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Na F1, corrida não se vence só na pista

As discussões políticas seguem na F1 e fazem parte do esporte. Não bastam somente ter bons pilotos e técnicos. Diplomacia é importante.

23 jun 2022 - 18h10
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Binotto (Ferrari), Horner (Red Bull) e Shovlin (Mercedes) em Monaco. Diplomacia é parte importante na F1.
Binotto (Ferrari), Horner (Red Bull) e Shovlin (Mercedes) em Monaco. Diplomacia é parte importante na F1.
Foto: FIA / Divulgação

Esta é uma frase que sempre uso em conversas e aqui nos textos. A política existe em todo aspecto da vida e não é diferente com a F1. Mais uma vez vemos a movimentação de forças para cada um resolver seus interesses. Soa até engraçado ver a declaração do Presidente da FIA semana atrás dizendo que a política não pode entrar no esporte.

Quem acompanha a F1 sabe o quão política a categoria é. Estamos observando mais uma página desta longa história que ainda terá muitas páginas. O fato é:  Em uma disputa que qualquer brecha faz diferença e cada um vai tentar puxar a sardinha para o seu lado. Mesmo que gere inumeras cortinas de fumaça.

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A Diretriz Técnica da FIA que introduzia a questão do controle do porpoising criou um terremoto e pareceu ter um único vencedor: Toto Wolff. Afinal, temos visto a Mercedes sofrer para poder acertar o W13 para os efeitos do porpoising. A alegação da entidade para agir foi a integridade dos pilotos, mas o tamanho do esforço para poder levantar todas as variantes do processo fizeram a aplicação ser postergada para frente (falamos nisso aqui e aqui).

Mas não bastou a FIA atuar. Justamente a sua intervenção acabou por levantar uma série de dúvidas. Mattia Binotto, chefe da Ferrari, questionou a situação da Mercedes já ter levado para o Canadá um assoalho já adaptado conforme a nova Diretiva, que saiu na quinta-feira, no que foi apoiado por Otmar Szafnauer, comandante da Alpine, que inclusive prometeu entrar com um protesto.

Nos próximos dias, teremos uma nova reunião das equipes com a gestão da F1 e da FIA para tratar este assunto. Não seria uma surpresa se houvesse um novo recuo da FIA na implementação das novas medições até pelo fato de os times trazerem modificações para Silverstone e do circuito ter uma superfície mais plana do que os anteriores.

O fato é que, para modificações, não é mais necessária a unanimidade (8 dos 10 times aprovando vale). Como dito antes, cada um quer ver seus interesses, embora haja as zonas de influência dos fabricantes: Mercedes tem Williams, Aston Martin e McLaren; Ferrari tem Sauber/Alfa Romeo e Haas. Red Bull tem a AlphaTauri. Sobra a Alpine sozinha ao sabor do vento. Não é um alinhamento automático, mas há uma composição nas decisões.

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No quadro em questão, Toto Wolff acaba aparecendo isolado, pois está claramente manobrando a seu favor. Red Bull e Ferrari se alinham pois entendem que conseguiram ter o melhor entendimento do regulamento e não podem ser penalizadas. E há sim a sombra de que havia favorecimento, pois a secretária geral interina da área de monopostos da FIA foi até outro dia assessora especial da Mercedes. No mínimo, é muito estranho.

Até o momento, as placas vão se acomodando: A Alpine já deu demonstrações de que até vê com bons olhos os controles, mas desde que não venha a trazer modificações nas atuais correlações de força. A Mercedes curiosamente diz que acredita ter resolvido os problemas de porpoising do W13.  O fato é que este tiro no curto prazo acaba por dar um foco mais à frente: mesmo que os controles sejam introduzidos (começo a acreditar que será após as férias de verão), os técnicos querem a volta dos amortecedores de massa.

Como falamos aqui, a simplificação das suspensões, juntamente com a volta do efeito solo e o pneu com perfil mais baixo, fez os carros ficarem extremamente duros (falamos disso em março aqui). Isso também ajuda a ampliar a questão da quicada, gerada pela suspensão. Com isso tudo, o carro recebe muito mais força e vibra mais. Para ajudar a tratar isso, os técnicos voltam a querer a volta dos amortecedores de massa (os inertizadores ou inerters) para o ano que vem. Não resolveria, mas ajudaria a deixar os carros mais macios e facilitaria a condução. Quem adoraria isso seria a... Mercedes.

Aguardemos os próximos passos. Em uma disputa em que não só os engenheiros atuam, mas também os advogados para fazer toda a interpretação possível, a dissuasão faz muita diferença. Muitas vezes, na F1, ganha quem tem a melhor lábia. Na diplomacia, seria o chamado soft power. Afinal, nunca é demais lembrar: corrida não se vence só na pista.

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