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Anfavea: vendas caem 23,1% no pior novembro desde 2005

Apesar do aumento de 15,1% na produção, indústria automotiva ainda deve sentir os efeitos da crise dos semicondutores até o fim de 2022

6 dez 2021 15h13
| atualizado às 15h18
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Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea
Foto: João Buffon/Reprodução YouTube

A produção de veículos no Brasil ainda sente os efeitos da crise mundial dos semicondutores. O balanço divulgado nesta segunda-feira (6) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) indica que o licenciamento de veículos em novembro foi de 173 mil, um recuo de 23,1% sobre o mesmo mês de 2020, no pior novembro em 16 anos. Assim como nos meses anteriores, a Anfavea reafirmou a preocupação com a crise global de fornecimento de semicondutores. 

Isso porque, apesar do retorno às atividades da maioria das fábricas, o ritmo de produção continua prejudicado. Em relação aos números de um ano atrás, a produção em novembro deste ano foi 13,5% menor que no mesmo período em 2020, configurando o pior resultado para o mês desde 2015. Vale ainda lembrar que a entidade já havia alertado sobre a possibilidade de escassez de componentes exatamente um ano atrás.

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Licenciamento de veículos cresceu em relação a 2020
Foto: Anfavea/Divulgação

“Temos muitos veículos incompletos nos pátios das fábricas, à espera de componentes eletrônicos. Esperamos que eles possam ser completados neste mês, amenizando um pouco as filas de espera nessa virada de ano”, afirmou o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes. O executivo também acrescentou que a expectativa para o próximo ano é de uma melhora gradual no fornecimento de semicondutores, embora a solução completa da crise só esteja prevista para o final de 2022.

De acordo com a Anfavea, o estoque de veículos se manteve estável em novembro, embora esteja em um patamar baixo há um ano. Devido ao aumento na produção, o estoque atual é de 103,8 mil unidades, número suficiente para cerca de 18 dias úteis de vendas. Desse total, 71,6 mil veículos estão nas concessionárias, e o restante nos pátios das fábricas. Para dezembro, a entidade prevê que o número de unidades disponíveis deve cair, uma vez que a produção no último mês do ano deve ser menor. Normalmente, a Anfavea costuma trabalhar com cerca de quatro meses de estoque. 

A inédita crise de oferta também derrubou os números de licenciamentos e exportações. Mesmo com uma ligeira melhora de 6,5% nos licenciamentos na comparação com outubro, os resultados ficaram muito aquém para um mês historicamente aquecido. Em novembro, as exportações também registraram uma queda de 6% em relação ao mês anterior e de 36,3% sobre novembro do ano passado, e tiveram apenas 28 mil unidades embarcadas.

Crise dos semicondutores derrubou produção em 2021
Foto: Anfavea/Divulgação

Apesar da queda na produção geral, a Anfavea destacou o crescimento da produção de veículos de transporte de carga. No acumulado do ano, caminhões cresceram 46,3%, picapes 28,4% e furgões 27,8%, quando comparados aos volumes dos primeiros 11 meses de 2020. Por outro lado, automóveis recuaram 1,3%, vans cresceram 1,6% e ônibus subiram apenas 0,7%. “Dentro do universo de automóveis, vale uma ressalva para a evolução de vendas dos SUVs, que cresceram 30% sobre o ano passado e em novembro representaram impressionantes 45,5% do total de carros de passeio”, lembra Luiz Carlos Moraes.

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No acumulado até novembro, os licenciamentos chegaram a 1,91 milhão, e as exportações a 334,8 mil. Já a produção total somou 2,03 milhões de unidades, um  aumento de 12,9% em comparação aos resultados no mesmo período de 2020. Com isso, a Anfavea ressalta que os números da indústria foram superiores aos do ano passado, mas ainda se mantiveram abaixo do patamar atingido em 2019, antes da pandemia.

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