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Jack Dorsey, fundador do Twitter, deixa o comando da empresa após 6 anos

Executivo era questionado por resultados da empresa e por comandar a fintech Square ao mesmo tempo

30 nov 2021 11h52
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Jack Dorsey, fundador e CEO do Twitter, anunciou que deixou o comando da empresa. A saída, claro, foi revelada na rede social por meio de uma "gambiarra": ele reproduziu a imagem da carta com mais de 280 caracteres enviada aos funcionários da empresa na manhã desta segunda, 29 . No post, Dorsey anunciou também o seu substituto: Parag Agrawal, diretor de tecnologia da empresa desde 2017. No comando da empresa desde 2015, Dorsey, 45, era criticado por não conseguir tornar o Twitter uma empresa consistentemente lucrativa, além de encarar questionamentos sobre a moderação de conteúdo e os algoritmos da empresa. A informação fez as ações do Twitter se valorizarem até 11% na manhã desta segunda-feira, 29.

No último trimestre, o Twitter piorou de desempenho depois de superar as expectativas no balanço apresentado em julho. Em dados divulgados no fim de outubro, a companhia registrou um aumento na receita de 37%, mas encarou prejuízo de mais de US$ 500 milhões depois de um processo movido por seus acionistas.

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"Decidi deixar o Twitter porque acredito que a empresa está pronta para seguir em frente sem seus fundadores", disse Jack Dorsey, em carta publicada no Twitter.

Atualmente, Dorsey também é presidente executivo da fintech Square, o que sempre causou desconfiança de investidores sobre sua capacidade de conduzir as duas empresas ao mesmo tempo. Em 2020, a firma de investimentos Elliott Management pressionou Dorsey a deixar o comando da empresa, o que não acabou acontencendo. Segundo a Bloomberg, a gestora planejava substituir o executivo por considerar que sua liderança trazia prejuízo ao valor das ações da empresa.

A Eliott é liderada por Paul Singer, megadoador de recursos para campanhas do Partido Republicano, dos Estados Unidos. Desde às eleições de 2016 nos EUA, os apoiadores do partido acusam a rede social de censurar vozes conservadoras em prejuízo de vozes mais progressistas, uma tese refutada pelo próprio Twitter recentemente - ao contrário, os algoritmos do Twitter impulsionam vozes da extrema direita.

Na sequência, o fundador do Twitter se defendeu publicamente, afirmando que iria rever planos de passar parte do ano morando na África - ele também falou sobre o ritmo de inovações e crescimento da empresa. Na época, houve um acordo entre Twitter e Elliot. Como parte da negociação, o Twitter vendeu participação de US$ 1 bilhão ao fundo investidor Silver Lake, voltado para o setor de tecnologia. O objetivo era usar esses recursos para financiar parte de um programa de recompra de ações no valor de US$ 2 bilhões.

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Na carta de despedida, porém, Dorsey refutou que a saída tenha sido resultado de pressões de terceiros. "Quero que todos saibam que essa decisão foi minha e que respondo por ela. Foi difícil para mim, é claro. Eu amo este serviço e esta empresa... e todos vocês, muito. Estou muito triste, mas muito feliz".

Na noite de domingo, 28, Dorsey já havia postado uma declaração de amor à rede social: "Eu amo o Twitter", escreveu ele.

Substituto começa nesta segunda

O substituto será o indiano Parag Agrawal, diretor de tecnologia da empresa desde 2017, já a partir desta segunda, 29 - a informação já aparece em seu pefil oficial na rede social. Ele está na empresa há mais de uma década e esteve envolvido em desenvolvimentos relacionados à inteligência artificial e ao aprendizado de máquina.

"O conselho executou um processo rigoroso considerando todas as opções e nomeando Parag por unanimidade. Ele tem sido minha escolha por algum tempo, dado o quão profundamente ele entende a empresa e suas necessidades. O Parag está por trás de cada decisão crítica que ajudou a tornar esta empresa o que ela é hoje. Ele é curioso, investigador, racional, criativo, exigente, autoconsciente e humilde. Ele lidera de coração e alma, e é alguém com quem aprendo diariamente. Minha confiança nele como nosso CEO é profunda," escreveu Dorsey.

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Parag é doutor em filosofia pela Universidade Stanford e já fez parte dos times de pesquisa na Microsoft, Yahoo e AT&T antes de se juntar ao Twitter, em 2011, como engenheiro de software.

"Estou grato a todos os funcionários. Entrei nesta empresa há 10 anos, quando ela tinha menos de mil funcionários. Eu me coloquei no lugar dela, vi altos e baixos, os desafios e os obstáculos, as vitórias e os erros. Mas além de tudo, vi o impacto da plataforma e os nossos progressos, assim como a empolgação com as oportunidades que estão nos aguardando. O mundo está nos assistindo agora mais do que nunca", disse o novo comandante em comunicado.

Dança das cadeiras

Além da mudança no cargo de CEO, um novo nome entrou para o conselho do Twitter: Bret Taylor, desenvolvedor de software que ajudou a criar o Google Maps. "Ter Bret nessa função de liderança me dá muita confiança na força de nosso conselho daqui para frente", disse Dorsey na carta divulgada nesta segunda.

Dorsey afirmou que continuará no conselho até maio para ajudar Agrawal e Taylor na transição. Depois disso, ele deixará o Twitter.

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"Por que não ficar ou me tornar do conselho? Acredito que seja muito importante dar a Parag o espaço que ele precisa para liderar", disse Dorsey. "Acho que é fundamental que uma empresa possa se manter por conta própria, livre da influência ou direção de seu fundador".

Taylor é presidente do conselho e diretor de operações da Salesforce.

Jornada é cheia de pedras no caminho

Dorsey fundou o Twitter em março de 2006 ao lado de Evan Williams, Biz Stone e Noah Glass e atuou inicialmente como presidente executivo entre os anos de 2007 e 2008. Em 2008, ele foi demitido da empresa e substituído no cargo por Dick Costolo.

Em meio à demissão, circularam informações de que o foco de Dorsey em hobbies irritavam seus colegas de trabalho - entre outras atividades, o fundador do Twitter fazia aulas de costura e desenhos, além de aparecer frequentemente em festas. Dorsey também costumava discutir com Williams, responsável pelo investimento inicial para a criação do Twitter. Além disso, primeira gestão de Dorsey foi marcada por negligência: nos primeiros anos da rede social, não havia backup do banco de dados da plataforma.

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A volta ocorreu em 2015 - à época, acionistas cobravam a empresa por baixo crescimento no número de usuários. Um ano mais tarde, Dorsey resistiu a uma tentativa de aquisição por parte da Salesforce.

Desde o seu retorno ao Twitter seis anos atrás, Dorsey segue como presidente executivo da Square. A decisão de dividir o tempo entre as duas empresas foi polêmica. Sobre o lento crescimento da empresa, Dorsey já se defendeu inúmeras vezes. Em conferência com o Morgan Stanley no ano passado, ele afirmou: "Cinco anos atrás, tivemos que praticamente reiniciar a empresa, e demora um pouco até podermos crescer a partir disso", disse ele.

Ao completar 15 anos em 2021, a empresa investiu em uma enxurrada de recursos para tentar atrair mais usuários de forma consistente. Entre eles estão o Twitter Blue, um serviço de assinatura, e o Espaços, aguardado recurso "inspirado" nas salas de áudio do Clubhouse. Além disso, a empresa estreou e encerrou os Fleets.

A empresa também teve considerável rotatividade entre seus executivos. Em 2018, o diretor de operações do Twitter, Anthony Noto, deixou o cargo para se tornar diretor executivo da SoFi, uma startup de finanças.

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Na saída, Dorsey deixou uma mensagem para o futuro da empresa: "Meu único desejo é que o Twitter seja a empresa mais transparente do mundo"./COM NEW YORK TIMES

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