantes e ecologicamente relevantes do ciclo de vida desses animais. Apesar de frequentemente associadas a imagens simples e poéticas, como a sua transformação em borboleta, esses organismos são, na prática, criaturas complexas, com adaptações extraordinárias que variam de espécie para espécie e de habitat para habitat.

Foto: Delphine Chomel/Pixabay

O corpo alongado e segmentado tem uma textura macia e, em muitos casos, cores variadas que vão de tons discretos até padrões vibrantes. Algumas espécies utilizam coloração chamativa como aviso para predadores, enquanto outras recorrem à camuflagem, imitando folhas, galhos ou resíduos orgânicos. Essa diversidade de estratégias aumenta as chances de sobrevivência em ambientes naturais distintos, como florestas tropicais, campos abertos e até áreas urbanas.

Foto: Justin Lauria/Unsplash

A anatomia das lagartas inclui três pares de patas verdadeiras e estruturas adicionais conhecidas como "falsas patas abdominais", que garantem firmeza ao se locomover sobre superfícies vegetais. A alimentação baseia-se principalmente em folhas, flores e frutos, e muitas espécies apresentam preferência por plantas específicas.

Foto: Pexels/Ankit Rainloure

Durante essa fase da alimentação, as lagartas acumulam energia e nutrientes suficientes para sustentar a metamorfose que virá a seguir. As espécies são incontáveis — estima-se que existam mais de 180 mil espécies de lepidópteros no mundo, e cada uma passa pelo estágio larval.

Foto: Lasclay/Unsplash

Entre as mais conhecidas está a lagarta-do-cartucho, da espécie Spodoptera frugiperda, uma das pragas agrícolas mais destrutivas do Brasil e de outras regiões tropicais. Ela ataca plantações de milho, arroz, sorgo e algodão, e pode causar prejuízos bilionários à agricultura. Seu nome popular vem do hábito de se esconder no interior das folhas enroladas das plantas jovens, onde devora o tecido vegetal protegida de predadores.

Foto: Wikimedia Commons/Ernani Zimmermann

Outra espécie amplamente conhecida é a lagarta-da-maçã, Cydia pomonella, responsável por danos significativos em pomares de maçã, pera e noz ao redor do mundo. Ao contrário da lagarta-do-cartucho, ela penetra diretamente no interior dos frutos, onde se alimenta da polpa e das sementes, tornando o produto impróprio para consumo.

Foto: Domínio Público

No extremo oposto do espectro está a lagarta da borboleta-monarca, Danaus plexippus. Listrada em amarelo, preto e branco, ela se alimenta exclusivamente de plantas do gênero Asclepias, conhecidas como algodão-de-seda. Essas plantas contêm compostos tóxicos que a lagarta absorve e armazena no próprio corpo, tornando-se venenosa para predadores.

Foto: Flickr - Judy Gallagher

A coloração vibrante funciona como um aviso — estratégia conhecida como aposematismo —, e esse mecanismo de defesa se mantém mesmo após a metamorfose, na borboleta adulta. A lagarta-de-fogo, nome popular dado a diversas espécies de lagartas cobertas por cerdas urticantes, é outro exemplo de adaptação defensiva eficaz. O contato com seus espinhos pode provocar dor intensa, queimaduras e até distúrbios hemorrágicos, exigindo atendimento médico imediato.

Foto: Flickr José Roberto Peruca

Dentro de casa, a presença de lagartas costuma ocorrer por meio de plantas ornamentais, hortas domésticas ou entrada acidental por portas e janelas. Para lidar com a situação, o método mais seguro envolve evitar contato com as mãos nuas e utilizar luvas ou objetos para removê-las. No Brasil, a Lonomia obliqua, encontrada principalmente na região Sul do país, é considerada uma das mais perigosas do mundo.

Foto: José Felipe Batista/Comunicação Butantan

Seu contato com a pele humana pode causar reações que vão desde irritação local até quadros hemorrágicos graves, potencialmente fatais. As cerdas da Lonomia liberam substâncias anticoagulantes que interferem na capacidade do sangue de coagular, e casos de morte por contato com essa espécie já foram registrados no Brasil.

Foto: José Felipe Batista/Comunicação Butantan

Entre as lagartas mais longas já documentadas estão as da mariposa Atlas, Attacus atlas, nativa das florestas tropicais e subtropicais da Ásia. Suas lagartas podem atingir até 10 centímetros de comprimento e são cobertas por uma camada esbranquiçada que as protege da desidratação. A mariposa adulta, por sua vez, é uma das maiores do mundo, com envergadura que pode ultrapassar 25 centímetros.

Foto: Wikimedia Commons/© 2018 Jee e Rani Nature Photography

O habitat das lagartas é tão variado quanto suas espécies. Enquanto algumas vivem exclusivamente em florestas tropicais úmidas, outras se adaptaram a ambientes áridos, campos abertos, regiões de altitude elevada e até ambientes aquáticos. Lagartas da família Crambidae, por exemplo, passam parte de seu ciclo de vida subaquáticas, alimentando de plantas aquáticas em lagos e rios.

Foto: Reprodução/Pixabay

Do ponto de vista ecológico, as lagartas desempenham um papel fundamental nas cadeias alimentares. São fonte de proteína para aves, mamíferos, répteis e outros insetos, e sua abundância ou escassez pode afetar populações inteiras de predadores. Ao mesmo tempo, sua atividade de alimentação contribui para a ciclagem de nutrientes nas florestas e para a dispersão de sementes em alguns casos.

Foto: Lim Yangmook - Wikimnédia Commons

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Foto: Michael Reichelt/Pixabay