Estudo científico altera percepção histórica envolvendo dinossauros com chifres
Uma nova pesquisa publicada na revista Nature no início de janeiro de 2026 derrubou a crença de que os dinossauros com chifres, como o Triceratops, nunca viveram na Europa.
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Por muito tempo, acreditou-se que os grandes dinossauros com chifres existiram apenas na América do Norte e na Ásia, já que não havia registros fósseis desse grupo no continente europeu.
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Essa visão começou a mudar com um estudo que reexaminou materiais encontrados na Hungria.
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A pesquisa, conduzida pela paleontóloga Susannah C. R. Maidment, utilizou métodos avançados para analisar restos atribuídos ao Ajkaceratops kozmai.
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Foram reveladas características típicas dos ceratopsianos, como um bico curvado e um palato arqueado — traços comuns dos dinossauros com chifres.
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Historicamente, muitos desses fósseis eram classificados como pertencentes aos iguanodontídeos, por apresentarem semelhanças externas com esse grupo.
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Segundo os pesquisadores, essa interpretação equivocada ocorreu porque ambos compartilham um ancestral distante.
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Além disso, os iguanodontídeos e os ceratopsianos desenvolveram traços parecidos ao longo da evolução.
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O fato de os materiais europeus estarem incompletos e mal preservados é outro fator que contribuía para a confusão.
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A revisão não se limitou a essa espécie. Outros exemplares europeus também foram reavaliados, revelando erros de identificação mantidos por décadas.
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Um dos casos mais simbólicos envolve um fóssil da Romênia que mudou de nome: antes chamado Zalmoxes shqiperorum, passou a ser classificado como Ferenceratops shqiperorum.
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O paleontólogo Franz Nopcsa tinha uma teoria de que a Europa do período Cretáceo teria abrigado linhagens peculiares em ambientes insulares — hipótese que ele não conseguiu comprovar.
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Ao mesmo tempo, os novos dados colocam em xeque a ideia de que a fauna europeia era isolada das demais regiões do planeta.
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A identificação de ceratopsianos sugere que o continente pode ter funcionado como uma rota de dispersão entre a Ásia e a América do Norte, por meio de ilhas e pontes terrestres.
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As descobertas alteram a forma como se interpreta a história evolutiva da região.
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Com isso, espera-se que agora museus europeus revisem seus acervos, já que fragmentos antes ignorados podem conter segredos cruciais sobre a evolução dos herbívoros.
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