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Ucrânia acusa Rússia de lançar bombas de fósforo na Ilha das Serpentes

Zelenski acusa Moscou de terrorismo após mísseis matarem 21 pessoas nos arredores de Odessa

2 jul 2022 - 07h00
(atualizado às 08h43)
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Bombas de fósforo branco foram usadas em conflitos como a Primeira Guerra Mundial
Bombas de fósforo branco foram usadas em conflitos como a Primeira Guerra Mundial
Foto: Wikimedia Commons

Os militares ucranianos acusaram nesta sexta-feira (02/06) a Rússia de ter atacado a Ilha das Serpentes com bombas de fósforo um dia após as forças do país terem se retirado do local.

"Aviões SU-30 da Aeronáutica russa realizaram dois ataques com bombas de fósforo contra a Ilha das Serpentes", escreveu no Telegram o comandante-em-chefe das Forças Armadas ucranianas, Valerii Zaluzhny, afirmando que as aeronaves decolaram de uma base na Crimeia.

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Os russos deixaram a ilha na quinta-feira, e o governo de Moscou afirmou que a saída era um "gesto de boa vontade", para demonstrar disposição de não interferir nos esforços da ONU para facilitar a exportação de grãos ucranianos.

Segundo Zaluzhny, os bombardeios na Ilha das Serpentes são prova de que a Rússia "não respeita suas próprias declarações".

As bombas de fósforo são armas incendiárias que têm seu uso proibido contra civis, mas não contra alvos militares.

A Ucrânia acusou repetidamente a Rússia de usar bombas de fósforo contra civis desde o início da invasão de seu território, mas Moscou sempre nega fazer uso desses artefatos.

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De grande importância estratégica, localizada no nordeste do Mar Negro, em área de importantes rotas de navegação mercantil, a Ilha das Serpentes se tornou um símbolo da resistência ucraniana depois que os guardas que a defendiam recusaram se render através de uma mensagem de rádio que se tornou famosa internacionalmente.

EUA descartam alegada "boa vontade" russa

O Departamento de Defesa dos EUA descartou nesta sexta-feira que a retirada russa da Ilha das Serpentes esteja relacionada a um "gesto de boa vontade".

"Atribuímos esse desenvolvimento ao fato de os ucranianos terem sido muito bem-sucedidos em aplicar significativa pressão sobre os russos, inclusive usando mísseis Harpoon que eles adquiriram recentemente para atacar um navio de reabastecimento", disse um funcionário do Departamento da Defesa americano.

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Segundo ele, os ucranianos tornaram muito difícil para os russos sustentar suas operações no local e os tornaram muito vulneráveis aos ataques ucranianos. "Então, é claro, foi por isso que a Rússia deixou a ilha", concluiu.

"Terrorismo russo"

Em seu discurso em vídeo divulgado na noite desta sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, classificou como atos "deliberados terroristas" os ataques de mísseis russos desta sexta-feira contra um prédio residencial e um centro recreativo nos arredores da cidade portuária de Odessa, que deixaram 21 mortos e dezenas de feridos.

"Três mísseis atingiram um prédio residencial comum, um prédio de nove andares no qual ninguém escondia armas, equipamentos militares ou munições, como propagandistas e oficiais russos sempre falam sobre esses ataques", disse Zelenski.

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O presidente ucraniano chamou o ataque de "terrorismo russo deliberado e proposital", ressaltando que não se trataram de "erros ou um ataque acidental com mísseis".

Zelenski também disse que ser grato aos Estados Unidos e pessoalmente ao presidente dos EUA, Joe Biden, pelo novo pacote de apoio à Ucrânia anunciado nesta sexta-feira, que inclui sistemas de mísseis terra-ar NASAMS. "Um complexo de mísseis antiaéreos que fortalecerá significativamente nossa defesa aérea. Trabalhamos muito para esse fornecimento. No total, esse pacote vale 820 milhões de dólares e, além do NASAMS, também inclui munição de artilharia e radares", disse Zelenski.

md (AFP, DPA, Reuters, AP)

 

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