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Honda e F1: a volta dos que não foram

Após anunciar sua saída, os japoneses seguirão na categoria de uma maneira diferente

28 jan 2022 10h46
| atualizado às 15h03
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Após anunciar oficialmente a saída, a Honda ainda fica na pista
Após anunciar oficialmente a saída, a Honda ainda fica na pista
Foto: Red Bull Content Pool

A Honda causou um certo terremoto na F1 ao anunciar a sua saída ao final de 2021. Afinal, após tanto tempo de sofrimento, os japoneses conseguiram chegar a um ponto extremamente competitivo e finalmente conseguiram um título com Max Verstappen após 30 anos (o último havia sido com Ayrton Senna em 1991). Até mesmo os envolvidos diretos no projeto lamentavam essa retirada justamente pelo momento em que acontecia.

Entretanto, a Red Bull, que era atendida em suas duas equipes, foi buscando formas de manter o envolvimento. Afinal de contas, com o “congelamento” dos motores até 2025, os custos de manutenção seriam mais baixos e seria possível aproveitar o trabalho feito. Desta forma, os taurinos chegaram a um acordo inicial de que a Honda faria a adaptação das atuais unidades para o combustível com 10% de etanol para este ano e a Red Bull criaria uma unidade para fazer a manutenção, a Red Bull Powertrains.

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A equipe começou um trabalho de adaptação de sua fábrica para receber o maquinário, bem como um processo pesado de recrutamento de profissionais para esta unidade, incluindo vários técnicos da Mercedes. Em paralelo, foi tendo conversas com a Honda para garantir algum suporte tecnológico para as UPs. Até se cogitou a transferência da unidade sediada na Inglaterra, juntamente com os técnicos existentes. 

Outra possibilidade que se aventou eram possíveis negociações com a Volkswagen estariam em curso para que recebessem os motores de alguma das marcas envolvidas no projeto F1 (Audi ou Porsche) a partir de 2026, quando entra o novo regulamento em vigor. As duas partes têm um bom relacionamento, pois a fábrica de energéticos foi patrocinadora por vários anos da equipe alemã no Mundial de Rally. Algo falado, tudo negado.

Algumas semanas atrás, a versão corrente era que Red Bull e Honda haviam chegado a um entendimento de que a montadora seguiria prestando serviços de manutenção e algum desenvolvimento para as unidades atuais até 2025, com a conta sendo paga pelos taurinos e a Honda ainda mantendo a propriedade intelectual sobre o projeto. Essa seria uma forma de impedir que a Red Bull pudesse repassar para outros parceiros o projeto japonês e se aproveitar de todo o trabalho feito. Neste quadro, os motores nem mais teriam o nome da montadora.

Após o anúncio feito esta semana de que Masashi Yamamoto, o responsável pelo projeto F1 na Honda, seria contratado como “consultor” para conduzir este novo acordo entre a Red Bull e os japoneses, a motorsport.com publicou nesta sexta em seu site que a Honda havia decidido manter seus esforços na F1 até 2025.

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Inicialmente, a posição da Honda se assemelhava muito ao que aconteceu no início da década de 90, quando saiu oficialmente da categoria  Embora não atuasse mais como fornecedora, a Mugen, empresa criada por Hirotoshi Honda, filho de Soichiro Honda, seguiu fazendo a manutenção dos V10 japoneses. Foi uma forma da montadora se manter em contato com o que estava acontecendo na categoria, prestando um suporte “velado”. Foi o que se chamou de “antena tecnológica”. A partir de 1998, a Honda passou a ter um maior envolvimento, até que anunciou seu retorno para 2000.

A ligação com a Red Bull Powertrains funcionaria de forma muito semelhante. Até porque a Honda não fechou a porta para voltar e via as novas regras com “bons olhos”, inclusive participando de algumas reuniões para a discussão do novo regulamento. Estar ainda envolvida com a categoria facilitaria este processo, sendo bem menos traumático do que foi o retorno em 2015. Afinal de contas, a pressão da competição faz diferença e permitiria ver o que está acontecendo, evitando somente os trabalhos de fábrica.

Sem contar que esta configuração ainda deixaria a Red Bull se preparando para ser uma nova fabricante a partir de 2026, fornecendo às suas duas equipes. A possibilidade Volkswagen ainda fica na mesa e os taurinos ainda teriam um pelo grupo de técnicos para trabalhar no projeto. Ou até mesmo seguir com a Honda, que não está claro ainda se continuaria botando sua marca nos motores ou apareceria de alguma forma até 2025. O fato é que os japoneses estão sendo protagonistas do “famoso” filme “A volta dos que não foram”. 

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