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Chevrolet Joy (antigo Onix) é uma compra sem sentido

Com a diferença de preço para a nova geração, o velho Joy 1.0 é um negócio irracional. Diferença é de R$ 900 (ou de R$ 120 no Joy Black)

19 mai 2020 13h06
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Chevrolet Joy: R$ 52.150 na versão básica e R$ 52.930 na versão Black.
Foto: GM / Divulgação

Com o último reajuste de preços, a GM “aumentou” a diferença entre os Chevrolet Joy e Onix. Para quem não sabe, o novo Joy é o velho Onix, porém com nome próprio. Já o novo Onix é a segunda geração do novo (velho) Joy. Deu para entender? Nem precisa, pois não faz mesmo o menor sentido. Vamos ao que é prático. Antes do reajuste, a diferença do Chevrolet Onix para o Chevrolet Joy era de R$ 840; para o Joy Black era de R$ 100. Agora, o novo Onix custa R$ 900 a mais que o Joy e R$ 120 a mais que o Joy Black. Faz sentido optar por um carro da geração anterior por causa dessa diferença? Não.

A menos que o cliente consiga um descontaço no Joy, a compra não se justifica de forma racional. No cenário de vendas muito baixas, é possível conseguir grandes descontos. Porém, isso vale também para o novo Onix. Segundo os preços sugeridos pela GM, o Chevrolet Joy custa R$ 52.150, o Joy Black sai por R$ 52.930 e o Onix de entrada passou para R$ 53.050. A única diferença prática entre o Joy básico e o Joy Black é o ajuste de altura do banco do motorista. Todo o resto é adereço visual que não deve pesar para quem está buscando um carro barato.

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O novo-velho Joy utiliza motor 1.0 aspirado de quatro cilindros.
Foto: GM / Divulgação

Entre o novo-velho Joy e o novo Onix, entretanto, as diferenças são grandes. Nem tanto na potência (apenas 2 cavalinhos a mais se estiver abastecido com etanol), mas em outros itens ligados ao motor. O torque, por exemplo. O Joy tem 96 Nm e o Onix tem 104 Nm. Mais: o torque máximo do Joy surge apenas a 5.200 rpm, enquanto no Onix ele está disponível a 4.100 rpm. Na prática, o novo Onix é muito mais ágil no trânsito do que o novo-velho Joy. Os dois motores são 1.0, porém de quatro cilindros no Joy e de três cilindros no Onix, com duplo comando de válvulas no cabeçote.

O motor 1.0 flex de quatro cilindros do Joy tem duas válvulas por cilindro, para compensar a falta de torque em baixas rotações. Já o motor 1.0 flex de três cilindros do Onix (que não é turbo como nas versões mais caras) tem quatro válvulas por cilindro. É um 8V contra um 12V. Os dois carros usam câmbio manual de seis marchas, mas as caixas são diferentes. Por não ser turbo, o motor de três cilindros do Onix não leva muita vantagem na relação peso/potência: 12,6 kg/cv contra 12,9. Portanto, na aceleração de 0-100 km/h eles são muito parecidos: 13,3 contra 13,4 segundos a favor do novo Onix.

Por dentro, o carro tem as boas características que fez do Onix um campeão de vendas.
Foto: GM / Divulgação

Quando se fala em consumo, as coisas começam a mudar e a compra do novo-velho Joy vai se tornando irracional. O Onix é mais econômico em todas as situações: com gasolina ou com etanol, na cidade ou na estrada (veja os números na tabela abaixo). Só um detalhe é favorável ao novo-velho Joy: o tanque de gasolina bem maior (54 litros contra 44), o que torna as idas ao posto de combustível menos frequentes. Porém, considerando os preços médios verificados pela Agência Nacional do Petróleo nesta semana (gasolina a R$ 3,808 e etanol a R$ 2,548), encher o tanque com gasolina vai custar R$ 206 no Joy e R$ 168 no Onix; encher com etanol vai custar R$ 138 no Joy e R$ 112 no Onix.

Autonomia (km/l) Joy Onix Dif.
Gasolina cidade  12,8 13,9 8%
Gasolina estrada  14,7 16,7  12%
Etanol cidade   8,8  9,9 11%
Etanol estrada 10,3 11,7  12%
O porta-malas do Joy tem 14 litros a mais do que o do novo Onix.
Foto: GM / Divulgação

A diferença torna-se gritante quando são analisados outros aspectos do novo-velho Joy e do novo Onix. O novo hatch da Chevrolet é 23,3 cm mais comprido, 2,5 cm mais largo e tem 2,3 cm a mais de distância entre-eixos. O espaço interno é bem maior. Ok, o porta-malas do Chevrolet Joy é 14 litros maior. Cabem sete garrafas de Coca-Cola 2 litros. Outro aspecto que pode ser considerado a favor do modelo antigo é o menor espaço para estacionar o carro (os tais 23,3 cm no comprimento e 2,5 cm na largura). Há também uma diferença nos pneus e nas rodas: 185/70 aro 14 (Joy) e 185/65 aro 15 (Onix). 

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O Chevrolet Joy nada mais é do que o velho Onix, mas ganhou nome próprio.
Foto: GM / Divulgação

Agora, por apenas R$ 900 a mais em relação ao Joy e R$ 120 a mais em relação ao Joy Black, o Chevrolet Onix de entrada entrega: airbags laterais, airbags de cortina, controle de estabilidade, controle de tração, assistente de partida em rampa, faróis com regulagem de altura, luz traseira de neblina, limitador de velocidade, vidros elétricos traseiros, banco traseiro bipartido, abertura interna do porta-malas, iluminação no porta-luvas e no porta-malas, rádio, entrada USB, conexão bluetooth, volante multifuncional, computador de bordo e marcador da temperatura externa.

Diante de tudo isso, resta a seguinte conclusão: desde o lançamento do novo Onix, o Chevrolet Joy passou a ser uma compra sem sentido. Como estratégia para a GM, faz sentido, claro. O Joy -- que é velho mas é vendido como novo -- serve de barreira caso algum concorrente baixe demais os preços. A GM poderia fazer a mesma coisa com o Chevrolet Joy, para defender sua liderança no mercado. A margem de manobra para descontos nesse carro é muito maior. Porém, quanto ao consumidor, que é o que nos interessa aqui, a compra do Joy nos preços sugeridos pela GM não vale a pena, seja para uso pessoal ou para uso comercial. A menos que o desconto no Joy seja bem grande ou que a escolha seja puramente emocional.

A versão Black traz alguns adereços visuais e tem ajuste de altura do banco do motorista.
Foto: GM / Divulgação

 

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