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Red Martin ou Green Bull? Mais uma história de cópia na F1

Copiar também é uma forma de desenvolver na F1. E a Aston Martin se "inspirou livremente" na Red Bull para trazer novidades para Barcelona

19 mai 2022 15h57
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AMR 22 e Red Bull RB18: criatura e criador se encontram em Barcelona
AMR 22 e Red Bull RB18: criatura e criador se encontram em Barcelona
Foto: Albert Fabrega e Tobi Gruener / Twitter

Ao longo da história da F1, vimos muita gente aplicar os lemas “nada se cria, tudo se copia” e “copia, mas não faz igual”.  Podemos listar diversos exemplos aqui. E para o GP da Espanha, tivemos mais uma página sendo escrita neste campo.

Desde a pré-temporada, se falava que a Aston Martins já havia localizado que o AMR22 tinha problemas sérios na geração de pressão aerodinâmica e de arrasto excessivo. Com o regulamento novo, mesmo com o alto grau de definição dado pelas regras, vimos muitas interpretações diferentes pelas equipes (até falamos nisso aqui).

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Só que copiar também é uma forma de desenvolvimento. Tanto que não são poucos que falavam (aqui também) que a tendencia futura é a convergência para conceitos que deram certo. E quem sabe indo até além do que foi concebida inicialmente. Mais uma vez a história se repetindo...

Voltando à Aston Martin. A equipe capitaneada por Andrew Green e Luca Furbatto procurou aperfeiçoar o AMR22 dentro das possibilidades do conceito original e das limitações de uso de túnel de vento e computadores. Não é tão fácil simplesmente copiar. Uma vez um conceito é estabelecido, a equipe se vê atrelada a ele. E uma parte dos analistas defendem que a Aston havia feito um carro mais básico para justamente partir para ajustes maiores posteriormente.

A equipe optou por mexer na posição dos radiadores, de modo a poder mudar o desenho das laterais. Desde o início do ano, o AMR22 era quem tinha a montagem mais convencional de refrigeração dos carros com motores Mercedes. A equipe tirou os radiadores de uma posição quase horizontal para uma mais inclinada. Isso permitiu a adoção de um desenho mais esculpido e semelhante ao da Red Bull RB18, como a foto inicial aqui mostra.

Este conceito deixa a lateral mais estreita (menos arrasto) e permite aumentar o direcionamento de ar por baixo da entrada de ar lateral, bem como para a parte traseira do carro, onde o braço da suspensão acaba por funcionar também como um gerador de pressão aerodinâmica.

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Comparação de Mercedes, Red Bull e Ferrari: o desenho dos taurinos permite um arrasto menor e maior direcionamento de ar para a traseira
Foto: Felipe Meira / Twitter

Esta configuração também melhor o ar que passa pelo lado do carro, promovendo uma maior “selagem” do piso, aumentando a geração do efeito solo pelo assoalho. Já que as saias não são permitidas por regulamento, o povo da aerodinâmica usa os fluxos para fazer as vezes de limitadores para poder canalizar o ar por debaixo do carro.

A observar também como vai se comportar a refrigeração. A Aston usava grandes aberturas no alto da lateral, muito semelhantes as da Ferrari. Agora, passou a usar um esquema mais parecido com o da Mercedes, próximo ao apoio lateral do piloto.

O fato é que o AMR 22 ficou extremamente parecido com a Red Bull RB18 e já foi apelidada de Red Martin ou Green Bull. Pouco importa para eles: o que querem é um ganho de desempenho. E copiar é o modo mais fácil de fazer. Se vai dar certo, aí já é outro esquema.

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